Carnívoros, o paraíso está de volta!

Há quem diga que não se deve voltar aos locais onde se foi feliz. Eu defendo o oposto. Especialmente se estivermos a falar de locais onde se usa um garfo e uma boa faca. E a Sala de Corte é um desses espaços onde sabemos que sempre que lá voltamos vamos sair felizes. Isto, claro, para aqueles que são amantes de boas peças de carne. O que, a bem da verdade, é o meu caso. Que me desculpem os meus amigos defensores do veganismo, mas eu sou feliz a comer carne (como, de resto, também sou feliz a comer peixe).

Mas adiante. Sucede que a Sala de Corte, anteriormente instalada no Cais do Sodré, fechou o seu espaço anterior – pela necessidade do prédio onde estava instalada ir entrar em obras – e abriu a poucos metros da localização original um novo espaço no número 7 da Praça D. Luís I. Mas um novo espaço que vem com tudo o que os seus fiéis clientes poderiam desejar. Antes de mais, a carta mantém a grande maioria daqueles que eram os best-sellers, tem uma garrafeira muito simpática e tem espaço. Muito mais espaço do que a anterior localização.

Agora a Sala de Corte tem a capacidade para sentar 66 comensais distribuídos por mesas quadradas, com sofás encostados à parede, e redondas no meio da sala do restaurante. Voltam a estar disponíveis lugares ao balcão para aqueles que gostam de acompanhar os bastidores de um restaurante. E, desde que abriu, 70% dos clientes são estrangeiros, conta o chef Luís Gaspar.

Além de mais espaço para sentar pessoas, o crescimento físico do restaurante permitiu uma reformulação na carta, que conta agora com algumas novidades. Na nova carta o chef Luís Gaspar passou a disponibilizar T-bone, um “naco” em forma de T que inclui o osso, a separar lombo e vazia, no caso maturada ao longo de 15 dias, e a Rabada Minhota Galega, que inclui maminha, picanha, alcatra e pojadouro, servidos a peso em que o cliente é convidado a olhar para a câmara de maturação e escolher a peça que deseja. São opções pensadas para partilhar e que, segundo o chef Luís Gaspar, têm sido bastante solicitados desde que o novo espaço abriu. Na nova ementa, o Chuletón passa a ser galego, com uma maturação de 30 dias. Carnes que têm na sua totalidade proveniência de fornecedores portugueses e espanhóis numa média mensal de três toneladas, segundo referiu o chef Luís Gaspar.

No dia em que fomos conhecer o novo espaço foram os cocktails da casa que nos receberam em jeito de boas-vindas. Não tardariam a chegar a uma das mesas redondas o brioche de chouriço, os rissóis de presunto Pata Negra e o taco de rosbife à portuguesa com maionese de alheira. Depressa desapareceram. Seguir-se-ia o folhado de queijo de cabra e o Ovo a 64º – uma abordagem dos ovos com farinheira, que Luís Gaspar traz da sua Casa Lisboa, no Terreiro do Paço.

Apresentações feitas, estava na hora de chegarem os reis do repasto. Montados nas tábuas de madeira, que já eram características do anterior espaço, chegou um T-bone e um entrecôte para dividirmos, claro! A acompanhá-los o puré de batata com azeite de trufa, o brás de cogumelos e espargos verdes, o arroz de feijão, chouriço de cebola e farofa de mandioca e o esparregado de espinafres com Queijo S. Jorge DOP 12 meses. Por muito que se tente não abusar porque estamos a jantar as tentações são muitas e difícil é escolher os eleitos. Mas o esparregado e o puré com apontamento de trufa acabam por levar a melhor.

A prudência aconselhava-nos a não avançar para o passo seguinte, mas a gula impediu-nos. Vinham lá as sobremesas… A abrir apresentou-se o novíssimo Ananás dos Açores na brasa, idêntico ao da Casa Lisboa mas aqui acompanhado com gelado de carvão vegetal. Reuniu aplausos à mesa ainda que para o meu paladar não tenha convencido por se sentir um ligeiro grau de álcool. A tentação chegaria ainda em forma de pavlova de frutos vermelhos com sorbet de framboesa e lima que disputou o lugar da eleita com o falso crumble de caramelo. Para mim, ganhou a pavlova, mas foi muito renhido havendo lugar a tira teimas até ao último pedacinho. Uma curiosidade relativa às sobremesas que transitam da carta anterior é que todas tiveram uma redução de 50% de açúcar, segundo o chef. Mas uma coisa lhe garanto: nem se dá por isso.

Outra das boas novidades para os carnívoros como eu é que o restaurante passa a aceitar reservas para o almoço e também para o jantar. Ainda assim, se decidir apenas aparecer já sabe que terá snacks com que se entreter enquanto espera mesa. Bom apetite!

Texto de Maria João Lima

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