Brincar é coisa muito séria. O que os espaços do futuro podem aprender com esta necessidade humana

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05/07/2026
20:02
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Opinião de Mário Barros, centres markets manager para o sudoeste europeu da Ingka Centres

 

Quando Einstein dizia que “brincar de forma combinatória parece ser a característica essencial do pensamento produtivo”, estava, de certa forma, a antecipar uma ideia que hoje ganha nova relevância. Durante demasiado tempo, associámos o brincar exclusivamente à infância. À medida que crescemos, substituímos a curiosidade pela produtividade e o tempo para desfrutar pelo tempo para cumprir. No entanto, há estudos que mostram uma realidade diferente: brincar continua a ser uma necessidade humana fundamental, independentemente da idade.

O recente estudo Life in Communities 2026, conduzido pela IPSOS e pela Future Minds para a Ingka Centres, revela uma tendência que merece atenção de marcas, empresas e gestores de espaços físicos: brincar e viver momentos que nos aproximam dos outros não deve ser exclusivo da infância; são necessidades humanas e devem ser experienciadas em qualquer idade. Num contexto em que o bem-estar, o equilíbrio e a ligação social assumem uma importância crescente, torna-se essencial criar experiências que aproximem pessoas, promovam criatividade e contribuam para uma melhor qualidade de vida.

Hoje em dia vivemos numa sociedade acelerada e digital, onde o lado humano e social tende a ser colocado de parte em função de prazos, urgências e rotinas que nos afastam do que nos diverte, nos faz sonhar e de quem nos é querido. Ainda assim, a procura por informação, o espírito crítico e a vontade de uma vida mais equilibrada fazem-nos parar e refletir. O Life in Communities 2026 confirma isso mesmo: queremos mudança e procuramos experiências que promovam bem-estar, ligação social e momentos de qualidade.

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Não é por acaso que 80% dos participantes acreditam que todos devem ter espaço para brincar nas suas vidas, enquanto 76% consideram que as atividades lúdicas fortalecem as ligações emocionais entre as pessoas. Sete em cada dez inquiridos afirmam que conciliar trabalho e diversão é essencial para o bem-estar, e 69% reconhecem que o brincar tradicional está a ser substituído pelo tempo passado em frente aos ecrãs.

Esta realidade coloca um desafio à sociedade e às marcas: como criar oportunidades para que as pessoas se encontrem, convivam e construam relações significativas?

No caso do retalho, em particular dos centros comerciais, a resposta passa pela forma como desenhamos e pensamos estes espaços. Durante décadas foram vistos como meros locais de consumo, mas hoje, as expectativas são diferentes: as pessoas procuram destinos mistos, onde possam permanecer mais tempo, criar memórias e partilhar experiências.

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O estudo confirma esta mudança. Conceitos como “Nature in the City”, que integram elementos naturais e zonas de desaceleração, despertam o interesse de 67% dos participantes. A procura por áreas verdes, cultura e atividades comunitárias demonstra que o valor de um lugar já não se mede apenas pela oferta comercial, mas pela capacidade de melhoria da qualidade de vida.

Hoje, mais do que destinos de retalho, os centros comerciais estão a evoluir para locais de encontro (Meeting Places), plataformas de ligação, inspiração e participação comunitária, onde é possível aprender, brincar, criar e fortalecer laços sociais.

O futuro dos espaços físicos não passa apenas por vender mais, mas sim por criar valor para as pessoas. Nesse contexto, brincar deixa de ser uma distração para assumir um papel estratégico na construção de comunidades mais conectadas, saudáveis e felizes. Porque, afinal, os lugares que recordamos não são apenas aqueles onde estivemos. São aqueles onde nos sentimos bem.




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