Cobertura mediática sobre violência contra as mulheres atinge mínimos históricos a nível global

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Marketeer
17/04/2026
16:30
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A cobertura mediática sobre violência contra mulheres e raparigas atingiu níveis historicamente baixos, apesar da dimensão crescente do problema à escala global. A conclusão é de um novo estudo internacional que analisou mais de mil milhões de artigos publicados online ao longo dos últimos anos a nível global e cujas conclusões foram divulgadas pelo The Guardian.

De acordo com a investigação, apenas cerca de 1,3% das notícias globais publicadas em 2025 abordaram violência misógina, o valor mais baixo registado desde 2017, ano em que começou a ser feita a análise. A cobertura do tema atingiu o pico de 2,2% em 2018, no auge do movimento #MeToo, tendo depois caído para 1,83% no ano seguinte.

Em 2020, ano de pandemia, esta percentagem tombou para 1,34%, registando uma evolução e uma descida ao longo dos anos seguintes – 2021 (1,48%), 2022 (1,51%), 2023 (1,59%) e 2024 (1,39%) – até culminar no valor mais baixo da análise (1,27%) em 2025.

O relatório, que analisou cerca de 1,14 mil milhões de conteúdos noticiosos ao longo de nove anos, aponta para a tendência de que apesar de a violência contra mulheres continuar a ser uma das violações de direitos humanos mais disseminadas, o tema permanece largamente invisível no espaço mediático.

Além da escassez de cobertura, os especialistas destacam falhas estruturais na forma como o tema é tratado, apontando que muitas notícias ignoram as causas profundas da violência de género, limitando-se a relatar casos isolados sem enquadramento sistémico, sendo que mesmo em escândalos de grande dimensão, como o caso de Jeffrey Epstein, a referência à violência contra mulheres foi praticamente inexistente em grande parte da cobertura mediática.

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O estudo também evidencia um desequilíbrio na representação de vozes, com os homens a continuarem a dominar o discurso mediático, sendo citados com maior frequência do que mulheres, incluindo em temas que lhes dizem diretamente respeito.

Outro dado relevante prende-se com a evolução do discurso público, uma vez que enquanto a cobertura de violência contra mulheres diminui, termos como “ideologia de género” – frequentemente utilizados por movimentos anti-igualdade – têm registado um crescimento acentuado no espaço mediático e digital, refletindo uma polarização crescente em torno das questões de género.

Paralelamente, a investigação alerta para o aumento da violência facilitada pela tecnologia, incluindo assédio online e abusos potenciados por inteligência artificial, fenómenos que continuam subnoticiados apesar da sua expansão.

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Perante este cenário, os autores defendem uma mudança estrutural no jornalismo, que passa por dar maior voz às sobreviventes de episódios de violência, reforçar a presença de mulheres nas redações e abordar o tema de uma perspetiva mais sistémica pois só assim, defendem, será possível contrariar a normalização da violência e contribuir para uma transformação social efetiva.




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