Opinião de Tiago Froufe, CEO das agências Luvin e Public
Agosto chega e, com ele, a mesma dúvida instala-se em muitas equipas de marketing: vale a pena continuar a comunicar? Há quem reduza campanhas, suspenda conteúdos, adie lançamentos e espere por setembro para voltar a comunicar. Afinal, as pessoas estão de férias. Mas estarão realmente desligadas? E, se as marcas podem ir de férias, os influenciadores também podem?
A realidade é que as pessoas descansam, mas não deixam de consumir conteúdo. Mudam apenas o contexto em que o fazem. Entre viagens, praias, festivais e jantares ao ar livre, o telemóvel continua presente e as redes sociais mantêm-se como uma das principais formas de entretenimento, inspiração e descoberta. É precisamente aqui que muitas marcas cometem um erro estratégico. Confundem uma pausa operacional com uma pausa na relação com os seus consumidores.
O verão pode justificar um ritmo diferente de comunicação, mas dificilmente justifica um desaparecimento completo. Pelo contrário, é um período em que existe menos ruído, menos concorrência pela atenção e maior oportunidade para construir notoriedade através de conteúdos mais leves, próximos e relevantes.
Do lado dos influenciadores, o cenário é quase o oposto. As férias são, muitas vezes, o momento em que produzem os conteúdos mais autênticos do ano. Viajam, experimentam novos destinos, restaurantes, hotéis e produtos, partilhando experiências que fazem parte da sua vida real e que, por isso, geram maior identificação junto das suas comunidades.
Não é por acaso que tantas campanhas de turismo, lifestyle, moda ou alimentação acontecem precisamente nesta altura. O verão não é apenas uma época de consumo, é também uma época de influência. As pessoas continuam a descobrir marcas, a procurar recomendações e a tomar decisões de compra, ainda que num contexto diferente do resto do ano.
As equipas têm direito a férias e as marcas podem ajustar o ritmo mas a relação com as pessoas não deve entrar em pausa. Porque a relevância constrói-se na consistência e, quando uma marca desaparece, outra ocupa naturalmente esse espaço na atenção dos consumidores.












