Audiovisual português vê facturação e exportações aumentarem

Entre 2013 e 2017, o número de trabalhadores no sector audiovisual em Portugal registou um aumento de 15%, a par do volume de negócios que também saltou 5,2%. As exportações seguiram o mesmo caminho, apresentando uma subida de 15,4%. Por outro lado, o EBTIDA caiu 3,2%.

Os dados são do mais recente estudo da EY, elaborado em parceria com a Associação de Produtores Independentes de Televisão. Segundo o Anuário do Sector da Produção Audiovisual em Portugal, mais de metade do volume de negócios gerado em 2017 resultou da actividade de produtores independentes: destes, cerca de 80% dedica-se maioritariamente à produção de obras transmitidas em televisão.

O mesmo estudo revela que 70% das empresas prevê aumentar o volume de negócios internacional ao longo dos próximos 12 meses e que 20% espera que o aumento do consumo em multiplataforma tenha um impacto positivo na sua actividade. A maioria também considera que a inovação de produto ou formato, a par das parcerias, é crucial na sua estratégia (56%).

Destaque ainda para os 46% que apontam a falta de apoios públicos no sector. Em 2017, os apoios concedidos pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) ascenderam a 3,3 milhões de euros, o equivalente a apenas 3,5% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) gerado pelo sector nesse ano. A ficção e os telefilmes foram os tipos de projectos com maior relevo nos apoios.

Tendências internacionais

No total do sector de produção audiovisual europeu (UE28), Portugal representa apenas 0,8%, sendo que a principal actividade é produção de filmes, vídeos e programas de televisão. A EY explica este resultado com a pequena dimensão do mercado doméstico e a reduzida internacionalização da produção nacional. Contudo, revela ainda a consultora, Portugal é um dos países onde as actividades de produção tem maior peso na cadeia de valor do audiovisual.

Além disso, Portugal é o país europeu onde o número de horas de produção de ficção é mais elevado: as empresas nacionais apostam em obras de ficção de longa duração, tanto por causa da preferência do consumidor como pela maior rentabilização.

A nível internacional, o estudo da EY destaca o aumento do consumo de conteúdos audiovisuais na internet, muito graças às redes sociais, e o cord cutting (redução de subscritores de serviços de televisão por cabo). Já uma realidade nos EUA, poderá estar cada vez mais próximo de Portugal, devido à entrada de novos serviços de vídeo on-demand e da preferência das gerações mais novas por um consumo não linear.

Neste sentido, o consumo cross e off-plataform é também uma tendência. Os espectadores recorrem a um número cada vez maior de dispositivos para ver conteúdos de vídeo, estando também a crescer a procura pela disponibilização offline.

«Com as operadoras de televisão a depararem-se com várias plataformas OTT (over-the-top), a distribuir conteúdos com qualidade a preços baixos, começou a verificar-se uma tendência de concentração vertical de produtores e distribuidores de conteúdos com o intuito de apresentar ofertas mais competitivas», comenta Hermano Rodrigues, da EY, acrescentando que um bom exemplo deste caso foi a tentativa de aquisição da Media Capital por parte da Altice.

A última tendência apontada pela EY diz respeito às novas formas de monetização. Apesar de em Portugal o investimento publicitário ainda estar muito virado para a televisão, o mesmo já não está a acontecer noutros mercados. Por isso, é preciso apostar em novas fontes de receita, desde product placement a conteúdos em redes sociais, passando pelo merchandising.

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