Cerveja, petiscos e até cromos: como o Mundial mexeu com o consumo dos portugueses

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Rafael Ascensão
22/07/2026
11:25
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Cerveja, petiscos e até cromos: como o Mundial mexeu com o consumo dos portugueses

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Sempre que as Seleções – e principalmente a equipa de Portugal – entravam em campo, não eram apenas as audiências televisivas que subiam, pois também os carrinhos de compras e os cestos das plataformas de entrega registavam alterações. Entre cerveja, pizzas, tremoços, marisco, hambúrgueres e refeições prontas, os jogos do Mundial de Futebol transformaram-se num importante momento de consumo, levando retalhistas e plataformas de delivery a registarem crescimentos que, em alguns casos, ultrapassam os 100%.

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As informações recolhidas pela Marketeer junto do Continente, Pingo Doce, Auchan, Mercadona, Glovo, Uber Eats e Bolt Food, mostram um padrão comum: os portugueses continuam a gostar de ver jogos em casa, rodeados de família e amigos, e deixam grande parte das compras para as horas imediatamente anteriores ao apito inicial.

A cerveja continua a ser a grande protagonista deste fenómeno, sendo precisamente nesta categoria que se verificam os maiores crescimentos. Na Bolt Food, considerando a janela entre as três horas antes e as duas horas após o início dos jogos de Portugal, o número de unidades de cerveja vendidas aumentou 142%, enquanto as linhas de encomenda cresceram 113%. O maior pico aconteceu antes do encontro entre Portugal e a Croácia, disputado à meia-noite, quando a plataforma registou o maior volume horário de cerveja entregue em todo o ano de 2026.

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Também o Continente confirma essa tendência. Segundo a insígnia do grupo Sonae, nos dias em que a Seleção Nacional jogou, as vendas de cerveja cresceram mais de 50%, acompanhadas por aumentos igualmente superiores a 50% em categorias como marisco, azeitonas e tremoços. Os aperitivos registam, por sua vez, crescimentos na ordem dos 25%.

Já no Uber Eats, os pedidos da categoria Grocery & Retail, que incluíram cerveja, aumentaram cerca de 30% desde o início do Mundial, sendo que o primeiro jogo de Portugal, frente à República Democrática do Congo, registou um crescimento próximo dos 90%. Mas mesmo partidas sem a participação da Seleção Nacional chegaram a gerar aumentos próximos dos 80%.

O Auchan, por seu turno, aponta para um crescimento global de cerca de 10% nas vendas de cerveja face ao mesmo período de 2025, admitindo que nos dias dos jogos de Portugal a procura foi “mais acentuada”, segundo indica Ana Margarida Mendes, diretora de bebidas, láteos e congelados da marca.

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Também o Pingo Doce identificou uma subida da procura sempre que Portugal jogou, registando crescimentos a dois dígitos em vários desses dias, enquanto a Mercadona refere que, embora o verão explique parte da evolução das vendas, existiu um reforço evidente na véspera e no próprio dia dos jogos, sobretudo quando se tratava da equipa das quinas.

As compras fazem-se em cima da hora

Entre as diferentes empresas é ponto comum o facto de o consumidor português continuar a decidir muito perto do momento de consumo. Na Bolt Food, a procura começava a aumentar cerca de duas horas antes do jogo, atingindo o ponto máximo durante a última hora antes do apito inicial, quando as encomendas de cerveja chegaram a aumentar 246% face ao habitual. Depois do início da partida, a procura abrandava para voltar a crescer cerca de duas horas mais tarde, ainda que de forma mais moderada.

Também a Glovo identifica exatamente o mesmo comportamento, sendo que, segundo a plataforma, os pedidos aumentaram consistentemente cerca de uma hora antes dos jogos, com muitos consumidores a anteciparem o jantar antes do início das partidas.

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O Continente confirma igualmente que a maioria das compras acontece no próprio dia do jogo. “Os dados demonstram que não existe um aumento particularmente expressivo quando a antecedência ultrapassa as 24 horas”, refere a insígnia, acrescentando que existe apenas alguma antecipação na véspera dos encontros.

Não é só cerveja: pizza, hambúrgueres, petiscos e refeições prontas também ganham

Embora a cerveja seja a categoria mais associada ao Mundial e ao futebol em geral, os dados mostram que os portugueses aproveitaram estes momentos para abastecer praticamente toda a mesa.

Na Glovo, pizza, hambúrgueres e frango lideraram as encomendas realizadas antes dos jogos, enquanto os centros logísticos da Glovo Express registaram um crescimento particularmente forte nas bebidas. Mas, curiosamente (ou não assim tanto, tendo em conta a “febre” com os cromos do Mundial), nem só comida entrou nos carrinhos. Os cromos oficiais do Campeonato Mundial de Futebol figuraram também entre os produtos mais vendidos nas últimas semanas na Glovo Express.

No Continente, além da cerveja, cresceram também significativamente categorias como marisco, tremoços, azeitonas, snacks e refeições prontas, com a cadeia a destacar ainda o fenómeno curioso de o “Bacalhau da Sorte”, disponível na Cozinha Continente, ter “superado as expectativas” sempre que Portugal entrou em campo.

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Leia também: Continente transforma bacalhau em ritual para apoiar a Seleção Nacional no Mundial

No Auchan, o aumento verificou-se sobretudo em batatas fritas, refrigerantes, gelados e pratos preparados congelados, enquanto a Mercadona identificou uma combinação composta por cerveja em garrafa PET de um litro, batatas fritas clássicas e tremoços.

Embora em Portugal o formato de eleição continue a ser a mini e de se ter observado um crescimento “muito interessante” da lata por ser um formato “mais leve e fácil de transportar”, o maior crescimento foi registado na cerveja própria da marca, “A Minha”, em embalagem PET de um litro.

“Por não ser de vidro, podia ser consumida em recintos onde o vidro não é permitido e, além disso, a embalagem PET ajuda a manter a cerveja fresca durante mais tempo”, justifica Bernardo Mourinho Guedelha, responsável de unidade de negócio da Mercadona.

O Pingo Doce, apostou mesmo no lançamento de uma gama específica de petiscos da Comida Fresca, pensada para consumo em grupo durante o Mundial, complementada por campanhas promocionais na aplicação e por um folheto dedicado à competição.

Jogos à meia-noite? Afinal também ajudam as vendas

À partida, poderia pensar-se que os jogos disputados mais tardiamente, nomeadamente os da seleção nacional à meia-noite, travariam o consumo, mas os dados mostram precisamente o contrário, pelo menos junto das marcas de delivery.

Na Bolt Food, por exemplo, os encontros iniciados à meia-noite geraram aumentos médios de 167% nas vendas de cerveja, muito acima dos 92% registados nos jogos das 18 horas. A explicação é simples e prende-se com o facto de os jogos terem coincidido com um dos períodos de maior atividade da plataforma, entre as 22h00 e as 23h00, potenciando ainda mais o volume de encomendas.

Também o Uber Eats conclui que o horário tardio não prejudicou o consumo, exemplificando que no jogo entre Portugal e o Uzbequistão, o pico de pedidos que incluíram cerveja ocorreu precisamente à meia-noite, traduzindo-se num crescimento de cerca de 60%.

A Glovo confirma igualmente que os jogos noturnos da Seleção Nacional geraram sempre resultados positivos, sendo que no encontro frente à Espanha, durante as horas do jogo, a plataforma registou um crescimento de cerca de 55% nas vendas face à semana anterior.

Mundial evidencia alterações de comportamentos de consumo

Mais do que uma competição desportiva, o Mundial voltou a afirmar-se como um importante motor de consumo para retalho e plataformas digitais. Além da subida das vendas, várias empresas identificam mudanças nos próprios cabazes. Na Bolt Food, por exemplo, o valor médio das compras aumentou 11% durante os jogos, sinal de que os consumidores aproveitam estas ocasiões para fazer compras mais completas.

Ao mesmo tempo, há pequenas mudanças de comportamento, nem sempre coincidentes. A cerveja sem álcool, no caso da Bolt Food, perdeu peso durante os jogos, enquanto no Pingo Doce continuaram a crescer segmentos as sidras mas também cervejas 0,0%, e outras bebidas sem álcool.

No final, as informações partilhadas pelos diferentes players mostram que o futebol continua a ter um efeito muito concreto no consumo e que se dentro das quatro linhas o objetivo era marcar golos, fora delas o Mundial contribuiu para encher frigoríficos, mesas e carrinhos de compras, muitas vezes apenas alguns minutos antes do árbitro apitar para o início da partida.

A Marketeer também contactou a Sagres e Super Bock que decidiram não participar no artigo






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