China passa a principal mercado externo da Unicer

A Unicer obteve um resultado líquido de 38 milhões de euros em 2016, o que representa um aumento de 46% em relação ao ano anterior. A situação económica instável em Angola penalizou, contudo, as exportações da empresa, que caíram 23%. De resto, o mercado angolano, em quebra há dois anos, deixou de ser o principal mercado externo da Unicer, tendo sido ultrapassado pela China.

O aumento dos lucros reflecte, em grande parte, a «redução dos custos fixos» inerentes ao processo de reestruturação iniciado em 2015, e que no ano passado culminou no encerramento da unidade fabril de Santarém, reconheceu Rui Lopes Ferreira, CEO da empresa, durante um evento que assinalou os 90 anos da Super Bock. Os custos de reestruturação pesaram sobre os resultados de 2015, pelo que, excluindo estes efeitos, o aumento do resultado líquido em 2016 teria sido de 8%.

O volume de vendas global da empresa deslizou 1% para 451 milhões de euros, fruto da quebra das exportações para Angola. O mercado angolano que em anos anteriores chegou a representar vendas de mais de 100 milhões de litros de cerveja para a Unicer, teve em 2016 um impacto «residual» nas contas da empresa, assumiu o presidente executivo.

A quebra no mercado angolano foi, no entanto, contrabalançada pelo aumento das vendas em todas as regiões de exportação da Unicer, nomeadamente Europa (1%), África (6%) e Ásia (vendas triplicaram), o que levou Rui Lopes Ferreira a afirmar que sem o impacto negativo de Angola, as exportações teriam crescido na ordem dos 20%.

No total, as exportações tiveram no ano passado um peso de 25% no volume de negócios global da Unicer. Para este ano, o objectivo da empresa passa por reforçar a sua posição nos três continentes onde está já presente, particularmente através da marca Super Bock, que chega já a mais de 50 países. «Afirmar o carácter global da Super Bock faz parte da nossa missão, sempre com a consciência que é em Portugal que temos o nosso centro de operações e a essência da marca», sublinhou Rui Lopes Ferreira. O responsável garantiu ainda que a empresa «não abandona a ambição de abrir uma fábrica em Angola», embora tenha reconhecido que «o projecto está suspenso».

Quanto ao mercado português, as vendas da empresa aumentaram 6% no ano passado, beneficiando de factores como o aumento do turismo, a recuperação económica e o campeonato europeu de futebol.

O EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) aumentou 3%, para 86 milhões de euros, enquanto a dívida da empresa ficou abaixo dos 100 milhões de euros.

Texto de Daniel Almeida

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