CCO do Facebook: «Restaurar a confiança é um desafio enorme»

Esteve no centro do furação do caso Cambridge Analytica, que veio expôr de forma evidente os problemas de privacidade no ambiente digital. Agora, o Facebook garante estar a tomar medidas no sentido de reconstruir a confiança na plataforma. «Para nós, é um desafio enorme. Não há qualquer palavra que possamos dizer em cima de um palco que possa restaurar a confiança. Isso exige tempo e uma coerência de investimentos no combate a problemas como as fake news», assegurou Mark D’Arcy, chief creative officer (CCO) do Facebook.

No último dia da DMEXCO, conferência de marketing digital que decorreu em Colónia, na Alemanha, Mark D’Arcy explicou que, no âmbito deste esforço, a rede social já contratou mais de 30 mil pessoas para fazer a verificação de factos, além de bloquear mais de um milhão de contas falsas por dia. «Depois do que aconteceu nas eleições norte-americanas em 2016, temos hoje um sistema global em mais de 50 países que protege a integridade das eleições. Há um conjunto de investimentos chave em curso e queremos continuar a inovar», garantiu.

Na conferência, subordinada ao tema “Trust in You”, o CCO do Facebook disse ainda acreditar que é possível às marcas continuarem a personalizar as suas mensagens publicitárias, ao mesmo tempo que protegem a privacidade dos consumidores. «Ao longo dos últimos 20 anos, a indústria trabalhou no sentido de melhorar e personalizar a publicidade e não devemos dar um passo atrás. É possível conciliar a publicidade personalizada com a protecção da privacidade, desde que consigamos dar um maior controlo às pessoas sobre os seus dados», opinou.

O CCO do Facebook falou ainda de «propósito», «abertura» e «humildade» como alguns dos factores críticos para as marcas nos dias que correm. «O propósito não é propriamente uma novidade – as marcas sempre souberam da importância que têm no tema do ambiente, da sustentabilidade, da política, entre outros. O que mudou nos últimos anos foi o contexto. Hoje, em plataformas como o Facebook ou o Instagram, as marcas têm mais possibilidade de contar histórias contextualizadas sobre o que estão a fazer de positivo. É fundamental alinhar o propósito da empresa com o investimento que é feito em marketing», afirmou Mark D’Arcy.

De acordo com o responsável, o poder que os consumidores hoje têm obriga as marcas a terem uma abertura ou humildade criativa que não havia antigamente, quando a publicidade era «imposta». «Temos de ter a humildade de perceber que os consumidores de hoje têm uma infinidade de opções, têm muito mais poder nas mãos e estão completamente no seu direito de nos ignorar [aos anunciantes]. Por isso, temos de merecer a sua atenção. Não podemos fazer marketing “às” pessoas mas “para” as pessoas», concluiu.

Texto de Daniel Almeida

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