AMI: 30 anos de uma aventura inacabada

A ONG inaugura a exposição “Futurospetiva” no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, para revisitar o passado e dar conta dos desafios futuros.

Ao longo de 30 anos de actividade, a AMI – Assistência Médica Internacional interveio num total de 77 países espalhados pelos cinco continentes. Prestou assistência às populações afectadas por algumas das maiores catástrofes mundiais da história recente, tais como o tsunami no Sri Lanka, em 2004, ou o terramoto no Haiti, em 2010. Um trabalho que surge agora documentado na exposição “Futurospetiva”, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, com o objectivo de comemorar o 30.º aniversário da organização. «Queremos que as pessoas tomem conhecimento de alguma da dimensão que temos. Somos talvez mais reconhecidos e respeitados internacionalmente do que no plano nacional», afirmou hoje à Marketeer Fernando Nobre, presidente da AMI, à margem da inauguração da exposição.

Contudo, mais do que revisitar o passado, a instalação “Futurospetiva”, que é de entrada livre e estará patente no Pavilhão do Conhecimento até ao próximo dia 25 de Fevereiro, pretende reflectir sobre os desafios futuros da AMI e a forma como a instituição pretende responder aos mesmos. E serão quatro as principais áreas de intervenção: alterações climáticas, pobreza, migrações e participação da sociedade civil. «Embora continuemos tudo o que temos vindo a fazer de há 30 anos a esta parte, estes serão os quatro temas centrais que nos vão ocupar daqui para a frente», explica Fernando Nobre.

Concebida pela Young&Rubicam, em parceria com a Tonic, a instalação “Futurospetiva” está dividida em quatro salas, dedicadas a cada uma das temáticas, e inclui projecções multimédia que pretendem não só tornar a visita mais interactiva, como ajudar a compreender a escala dos números e da dimensão das acções humanitárias e sociais apresentadas. A AMI espera que a exposição seja visitada por mil pessoas, em média, por dia.

A cerimónia de inauguração da exposição contou com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que demonstrou o seu «profundo reconhecimento e admiração pelo papel que a AMI desempenhou ao longo destes 30 anos». O chefe do Governo enalteceu ainda as raízes portuguesas desta organização, sublinhando que «muitas pessoas julgam que o papel humanitário se espalha por todo o mundo como uma vocação global e que não tem uma fundação em Portugal. Mas este trabalho está ancorado em Portugal.»

No mesmo tom, Fernando Nobre frisa que «o nosso parecer e know-how em matérias de ajuda humanitária são reconhecidas em instâncias globais, como é o caso da NATO. Acredito que os portugueses, tirando as cerca de 20 grandes missões de emergência que tiveram impacto ao longo destes trinta anos, não têm efectivamente a verdadeira visão da dimensão [da AMI]». Segundo o responsável, não obstante alguma divulgação que a organização faz da sua actividade, isto deve-se também «a um sentimento púdico que nos retém de nos projectarmos em demasia. Queremos que as pessoas nos conheçam pelo trabalho que fazemos, mas sem os massacrar».

Recorde-se que a AMI, que conta com 229 colaboradores e cerca de 3000 voluntários, criou já 15 equipamentos sociais em Portugal (no Continente e nas regiões autónomas). No ano passado, a instituição teve um orçamento de cerca de 8,5 milhões de euros, dos quais cerca de 57% foram canalizados para a área nacional.

Veja o vídeo de comemoração dos 30 anos da AMI, cuja produção ficou a cargo da Help Images:

Texto de Daniel Almeida

Foto de José Vicente

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