Como influenciam a L’Oréal, A Maria Vaidosa e EDP?

13ª ConferênciaNotícias
Marketeer
01/10/2019
18:17
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monica serrano 13 conferencia marketeer_foto de paulo alexandrino

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L’Oréal, A Maria Vaidosa e EDP. São todas marcas com uma grande pegada digital, que influenciam milhares de pessoas. A primeira foi das primeiras marcas em Portugal a trabalhar com influenciadores, já lá vão cinco anos. A segunda tem 430 mil seguidores no Instagram, 70 mil visualizações no YouTube e uma revista em nome próprio. E a terceira ganha notoriedade online em diferentes territórios que vão da música ao desporto, sustentabilidade ou arte.

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«Fomos dos primeiros a criar relação com influenciadores»

Foi das primeiras marcas em Portugal a trabalhar com influenciadores, já lá vão cinco anos. De lá para cá muito evoluiu na estratégia de advocacy da L’Oréal.

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No universo L’Oréal cabem mais de 30 marcas em Portugal. Falamos de produtos profissionais ao mass market, passando pelo luxo e farmácia. Mónica Serrano, directora de Marketing, leva-nos numa viagem pela construção do marketing de influência da L’Oréal Portugal, no palco da 13.ª Conferência Marketeer. «Há 50 anos, o primeiro spot comercial apostava na televisão, evoluímos para a imprensa, comunicámos em lojas, definimos planos de search, apostámos no vídeo por sermos uma marca de beleza e cosmética», explica, indicando a passagem dos media tradicionais para o digital. Hoje, fazem também uso da realidade aumentada através de beauty tech, na maquilhagem e cabelos.

A aposta da L’Oréal no marketing de influência tem-se concentrado em mais comunicação, em precision advertisement e em comunicação puramente digital. «É uma revolução incrível, passou-se de comprar audiências para as construir e desenvolver conteúdos. Mais de 500 estudos feitos pela L’Oréal mostram a proporção do advertisement mix: apostamos 60% em publicidade, mas é o advocacy que tem mais impacto e aqui estão incluídos os influenciadores», detalha a directora de Marketing.

Há cinco anos, a L’Oréal construiu uma estratégia de influenciadores. «Queríamos ser uma love brand, a BFF dos influenciadores e ter relações personalizadas.  Concentrámo-nos na criatividade, numa beauty experience distinta e na construção de branded content com os parceiros certos. Tudo isto de uma forma arcaica, mas atrevo-me a dizer que fomos dos primeiros a criar relação com influenciadores», conta.

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Logo no primeiro momento perceberam o impacto que tinha. «Era fundamental apostar nos influenciadores.» Começaram por fazer uma listagem à mão categorizando os influenciadores que existiam, isto em 2014, e foi assim até 2016, com alguma segmentação cruzando o ADN das marcas e dos influenciadores. Em 2018, começaram a segmentar até os nanoinfluenciadores e a investir na co-criação. «Acreditamos na confiança. Por isso, ter uma comunicação transparente, entre o que é pago e não é, para nós é crucial. É relevante sermos autênticos e adequarmos o ADN da marca com os influenciadores. A estratégia deixa de ser de influenciadores e passa a ser de advocacy, com os influenciadores a ser um dos pilares. E já temos uma equipa nesta área.»

A equipa apercebeu-se de que para co-criar com os influenciadores teria de ter um espaço adequado para fazer conteúdos de qualidade sobre as suas marcas. Por isso, criaram uma academia e uma eBeauty Lab. E foi definido um processo interno para trabalhar com influenciadores e para as parcerias terem sucesso. «Assim, seguimos vários pontos, entre os quais: definir objectivos e KPIs, esclarecer o propósito, avaliar a campanha, respeitar o ADN, ser open minded, concentrar na autenticidade e transparência, avaliar o contexto e a continuidade da relação», adianta Mónica Serrano.

«Há campanhas só com influenciadores, outras noutros meios. Mas [os influenciadores] são bastante importantes e fazem parte da nossa estratégia de advocacy para construir as nossas love brands», conclui.

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«Não criei um boneco à minha volta»

Mafalda Sampaio é A Maria Vaidosa. Tem 430 mil seguidores no Instagram, 70 mil visualizações (em média) no YouTube, uma revista em nome próprio e alguns projectos na gaveta.

Em Setembro de 2014, publicava o seu primeiro vídeo no YouTube. «Na altura não existia o ganhar dinheiro com estas plataformas, nem parcerias. Era tudo muito orgânico, as marcas limitavam-se a enviar produtos», começa por contar Mafalda Sampaio, a criadora do blog “A Maria Vaidosa”, numa conversa conduzida por Maria João Vieira Pinto, directora de redacção da revista Marketeer.

Apenas um ano depois, começa a viver das plataformas online, no seu caso YouTube, blog e Instagram. «A primeira parceria que fiz foi com o grupo L’Oréal. E com a Pierre Fabre falei de um champô da René Furterer e o vídeo fez esgotar o produto, por isso, a marca entrou em contacto comigo».

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No blog e no Instagram, Mafalda Sampaio partilha o seu dia-a-dia, a recente gravidez e as escolhas de lifestyle. «As pessoas identificam-se, confiam nas minhas palavras. Porque sou o mais honesta possível, tento arranjar um equilíbrio que não invada a minha vida pessoal. Ainda hoje falo dos produtos que gosto e isso tem impacto nas vendas.» Garante trabalhar apenas com poucas marcas e as poucas com quem trabalha, di-lo, fá-lo bem. «Prefiro fechar duas ou três marcas a longo termo e não 20 “one shot”. Não faz sentido falar de várias marcas. É mau para o influenciador e para a marca. Cada vez mais as pessoas reparam em nós. Estamos na frontline e as pessoas estão à espera dos erros para apontar e chacinar.»

Por isso, além de ter feito sempre escolhas reflectidas, há pouco tempo resolveu juntar-se à Notable, consultora que gere a carreira de celebridades e influenciadores. «A mal ou bem criei a minha marca, sou a minha empresa. Sou licenciada em Marketing, devia fazer um plano de marketing, mas não o faço. Tento ser o mais natural possível, uma pessoa comum. Mas decidi trabalhar com o meu namorado e a Notable. Não criei um boneco à minha volta. Há vários tipos de influenciadores, não estou a dizer que isto é pior ou melhor. Talvez as pessoas que criam um boneco não sejam tão vulneráveis.»

Em 2017, decide ingressar no offline com o lançamento de uma revista trimestral homónima centrada nas temáticas de beleza, moda e lifestyle. «Dá-me muito gozo e teve uma aceitação espectacular. As pessoas aderiram por ser parte de mim. Foi-me proposto por outra empresa, agora como independente sai a primeira edição em Novembro. Uma das coisas que costumo dizer é que se não fosse blogger ou youtuber ia concretizar o meu sonho de criar a minha marca… Aliás, vou fazê-lo muito em breve», afirma, explicando que tenciona fazê-lo no universo da moda. À pergunta “Quanto vale a Maria Vaidosa?” respondeu: «Para mim vale imenso.»

maria vaidosa 13 conferencia marketeer_foto de paulo alexandrino

«Quem não trabalha com influenciadores não existe»

Como é que uma marca que passa facturas de electricidade e gás se deve relacionar com influenciadores? Chegar a mais audiências, alcançar novos públicos e massificar mensagens são os objectivos da EDP neste campo, mas tem muitos mais.

«Não é muito óbvio falar de influenciadores e facturas de electricidade e gás. A EDP não é um produto tangível, torna-se difícil gerar emoções. Mas vamos muito além disso, trabalhamos territórios como a música, a mobilidade eléctrica, desporto, sustentabilidade, energia solar, inovação, diversidade, arte, solidariedade», detalha Inês Lima, directora de Redes Digitais, os vários territórios da eléctrica portuguesa para se relacionar com os influenciadores.

A presença no online difere de cada mercado, da estratégia, da audiência e dos objectivos de cada uma das geografias da EDP, presente em 16 países. Mas resume-se muito a «estar onde os utilizadores e os consumidores já estão a prestar atenção e diria que é na rede dos influenciadores», esclarece Inês Lima.

Há cinco razões para que o marketing de influência seja tão importante para a EDP:

«[Primeiro] Parece-nos inteligente que através de influenciadores consigamos chegar a mais audiências, criar conteúdos mais espontâneos, mais originais e portanto mais interessantes. [Segundo] Conseguimos aceder a novas audiências e aos nichos certos. [Terceiro] Os consumidores hoje são cada vez mais hábeis a fugir dos anúncios publicitários digitais, assim através da rede de influenciadores conseguimos dar tiros mais certeiros e fazer passar a nossa mensagem e massificá-la, de forma mais eficaz.

[Quarto] Se de início eram os blogs, hoje há uma panóplia de formatos e canais e há que saber tirar partido. E, por último, a própria relação com os influenciadores está a tornar-se cada vez mais prática, fácil e profissional», detalha a directora de Redes Digitais.

A EDP tem trabalhado a vários níveis neste âmbito. «Desde campanhas de brand awareness para massificar e alcançar o maior número de pessoas para fazer chegar a mensagem mais longe. Trabalhamos campanhas a nível de engagement onde o que queremos é interacção. E queremos gerar leads e conversão, aqui o propósito é gerar tráfego no site e subscrever produtos», explica, indicando as diferentes estratégias adoptadas.

Para a EDP, a aventura de trabalhar com influenciadores teve início em 2016, com Maria Guedes, fundadora da  plataforma Stylista, a fazer a curadoria da rua EDP no Nos Alive. O trabalho com youtubers teve início no festival Meo Sudoeste, através de branded content. «Trabalhar com youtubers é massificar mensagens e aqui tivemos um alcance de 1,8 milhões», precisa Inês Lima.

A EDP tem também feito acções de charme na Corrida Mulher e em festivais no sentido de criar boas experiências. Tem trabalhado com micro e nanoinfluenciadores, com o que chamam de “experts”, como o músico Tiago Bettencourt para jurado e dinamizador do EDP Live Bands. Também mantém relações com o que chamam de macroinfluenciadores, nomeadamente Isabel Silva na área do desporto, que passou de influenciadora a embaixadora. «Este caso é uma óptima forma de criar conteúdo original e orgânico, visualizado 12 milhões de vezes. E temos o “Let’s Go”, o mote da EDP para desafiar as pessoas a sair de casa e a não ter medo de arriscar. A assinatura é utilizada por embaixadores da marca, nomeadamente Lourenço Ortigão, Kelly Bailey, Filomena Cautela, Joana Barrios, Tiago Teotónio e Ricardo Pereira. Aqui, falamos de awareness, notoriedade e reach.»

Inês Lima faz ainda questão de chamar a atenção que as marcas têm de tirar partido dos diferentes formatos e territórios do online. «Se antigamente diziam que as marcas que não tinham site não existiam, hoje quem não trabalha com influenciadores, atrevo-me a dizer, não existe», vaticina.

ines lima 13 conferencia marketeer_foto de paulo alexandrino

Texto de TitiAna Amorim Barroso

Fotos de Paulo Alexandrino




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