“As universidades têm de deixar de comunicar como instituições pequenas e amadoras”

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Rafael Ascensão
22/09/2026
09:54
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Rafael Ascensão
22/09/2026
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“As universidades têm de deixar de comunicar como instituições pequenas e amadoras”

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Durante anos, comunicar uma universidade pareceu significar mostrar edifícios, professores, laboratórios e alunos, quase sempre acompanhados por uma voz-off institucional e uma sucessão de argumentos sobre excelência. Mas o ensino superior está a entrar numa fase em que já não basta comunicar como instituição, sendo preciso construir marcas, disputar atenção e criar preferência.

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É esta mudança de paradigma que Miguel Bacelar, fundador e CEO da Saint Pirate, agência que tem trabalho a estratégia e comunicação de marcas universitárias, identifica no setor. Quando começou a trabalhar o segmento das universidades, em 2018, encontrou um mercado onde predominavam baixos investimentos em media, pouca diferenciação e uma comunicação muito centrada nas redes sociais, sem uma visão integrada do percurso do consumidor.

Hoje, acredita que o cenário está a mudar e que as universidades com maior ambição podem transformar-se em verdadeiras “love brands”. Para isso, defende mais estratégia, pesquisa quantitativa e qualitativa, maior qualidade criativa e de produção e, sobretudo, uma utilização mais profissional do investimento em media.

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Do ISEG ao Técnico, passando pelo papel do branding e pela necessidade de abandonar os “clichês” da comunicação institucional, Miguel Bacelar explica como as universidades portuguesas podem deixar de comunicar apenas para informar e começar a comunicar para criar relevância, preferência e relação com os seus públicos.

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Até que ponto as universidades estão a passar a comunicar como verdadeiras marcas?

É ainda um processo on-going. O ISEG foi pioneiro em 2018 a apostar num filme publicitário com “cara e produção de anúncio” com apenas 1 minuto e não em fazer mais um vídeo institucional low cost de 4 minutos com um drone que mostra o edifício e traz uma voz off cheia de clichês auto-qualificativos da instituição, o que, infelizmente, é o que esmagadora maioria faz.
O ISEG teve a coragem de investir realmente num filme publicitário curto mas que rompe com as normas do mercado ao colocar os alunos e futuros alunos no centro da narrativa com uma qualidade de produção e uma realização sublimes. Toda a mensagem foi estratégicamente pensada num projeto de Brand Strategy que durou o tempo necessário para ser profundo e sério.
Os resultados apareceram e podem ser comprovados no YouTube: 2,3 milhões de visualizações nessa plataforma, algo absolutamente inédito para uma faculdade Portuguesa. O mérito é ainda maior quando percebemos que o filme institucional da faculdade rival de maior notoriedade nacional atingiu apenas os 130 mil visualizações no YouTube.

O branding tornou-se um fator competitivo no ensino superior?

Sem dúvida, desde que se entenda que um branding ou um rebranding é muito mais que atualizar ou mudar um logotipo. Tem que ser muito mais profundo do que isso e passa por criar uma nova identidade visual que dará início a uma nova forma de comunicar a marca. Novos canais, nova curadoria, nova forma de investir em media, novos olhares sobre outros mercados e categorias.

A Saint Pirate em colaboração com a El Hey trabalhou o rebranding do Técnico e do ISEG (ambos da U-Lisboa) e desde o inicio dissemos a ambas faculdades que mudar o branding sem mudar a filosofia de comunicação iria frustrar as expectativas.

É importante fazer acompanhar a mudança da marca com iniciativas bem pensadas que possam fazer com que a marca ganhe relevância e sofisticação. Nesse sentido, o rebranding do ISEG em 2019, voltou a ser pioneiro. Foi um reboost de auto-estima e orgulho identitário da faculdade. O Campus mudou de “cara” e de “vibe” com todo um decor renovado e estilizado.

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O merchandising foi revisto e até uma parceria com a Sanjo fizemos para dotar de relevância um movimento que se queria marcante. Criámos uma nova assinatura de marca – “Open minds, grab the future” – que norteou uma campanha multimédia de alto engagement e deu vida a uma marca que ser quer vibrante e inspiradora.

As universidades ainda comunicam de forma demasiado institucional? 

Como imagina a comunicação das universidades daqui a cinco ou dez anos?

Imagino muito melhor em diversos eixos:

1 – Pensamento estratégico gerador de posicionamentos realmente verdadeiros, diferenciados e relevantes com a humildade e a inteligência de saber ouvir o “ouro” que temos em mãos – atuais alunos, ex-alunos de sucesso, opinion leaders, head hunters e empresários de referência.
2 – Redes sociais com qualidade e poder para criar engagement e turbinar resultados de notoriedade e preferência. Bom pensamento estratégico, curadoria estética e verbal de conteúdos, publicações com diversidade estratégica para atender aos diferentes pilares da consumer journey. Qualidade de produção e coragem no investimento.
3 – Advertising próprio de marca grande e profissional e não de instituição pequena e amadora. Saber pensar estratégia, saber criar comunicação que fale realmente  a linguagem do target sem cair nos clichês de discursos velhos e auto-centrados na afirmação egocêntrica da supremacia da Universidade. Saber realizar e saber pensar a estratégia de media.
Primeiro, acreditarem que podem ser verdadeiras love brands, quer no alto poder de inspirar mas também no alto potencial de se saber vender com resultados tangíveis e intangíveis.
 
Segundo, cuidar a marca como um asset precioso, investindo em boas agências, em bons estrategas, em pesquisa profunda e depois em apostar em compra de media para dar visibilidade à mensagem.
 
Terceiro, e mais importante, acreditar que não há “atalhos para o sucesso” e que construir uma marca forte exige vontade política, coragem para largar clichês e preconceitos, assim como saber trazer de fora bons profissionais para fazerem a diferença.

Fazerem um trabalho estruturado de primeiro saber quem são, definir um posicionamento proprietário, diferenciado e relevante e comunicar com qualidade na criatividade mas também na curadoria de produção.

De instituições a love brands: como as universidades estão a mudar a forma de comunicar




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