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Brain Entertainment: Vai (sempre) ficar tudo bem

CadernosNotícias
Marketeer
29/04/2026
09:45
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A Brain Entertainment consolidou-se no panorama do entretenimento nacional. Agora, o podcast “Empreendedorismo com Pés e Cabeça” acrescenta uma vertente de partilha de experiências e conhecimento na área do empreendedorismo

A Brain Entertainment é hoje uma das estruturas mais completas e independentes do entretenimento nacional, resultado de décadas de aprendizagem, risco e reinvenção por parte do seu fundador, Miguel Belo. A empresa nasceu formalmente em 2017, quando o crescimento acumulado – desde a gestão de quase 30 artistas exclusivos à expansão da Central de Artistas – tornou evidente que já não bastava trabalhar como empresário em nome individual. Como o próprio explicou numa entrevista à Marketeer, tinha chegado o momento em que percebeu «que estava a cometer um enorme erro contabilístico», porque a dimensão do negócio exigia uma empresa estruturada, capaz de crescer de forma saudável. Esse crescimento foi consistente e a Brain passou a expandir- se entre 10% e 15% ao ano, apoiada numa equipa próxima, num forte controlo interno da cadeia de valor e num princípio pouco comum no sector: operar sem dívidas e sem créditos. Para o fundador, assumir as próprias decisões é uma forma de liberdade e isso tornou-se um dos pilares da empresa.

A história da Brain, contudo, não se inicia na integração de agenciamento, eventos, produção audiovisual e plataformas digitais: começa muito antes, na música. Miguel Belo cresceu em palcos improvisados e bandas familiares, onde aprendeu a observar, errar, ajustar e persistir. Desde cedo se viu obrigado a liderar, a assumir responsabilidades e a desenvolver uma disciplina que hoje reconhece como a base da sua estratégia empresarial. «Saber o que queremos e trabalhar para isso é meio caminho para sermos bons gestores», recorda.

Tendo passado por bandas, produção musical, participação em programas de televisão, digressões independentes e até um papel activo na criação da Comic Con Portugal, Miguel Belo moldou a sua forma de gerir artistas, projectos e equipas. A diversificação foi uma resposta natural aos desafios e, durante a crise de 2008, nasceu a Central de Artistas.

Anos depois, surgiu a CLIVEON, a primeira plataforma portuguesa de streaming cultural com bilhética, desenvolvida em parceria com a BOL. «Os maiores períodos de crescimento surgiram sempre nos maiores desafios» sublinhou.

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Agora, em 2026, a ambição alarga-se à sustentabilidade, com os E-Concerts – Solar Powered Live Entertainment, espectáculos alimentados por energia solar, tendo como missão transformar o entretenimento nacional de forma inovadora e responsável, mas há outros projectos a ganharem vida este ano.

Iniciativa com pés e cabeça

É neste contexto de crescimento que nasce a aposta mais recente da Brain: o podcast “Empreendedorismo com Pés e Cabeça”, um espaço apresentado por Miguel Belo e pensado para recuperar tempo, reflexão e estratégia num país onde se fala muito de empreendedorismo, mas poucas vezes com profundidade.

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Para o fundador da Brain Entertainment, lançar este projecto agora é quase um dever. «Após mais de 25 anos a investir no crescimento da Brain, esta é a altura certa para partilhar com as futuras gerações o espírito e a estratégia de gestão dos maiores empreendedores que operam em Portugal », sublinha. Miguel Belo pretende que o podcast seja, acima de tudo, um legado: um lugar de aprendizagem não só para futuros empresários, mas para todos os que, como ele, mantêm a curiosidade acesa diariamente.

A estreia aconteceu num estúdio criado pela Brain, totalmente novo, que também funciona como vitrine das capacidades técnicas da empresa. «Criámos um novo estúdio que será estreado com este podcast e que servirá de montra a mais este serviço», destaca Miguel Belo. É, igualmente, um reflexo do crescimento exponencial da Brain Filmes, já responsável por programas como o reconhecido “Futebol Arte”, da Sport TV.

A ideia central do projecto é clara: «O nome diz tudo. São conversas informais onde se fala de estratégia, sucessos, falhanços e carreira – no fundo, quero criar um conteúdo inspiracional. » Não se trata de um espaço para autopromoção, pois o foco está nos convidados e na partilha de conhecimento, que Miguel Belo pretende que seja honesta e inspiradora.

Convidados inspiradores

A escolha de Miguel Vieira e Tim Vieira para os primeiros episódios não foi apenas estratégica, mas simbólica. «Depois de gravar apercebi-me que tinha convidado dois amigos com o mesmo nome de família – Vieira –, que carrega simbolismo associado à jornada, transformação e experiência acumulada ao longo da vida. Não acredito em coincidências…»

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Os dois convidados representam percursos distintos, mas complementares, onde o sucesso se constrói através de persistência, experimentação e, sobretudo, acção. No caso de Tim Vieira, a conversa centra-se sobretudo na relação entre aprendizagem prática e percurso académico, bem como na importância da experiência directa no desenvolvimento de competências. O empresário, que alcançou o seu primeiro milhão de facturação aos 23 anos, enaltece o momento em que optou por seguir oportunidades fora do contexto académico, referindo que «ler livros não é a mesma coisa que fazer», mostrando que foi a experiência prática que o levou a investir integralmente na execução.

Ao longo da entrevista, destaca também o papel do network e sobretudo do erro no percurso profissional, afirmando que «a minha vida é feita de falhanços… tenho 100 vezes mais falhanços do que sucessos». Esta perspectiva é complementada pela valorização da persistência, nomeadamente na forma como aborda obstáculos: «Quando as portas estão fechadas, entra-se pela janela. Temos que encontrar soluções.» Esta visão pragmática e resiliente contrasta com a ideia muitas vezes simplificada de empreendedorismo como caminho rápido para o sucesso. Pelo contrário, Tim Vieira reforça a importância da persistência, da adaptação e da capacidade de lidar com a incerteza, nunca desvalorizando o maior propósito de todos: poder mudar a vida das pessoas. «Não fico a pensar se o meu sucesso é sobre quanto é que eu vou fazer, mas sim quanto é que vamos fazer a nível de impacto», sublinha.

Já Miguel Vieira, designer com uma carreira consolidada no panorama internacional, traz outra dimensão ao podcast: a da construção de marca a longo prazo. O seu percurso é marcado por consistência e paciência, como demonstra ao recordar que esperou décadas para atingir um dos seus maiores objectivos: «Estive 20 anos à espera para entrar na Fashion Week de Milão.» E se no início a sua abordagem foi tudo menos estruturada no sentido tradicional, mesmo assim construiu uma marca reconhecida, muitas vezes sustentada por um esforço individual intenso: «Era um one man show… fazia o ciclo todo. Desenhava, ia às fábricas, ia buscar as peças, embrulhava, empacotava. Os clientes não sabiam quem eu era e mandavam cumprimentos ao Sr. Miguel Vieira.»

O desenvolvimento da marca ocorreu de forma gradual, demorou o seu tempo, mas encontrou o seu espaço num mundo que hoje em dia está sobredimensionado com o advento da tecnologia: «A moda de autor tem que ter o ADN da pessoa e esta tem que arregaçar as mangas e fazer.» Habituado a passar por dificuldades, Miguel Vieira pode por vezes não ter os meios dos grandes grupos, mas, no final, isso não invalida o reconhecimento do seu trabalho: «Fico muito feliz quando chego ao final de um desfile e a minha pontuação é superior à da Armani ou Dolce & Gabbana.» Acima de tudo, e daqui a 100 anos, Miguel Vieira quer ser recordado como «alguém que tentou fazer alguma coisa pela moda portuguesa».

Mais do que histórias de sucesso, estas conversas, lideradas por Miguel Belo e com intervenções de alunos da Porto Business School e da Universidade Católica Portuguesa, revelam processos – feitos de tentativa, erro, adaptação e visão.

Um caminho a percorrer 

“Empreendedorismo com Pés e Cabeça” vem acrescentar uma dimensão de conteúdo orientado para conhecimento e partilha de experiências. Sem alterar o núcleo da actividade da empresa, o podcast introduz um novo eixo, alinhado com a evolução dos formatos digitais e com a procura por conteúdos especializados.

Quanto ao futuro do formato, Miguel Belo é realista: o mercado dos podcasts em Portugal ainda tem um caminho a percorrer. «Existe falta de capacidade de alguns produtores criarem conteúdos suficientemente diferenciadores para atrair marcas, e falta conhecimento estratégico para bater às portas certas, na altura certa, com os argumentos certos», explica.

Ainda assim, acredita no potencial do formato para storytelling, com uma condição essencial: autenticidade. «A inserção de uma marca num podcast deve ser orgânica. Publicidade pura e dura cansa rapidamente o público que se pretende fidelizar», reflecte, acrescentando que «sem uma coisa, a outra não resulta. É uma pescadinha de rabo na boca. Por vezes, recusar uma marca que não faz fit com o conceito do conteúdo é a melhor solução para não “queimar” o mesmo».

Nesse sentido, a prioridade não é a monetização. «Felizmente, tenho todos os meios para produzir o podcast», o que lhe garante independência editorial. No futuro, se fizer sentido incluir marcas, estará aberto a avaliar esse cenário – mas sem comprometer o conceito. «Este é mais um passo na globalização das áreas de comunicação externa da Brain, desta vez com um propósito que não é financeiro», conclui.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Empresas 100% Portuguesas”, publicado na edição de Abril (n.º 357) da Marketeer.




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