Como conseguiu a Ruptly o vídeo da detenção de Assange?

A agência de notícias dedicada a vídeos internacionais Ruptly foi a única a registar em vídeo a detenção de Julian Assange, um dos vídeos mais marcantes do corrente ano. E este foi o mote para juntar, no palco ContentMakers do Web Summit, Dinara Toktosunova, CEO da Ruptly, e Juan Branco, Legal advisor de Julian Assange da Wikileaks.

A responsável da agência de notícias contou que no caso da detenção de Julian Assange a agência estava informada de que a detenção poderia ocorrer a qualquer momento e destacou uma equipa que esteve várias horas à espera e a postos para gravar. «Havia outros meios de comunicação social que tinham a mesma informação e que optaram por não continuar à espera. Nós não saímos de lá e continuámos à espera, o que fez com que fossemos os únicos a registar as imagens da detenção», relata Dinara Toktosunova, lembrando que o vídeo em questão foi usado por mas de 200 meios em todo o mundo.

«Foi fundamental que as pessoas vissem as imagens do Julian a ser arrancado da embaixada [do Equador em Londres]. Que vissem a violência de alguém que só quis revelar a verdade a ser arrancado de onde estava», comenta Juan Branco que lembra que no caso da WikiLeaks a organização foi muito criticada por revelar os documentos, mas quem os espalhou foram os outros media. Na sua opinião no jornalismo «não há material cru. Há sempre o ângulo que foi escolhido».

Saindo em defesa do seu ofício e dos seus pares, Dinara assegura que na Ruptly tentam produzir material cru «para que as pessoas possam tirar as suas próprias conclusões». Até porque a confiança das pessoas tem de ser conquistada. Uma tarefa que nem sempre é fácil no difícil balancear da rapidez que é exigida actualmente no exercício do jornalismo e a verificação dos factos e das fontes. «Neste balancear escolhemos sempre a verificação», assegura explicando que desenvolveram na agência um sistema de verificação em que quatro ou cinco sistemas verificam a autenticidade e privacidade da informação que chega. «Não colocamos no ar antes de o fazer.»

Texto de Maria João Lima

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