Investigadores estão a desenvolver tecnologia capaz de decodificar a atividade cerebral e converter pensamentos em texto em tempo real, oferecendo novas formas de comunicação a pessoas incapazes de falar.
Uma mulher de 52 anos, paralisada há quase duas décadas devido a um AVC, participou num estudo na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Microeletrodos foram implantados no lobo frontal do seu cérebro, permitindo que os sinais emitidos pelos neurónios enquanto ela imaginava falar fossem traduzidos para palavras num ecrã. Esta experiência permitiu que a sua “voz interior” se tornasse visível, mesmo sem conseguir falar, relata a BBC.
Estes avanços fazem parte de uma série de progressos recentes na área das interfaces cérebro-computador (BCI), que combinam IA e neurotecnologia para analisar padrões neuronais complexos. Equipamentos semelhantes já permitem que pessoas com doenças como esclerose lateral amiotrófica (ELA) comuniquem através da tradução dos seus sinais cerebrais em texto, e os resultados estão a tornar-se cada vez mais precisos e rápidos.
O desenvolvimento destas técnicas envolve microeletrodos que captam padrões de atividade neuronal associados a palavras e fonemas. A inteligência artificial processa estes sinais e converte-os em texto ou até em fala, incluindo elementos não verbais como entoação, ritmo e ênfase, tornando a comunicação mais completa e natural.
Embora ainda não seja possível decodificar todos os pensamentos com total precisão, os investigadores conseguiram traduzir palavras imaginadas com uma taxa de sucesso significativa e detetar traços de linguagem interna em tempo real. Estes avanços apontam para um futuro em que será possível interagir com dispositivos e comunicar com outras pessoas apenas através do pensamento, abrindo novas possibilidades, sobretudo para quem enfrenta limitações motoras ou de fala.











