As marcas pessoais entram em campo

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17/06/2026
20:02
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Opinião de Raquel Soares, CEO da Love People | Personal Branding & Image Consulting

 

Nas próximas semanas, milhões de pessoas vão sentar-se em frente à televisão para ver futebol. O que as vai manter ali, jogo após jogo, pouco tem de tática, de esquemas ou de estatísticas de posse de bola. O que prende um país inteiro a um ecrã são pessoas, percursos, histórias e reputações construídas ao longo de décadas, agora expostas no maior palco do mundo.

Basta olhar para as bancadas. Entre milhares de camisolas iguais, quase todas carregam um nome diferente nas costas. Cada adepto fez uma escolha e essa escolha raramente foi técnica. Escolheu a pessoa com quem se identifica, o percurso que admira, a história que de alguma forma também conta a sua. A camisola é coletiva, o nome é uma decisão íntima.

Nesse gesto está condensado um dos fenómenos mais relevantes do nosso tempo, a ligação entre públicos e indivíduos tornou-se mais forte do que a ligação entre públicos e instituições. Vale a pena, por isso, olhar para este Mundial com outros olhos. Mais do que uma competição desportiva, é uma demonstração à escala global daquilo que a gestão de marca pessoal observa todos os dias, a forma como cada pessoa constrói influência, como essa influência se liga a um coletivo e como os dois se reforçam, ou se fragilizam, mutuamente.

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  1. O coletivo dá o palco, a pessoa dá a ligação

Uma seleção nacional funciona em duas camadas. A primeira é a marca coletiva, o símbolo, a camisola, a história comum que pertence a todos. A segunda camada é feita de marcas pessoais de cada jogador, e também quem lidera a equipa, transporta para dentro do grupo uma reputação própria e uma relação direta com o público. O fenómeno que enche estádios e bate recordes de audiência nasce do cruzamento das duas.

Os números confirmam o que as bancadas mostram, 92% das pessoas confiam mais em indivíduos do que em marcas ou instituições. Confia-se em rostos que se reconhecem, em trajetórias que se acompanharam, em consistência que se testemunhou ao longo de anos. O coletivo empresta o palco e a credibilidade, a pessoa empresta o rosto e a emoção. Qualquer organização, desportiva ou empresarial, vive exatamente desta troca. Uma empresa forte dá contexto às pessoas que a representam e essas pessoas devolvem-lhe aquilo que nenhum logótipo consegue produzir sozinho a ligação humana.

  1. O resultado começa muito antes do apito inicial

Olhar para um jogo de noventa minutos como um acontecimento isolado é um erro de perspetiva. Cada jogador que pisa o relvado de um Mundial chega ali depois de décadas de treino longe das câmaras, de escolhas feitas sem testemunhas, de lesões superadas em silêncio. O desempenho visível é a parte final de um processo invisível e com as marcas pessoais passa-se precisamente o mesmo.

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A influência de qualquer profissional constrói-se sobre três elementos que se alimentam uns aos outros: visibilidade, que garante um lugar claro na perceção dos outros; consistência, que repete o mesmo padrão de valores e de entrega em contextos diferentes; e tempo, porque a reputação se faz de provas repetidas e cada prova precisa do seu momento. Quando os três se cruzam ao longo de uma carreira, a confiança acumulada ganha vida própria e deixa de depender do resultado de um dia.

Quando essa confiança sobrevive à própria carreira, passa a ser legado. Um capitão que chega ao sexto Mundial aos 41 anos, seguido por centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, vale como demonstração viva deste mecanismo, a sua presença em campo mobiliza audiências que pouco se interessam por futebol durante o resto do ano.

  1. A reputação de quem lidera

Dentro deste ecossistema de marcas, a de quem lidera tem um peso particular. Os estudos de mercado indicam que 44% do valor de uma empresa é atribuído à reputação do seu líder e numa equipa desportiva o mecanismo repete-se. A forma como um selecionador comunica, as escolhas que assume publicamente e os gestos que têm perante o grupo moldam a perceção que o país constrói de toda a equipa, muito antes de qualquer bola rolar.

Os gestos pesam mais do que os discursos. Uma decisão que nenhum regulamento exige, tomada por quem lidera, comunica os valores do coletivo com uma força que nenhuma conferência de imprensa alcança. O público lê essas decisões com precisão instintiva e é nelas, mais do que nos resultados, que se decide a relação de confiança entre uma equipa e quem a apoia.

O campeonato de cada um

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Durante um mês, o mundo vai assistir a marcas pessoais em ação ao mais alto nível. A boa notícia para quem observa do sofá, é que o mecanismo que constrói a influência de um jogador de classe mundial é o mesmo que constrói a reputação de qualquer profissional apenas muda a escala do palco.

Três perguntas ajudam a trazer este Mundial para a vida de cada um:

Que padrão de comportamento se repete nos dias em que ninguém aplaude?

Quem se liga a si pelo que representa, para além daquilo que sabe fazer?

O que está a construir hoje que sobreviverá ao resultado de amanhã?

A gestão de marca pessoal é uma decisão tomada todos os dias, sobretudo nos dias em que ninguém está a ver.






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