Isabel Costa e João Tomás fundaram os hotéis Casa das Penhas Douradas, de São Lourenço e a Burel Factory. Mas são, ainda, responsáveis por estarem, desde há anos, a recuperar património e história na Serra da Estrela, onde caminham para a abertura do terceiro hotel. Pelo meio reactivaram ainda a fábrica de têxtil e voltaram a dar vida a um dos principais produtos da região, o burel.
Texto: M.ª João Vieira Pinto · Fotografia: Paulo Alexandrino
Cheguei à serra num momento mágico. Final de dia de Primavera, com o sol a pôr-se entre o laranja e o encarnado e sobre um nevão caído na noite anterior que tinha pintado o cenário de branco. Nunca tinha ido à Casa de São Lourenço, em Manteigas. A viagem é longa, mas a chegada «mágica» anulou todos os quilómetros feitos. Assim como a entrada na Casa. Porque, aqui, recebe-se precisamente como se estivesse entre amigos. Talvez porque quem a sonhou e fundou fê-lo de copo e alma e entrega total. E assim o continua a fazer, num espírito que se empregna em todas as equipas.
A Casa de São Lourenço, em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, pertence à Burel Mountain Hotels. Um grupo fundado por Isabel Costa e João Tomás, que começou anos antes, com a Casa das Penhas Douradas, Burel Expedition Hotel. A casa, essa, era um antigo sanatório, tendo os actuais proprietários mantido e preservado traços e história.
Anos mais tarde, em ganho de escala e para assegurar que nada se estraga na região, abririam o segundo hotel, também ele uma casa: esta, a de São Lourenço, Burel Panorama Hotel, primeiro e único hotel de cinco estrelas de montanha em Portugal, e renascido daquela que em tempos idos foi a Pousada de São Lourenço.
Com vista sobre o Vale Glaciar do Zêzere, a que nos chamam a atenção desde o primeiro momento, é como que uma janela aberta sobre o vale, até Manteigas. Aqui, cruza-se o burel de Manteigas com o design de Maria Keil e muito conforto. De resto, a presença de design português contemporâneo no projecto de interiores é bem notório, seja pela mão do espólio de Maria Keil, assim como dos trabalhos de vários designers portugueses, entre Nuno Gusmão, Marco Sousa Santos, Vicara, UTIL, Grestel, Bordallo Pinheiro, Bartolomeu Gusmão, Vanda Guerreiro e Burel Factory, bem como de peças de autoria vernacular criadas por artesãos da zona.
O burel, esse tem presença forte no espaço, ou não tivesse vindo a ser recuperado pela mão do casal, com a Burel Factory.
Pelo meio de tudo isto, ou no cruzamento de tudo isto, há pessoas que mimam, há rostos com calma e sorriso terno, há sabor nos pratos e saber em massagens que nos devolvem tempo e calma.
Mas há mais!
Com 15 quartos e cinco suítes, todos diferentes mas numa dinâmica alinhada, por ali há tempo e propostas com tempo. Há chá da tarde e passeios pela montanha, há massagens e picnics, e há, ainda, silêncio e calma, com os quartos a estenderem-se em varandas ou terraços que convidam a estar e ficar.
Todo o mobiliário, em madeira de castanho, é original de Maria Keil, com excepção das camas que são réplicas fiéis, uma vez que as dimensões de então não permitiam a sua adaptação às necessidades actuais. O restauro foi feito de forma a tornar a linguagem das peças mais contemporânea. As projecções, nas paredes, dos desenhos originais das ferragens dos móveis, os tectos forrados a burel amarelo e bordados com os três desenhos criados por Maria Keil, a loba, a flor do cardo e a estrela, e ainda os excertos dos poemas do «Guardador de Rebanhos» de Fernando Pessoa, em escrita bordada à mão, são alguns dos pormenores que fazem viajar pela história do hotel.
Os responsáveis por tudo isto? Isabel Costa e João Tomás. Isabel, formou-se em Biotecnologia na Universidade Católica do Porto, que nunca chegou a exercer. Dedicou-se à gestão na área do retalho durante 20 anos e é possível que por aí tivesse continuado, não tivesse tropeçado em mais uma paixão na sua vida: o burel.
João Tomás, formado em Direito na capital, sempre foi advogado até ter decidido fazer uma caminhada mais longa pela Serra e por aí ir ficando. Ou não admitisse o próprio ser um irrecuperável apaixonado por paisagens de montanha e adepto de caminhadas. Na da Estrela encontrou a localização perfeita para uma segunda vida dedicada à montanha e a uma pequena comunidade no Interior de Portugal. A ideia era ter uma casa que fosse um ponto de partida para passeios, só que no dia em que o casal tropeçou na notícia de que estaria para venda um antigo sanatório, em ruínas, nas Penhas Douradas, não houve resistência possível e acabaram por comprar aquela que viria a ser a Casa das Penhas Douradas.

O projecto era recente ainda quando, os dois, decidem reconstruir uma fábrica de lanifícios do século XIX, quando a indústria se fazia à mão, hoje a Burel Factory, onde os teares do século XIX se fazem ouvir a tecer produtos em pura lã e burel. A fábrica, então num processo de insolvência, foi adquirida e reconstruída, ajudando a salvar a tradição têxtil e assegurar postos de trabalho e a transmissão do conhecimento às novas gerações.
Anos mais tarde, numa ideia, partilham, de garantir escala e assegurar que nada se estragava por ali perto, seguem caminho e compram a antiga Pousada de São Lourenço, agora Casa de São Lourenço, criando os Burel Mountain Hotels. Todos eles, segundo João Tomás, partem da mesma ideia: «São projectos de recuperação de património. Não fazemos nada de novo; pegamos no que existe e damos-lhe uma vida nova, respeitando as origens… A Casa das Penhas Douradas era um antigo sanatório em ruínas. Recuperámos o edifício, sublinhámos a importância e o valor das Penhas Douradas como estância sanatorial de montanha, nascida do século XIX, e influenciámos a sua classificação como Património Nacional, candidatura que mereceu a aprovação do Instituto do Património Cultural. Com a Burel Factory, sucedeu algo semelhante: uma fábrica falida que recuperámos, as máquinas, as pessoas e os saberes. E na Casa de São Lourenço passou-se exactamente o mesmo. No fundo, somos recuperadores de património, material e imaterial. É essa a nossa missão, sem passado não temos futuro. Temos de saber valorizar e dar futuro às nossas tradições!»
Têm vindo a incutir valorização ao património, recuperação de tradições e do que de melhor se faz na zona de Manteigas, e no País. Só assim é que faz sentido fazer, trabalhar? E como é que foi toda esta história, todo este projecto da Burel Mountain Hotels?
João Tomás: Somos uma família de pessoas inquietas. Eu, a Isabel, o João e a Maria. Talvez tenha sido eu o responsável, o primeiro responsável, por esta nossa viagem ao interior do País. Fui uma pessoa sempre ligada à natureza, às caminhadas. Apercebi-me que a natureza tem um efeito terapêutico maravilhoso sobre as pessoas. Aperfeiçoa-nos, transforma-nos, faz-nos pessoas melhores.
Pouco e pouco, começou a nascer a ideia de que poderíamos ter uma segunda vida no Interior. E comecei a pensar nisso muito seriamente. Depois, arrastei a Isabel, que neste momento me ultrapassa e que lidera claramente os nossos projectos, sobretudo o da Burel.
Tudo começou há cerca de 25 anos e tudo começou com a Casa das Penhas Douradas…
… Que era uma ruína!
Era uma ruína. As Penhas Douradas têm uma história interessantíssima. Nasceram na sequência de uma expedição científica organizada pela Sociedade de Geografia de Lisboa à Serra da Estrela. Os exploradores, na altura, deixaram as explorações africanas para se ligarem à Serra da Estrela, para descobrirem a Serra da Estrela. Havia um interesse muito grande em encontrar um sítio alto em que se pudessem instalar sanatórios. A climoterapia começou a ter uma importância muito grande. E foi assim que se descobriu as Penhas Douradas como o local certo em Portugal para a construção dos primeiros sanatórios. As Penhas Douradas têm essa configuração. Há uma arquitectura sanatorial muito bonita, de 1719.
Neste momento, queremos elevar as Penhas Douradas a património nacional, porque estão ali os primórdios da cura da tuberculose em Portugal e na Europa.
Nessa estância tão bonita ficou uma ruína de um antigo sanatório que entendemos recuperar. Assim nasceu a Casa das Penhas Douradas.
Foi tudo isso que vos fez perceber que era ali que fazia sentido investir e criar o primeiro projecto?
Sim. O espaço era maravilhoso, o sítio é absolutamente fantástico. Sentimos que seria ali que poderíamos começar a fazer a Casa das Penhas Douradas. Este foi o nosso único projecto pensado, escolhido.
E foi um projecto pensado para ser exactamente o quê? O que é que queriam naquele espaço, o que é que queriam oferecer?
A ideia seria construir um pequeno hotel, para receber pessoas que se entusiasmassem pela montanha, pela serra, pelas caminhadas, pela natureza. A ideia seria envolver-nos, eu, nomeadamente, com essa realidade. Ingenuamente, pensava que seria uma vida absolutamente tranquila, descansada, mas, com o tempo, chegámos à conclusão que não era bem assim…
Mas o nascimento da Casa das Penhas Douradas foi um projecto muito interessante. Começa por ser um hotel sem hoteleiros, que é uma curiosidade muito interessante.
Na altura, quando abrimos as Penhas Douradas, em Manteigas havia enorme desemprego. As fábricas, os lanifícios tinham falido há uns anos. Os subsídios de desemprego estavam a terminar e tínhamos uma série de pessoas a precisar de emprego. Foram operárias têxteis as protagonistas da abertura da Casa das Penhas Douradas.
Aliás, algumas ainda ficaram lá anos!
A última, com mais de 70 anos, saiu agora.
Foi uma experiência fantástica, porque as operárias têxteis têm uma forma de estar muito ligada ao detalhe, à perfeição, que são requisitos essenciais para quem está na hotelaria. Foram, todas elas, pessoas que abraçaram uma nova vida muito diferente, com grande carinho, com grande entusiasmo. Não falavam inglês, mas falavam a linguagem da candura, dos sorrisos. E construímos com elas, com um orgulho muito especial, a Casa das Penhas Douradas.
O que é curioso é que, passado dois anos, nós, com estas pessoas, ganhámos um prémio de qualidade no Turismo.
Este é um projecto de hotelaria sem hoteleiros, como diz. Também foi mais difícil do que imaginaria, mas decidem, poucos anos depois, abrir um segundo!
Abrimos um segundo, que foi a Casa de São Lourenço. Numa primeira análise, não tínhamos muito interesse. Mas, depois, chegámos à conclusão de que seria interessante olharmos para São Lourenço de uma maneira diferente. Por um lado, porque precisávamos um pouco de escala, que era importante para a evolução da própria empresa. E, por outro, tínhamos que proteger um bocadinho o destino, e que não era conveniente termos maus vizinhos. Por isso, decidimos olhar para a Pousada de São Lourenço com outros olhos.
A Pousada de São Lourenço tem uma agenda completamente diferente. Apesar de estar a três ou quatro quilómetros de distância da Casa das Penhas Douradas, São Lourenço já está numa zona de xistos.
Além de que São Lourenço nasceu num contexto diferente, na sequência da Exposição do Mundo Português, nos anos 40. As pousadas nasceram pela mão de António Ferro, que, na altura, decidiu imaginar hotéis que não se parecessem com hotéis. Hotéis pequenos, com arquitectura portuguesa, hospitalidade portuguesa, gastronomia portuguesa. Assim nasceu a Pousada de São Lourenço, a quatro quilómetros das Penhas Douradas, mas com uma história radicalmente diferente. A modernista Maria Keil desenhou todo o mobiliário da pousada, e nós recuperámos todo esse património. Neste momento, São Lourenço é um repositório do design português.
Entretanto, vem um terceiro a caminho.
O terceiro projecto também é nas Penhas Douradas. Foi um projecto a que concorremos e trata-se de uma casa que é um património do Estado. Tem uma localização absolutamente fantástica e gostaríamos de a recuperar.
Pelo meio, nascem os filhos. O João tira Direito, mas o que é facto é que também já está no negócio…
João (filho): Lembro-me perfeitamente dos primórdios da casa das Penhas Douradas. Abriu em 2006, apenas com nove quartos, mais pequena do que é hoje.
Eu, e a minha irmã, Maria da Estrela, crescemos na Serra da Estrela, íamos para lá todos os fins-de-semana.
Três ou quatro anos depois de abrirem, os meus pais perceberam que a Casa das Penhas Douradas tinha uma procura bastante elevada e que os nove quartos não serviriam e não permitiriam ter escala e rentabilidade. Em 2009, fechámos para ampliar para os actuais 17 e foi por essa altura, ainda, que descobrimos a Burel.
Manteigas tinha uma crise de desemprego muito grande, com a penúltima fábrica a falir e, em 2009 já estavam os subsídios de desemprego a terminar. Na altura, organizou-se um workshop, onde estiveram consultores da Deloitte, para perceber como é que conseguíamos dinamizar Manteigas. Saíram várias ideias. Nós ficámos com duas, sendo que uma delas era a Burel. Em 2009-10, abrimos uma pequena sala das linhas na Lanifícios Império, fábrica que, entretanto, acabou por falir. Na sequência desse workshop, descobrimos que o burel podia ser tingido em mais de 100 cores, aquilo que hoje em dia temos. Podia ganhar tridimensionalidade, podíamos fazer pontos, podíamos aplicar em almofadas, em interiores. Ao mesmo tempo, percebemos que as mantas também eram um saber que se estava a perder.
É completamente compacto, é resistente à água, tem capacidades acústicas muito interessantes. Visualmente, é muito parecido ao feltro.
Hoje, é uma das principais áreas de negócio e sei que foi ponto de viragem para a marca terem feito a decoração de interiores da sede da Microsoft em Lisboa.
João Tomás (pai): Foi, realmente, o ponto de viragem.
A Lanifícios Império começou a funcionar mal. Os produtos eram muito interessantes, os trabalhadores eram qualificados, mas a empresa praticamente não tinha actividade comercial e foi definhando. Na altura, arrendámos um espaço, a sala das linhas, ajudámos a empresa, na medida em que recrutámos alguns trabalhadores, e começou a produzir burel para nós.
Abrimos uma pequena loja no Chiado, tinha quatro metros quadrados, era uma loja minúscula. E foi assim que começámos o trabalho.
Mas hoje têm uma grande loja no Chiado, uma grande loja no Porto, exportam para uma mão cheia de países, e a marca continua a crescer. Até onde é que a Burel se pode desenvolver?
Os hotéis têm a limitação dos quartos! A Burel tem uma limitação produtiva. É diferente. A capacidade de crescimento da Burel não tem comparação.
Entretanto, também recuperámos uma fábrica na Covilhã, que prestava serviços de tingimento e acabamentos e que entrou num processo de falência. Seriam danos colaterais muito sensíveis se o processo de falência fosse avante, se a fábrica encerrasse. Decidimos comprar a fábrica, reempregar os trabalhadores e pôr a funcionar. É, neste momento, a última fábrica no tecido urbano histórico da cidade das fábricas, que é a Covilhã.
Os produtos da Burel já são maioritariamente para exportação?
João (filho): Apesar de ter uma grande presença no mercado português, através das lojas, a verdade é que 90% dos nossos clientes são estrangeiros.
O factor preço é impeditivo para os portugueses?
João (filho): A Zara Home lançou uma manta igual à nossa manta espinhada e só custa menos três euros. Nós temos uma história, menor capacidade industrial, e, por isso, acho que podendo não ser um produto barato, tem o preço da nossa história, da nossa recuperação do património.
Recebemos muito o feedback oposto no mercado estrangeiro, de que às vezes o preço mais baixo é percebido como um sinal de pouca qualidade, que não temos. Os teares mais antigos e mais lentos oferecem muito melhor qualidade que os mais recentes, que nós também temos. Os acabamentos são melhores, não há tanto defeito, não há tanto fio partido.
Mas sim, temos esta dicotomia entre Portugal e o mundo e as respectivas capacidades de poder de compra.
Esta é uma indústria feita à mão, o que faz com que o preço do produto seja um preço diferente. Mas, também, é um preço necessário para que a fábrica seja sustentável, para que os salários possam ser pagos, para que toda essa tradição têxtil renasça e continue.
João Tomás (pai): É um preço relativamente barato para um movimento que tem esta dimensão social que consideramos ser muito importante. Fala-se muito em sustentabilidade. Nós, vivemos num parque natural, num geoparque, na Serra da Estrela e tudo isso tem muita importância. Mas o que tem realmente importância para nós é a questão social. É a sustentabilidade social e o apoio às comunidades. Garantir que há um rejuvenescimento dessas comunidades, que o conhecimento passe dos mais velhos para os mais novos, que nasçam crianças em Manteigas.
É previsível que venham a abrir novos pontos de venda, até para reforçarem a notoriedade da marca e contarem melhor esta história? E sentem o peso da responsabilidade que é continuar a recuperar o bem-fazer, a história do País?
Absolutamente. Os nossos projectos são sobretudo projectos de recuperação e de construção de património. Costumamos dizer que não fazemos nada de novo. Chegamos aos locais e percebemos que existem tradições, fábricas, saberes que se estão a degradar e que se estão a perder e nós procuramos trabalhá-los e recuperá-los. Essa é a nossa principal preocupação.
Vivemos num País cheio de coisas valiosas e cheio de coisas raras. E essas coisas raras têm necessariamente muito valor. Passar por elas e ser-se indiferente é uma coisa que nos perturba. Tudo isso é que nos fez trabalhar quer a indústria, quer o turismo.
Não é apenas o património, mas os saberes, as tradições, o conhecimento. E isso são valores que devemos recuperar.
E aventurarem-se noutras regiões?
João Tomás (pai): Estamos muito ligados à endogenia da serra. O burel nasce na Serra da Estrela, nasce com raças autóctones da Serra da Estrela. A nossa preocupação é realmente garantir que tudo isto permaneça, que tudo continue e que haja, por parte também das entidades públicas, esse carinho e esse interesse. E que nós, com muita tristeza, reparamos que nem sempre existe.
Por exemplo, uma das coisas que nos tem preocupado muito e que prejudica toda a fila da lã é a questão dos lavadores. Na Guarda, existia um lavador de lã, que é o único neste momento em Portugal. A empresa faliu e as máquinas foram vendidas. Não houve, por parte das entidades públicas, a mínima preocupação na sua recuperação. Entendemos que a iniciativa privada é uma coisa muito importante, mas há momentos em que o Estado tem de intervir.
Este artigo faz parte da edição de maio (n.º 358) da Marketeer












