Cinemas europeus expressam “forte oposição” em relação à compra da Warner Bros. pela Netflix

Notícias
Marketeer com Lusa
05/12/2025
16:32
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05/12/2025
16:32


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A União Internacional de Cinemas (UIC) expressou esta sexta-feira a sua “forte oposição” à compra dos estúdios de cinema e televisão da Warner Bros. Discovery pela Netflix, alertando para a consequência de uma redução do número de filmes em salas.

Em comunicado, a presidente executiva da UIC, Laura Houlgatte, afirmou que, caso se concretize o negócio anunciado esta sexta-feira, isso representará “um risco a dobrar”. “Se um estúdio desaparece, isso inevitavelmente significa que os cinemas vão ter menos filmes para exibir às suas audiências, o que leva a uma redução de receita, encerramentos de cinemas e perdas de postos de trabalho na indústria”, afirmou, acrescentando que, “de muitas formas, isto é pior do que a compra de um estúdio por outro”.

Houlgatte lembrou ainda que, “quer nas suas palavras quer nas suas ações, a Netflix tem repetido de forma clara que não acredita nos cinemas e no seu modelo de negócio”.

Citado no mesmo texto, o presidente do conselho de administração da UIC, Phil Clapp, apelou aos reguladores para que avaliem a compra à luz dos potenciais riscos que o negócio representa e as eventuais consequências para o setor da exibição de cinema, alertando para um “impacto profundamente danoso para a paisagem cultural da Europa”.

“A UIC vai fazer tudo ao seu alcance para tornar esses potenciais impactos – e a sua forte oposição ao negócio – claros para todas as autoridades na Europa e além dela”, realçou o presidente da UIC, que tem entre os seus membros a Nos  Cinemas e o grupo AMC.

A Netflix vai comprar o estúdio de cinema e televisão Warner Bros. por cerca de 83 mil milhões de dólares (71,27 mil milhões de euros), incluindo a plataforma de streaming HBO Max, anunciaram esta sexta-feira as duas empresas em comunicado conjunto.

Com a adição dos catálogos de filmes e séries da Warner Bros. e da HBO e HBO Max, os assinantes da Netflix “terão ainda mais títulos de alta qualidade para escolher”, o que “também permite que a Netflix otimize os seus planos para os consumidores, aprimorando as opções de visualização e expandindo o acesso ao conteúdo”, apontava-se no comunicado conjunto da Netflix e da Warner Bros.

Esta trata-se da maior operação de consolidação no setor do entretenimento desde a compra da Fox pela Disney, por 71 mil milhões de dólares (60,96 mil milhões de euros), em 2019. A publicação especializada Variety — que refere que a Warner Bros. tem em curso acordos para lançar filmes nos cinemas até 2029 — classificou o negócio como um momento que vai “refazer de forma dramática o negócio do entretenimento”.

Já o Financial Times (FT) escreveu que a compra vai transformar a Netflix “no ator dominante de Hollywood, ao acrescentar uma atrativa biblioteca de conteúdo que inclui as franquias Harry Potter e Batman, o negócio de streaming da Warner Bros. Discovery e a programação premium da HBO”.




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