A dança clássica serve de ponto de partida para uma reflexão visual sobre o tempo, o corpo e a memória na nova exposição de Alejandro Coutinho, que inaugura a 13 de abril no espaço Balletto, em Lisboa.
Intitulada “Os sussurros de Terpsícore”, a mostra propõe uma leitura estética e simbólica do percurso de uma bailarina, acompanhando diferentes fases — da iniciação à transmissão de conhecimento — através de uma série de imagens que procuram fixar o movimento num registo intemporal. Inspirada em Terpsícore, a exposição estará patente até 31 de julho, com entrada livre.
Mais do que um registo documental, o trabalho de Coutinho aproxima-se de uma linguagem pictórica, onde luz, composição e gesto evocam a tradição da pintura clássica. O artista procura captar aquilo que descreve como “o tempo acumulado no corpo” e a tensão entre disciplina e entrega que caracteriza a prática do ballet.
A narrativa expositiva organiza-se em seis momentos — iniciação, disciplina, superação, mestria, apoteose e ensino — estruturando uma reflexão sobre a evolução técnica e emocional ao longo de uma carreira na dança. O projeto resulta de uma colaboração com a Balletto e envolve intérpretes de diferentes gerações.
Entre as participantes destacam-se as jovens estudantes Núria Almeida, Beatriz Garção Claro e Inês Veloso, bem como Inês Ferrer, solista da Companhia Nacional de Bailado, que representa a maturidade artística. A dimensão do legado é assumida por Barbora Hruskova, atual mestra da mesma companhia.
Para Sorana Ploata, fundadora da Balletto, esta iniciativa reflete a missão do espaço: “um ponto de encontro onde a dança é mais do que prática — é cultura, partilha e continuidade”.
A inauguração inclui ainda, pelas 19h00, uma conversa aberta ao público sobre o corpo e o tempo na dança, com a participação das bailarinas convidadas e de Ana Mangericão, promovendo o diálogo entre prática artística e ensino.
Radicado em Lisboa, Alejandro Coutinho tem desenvolvido uma obra centrada na relação entre movimento e imagem, cruzando fotografia e pintura. Formado no CIECA, na Venezuela, o artista conta com exposições anteriores como Belleza Antinatura (2018), Musas (2019) e De Musas y Poemas (2024).
Fundada em 2024, a Balletto tem vindo a afirmar-se como um espaço híbrido entre loja especializada e plataforma cultural dedicada à dança, promovendo iniciativas que aproximam artistas e público.
A exposição inaugura a 13 de abril, às 17h30, na Rua Vítor Hugo, em Lisboa, e estará patente até ao final de julho. A entrada é gratuita.














