Promover a literacia em seguros exige um esforço colectivo que envolve o sector, os media, o sistema educativo e as próprias pessoas e empresas.
Texto: José Francisco Neves, CMO Allianz Portugal
O início de 2026 não foi apenas mais um episódio de mau tempo. Foi um sinal claro, e difícil de ignorar, de que estamos a viver uma nova realidade. As tempestades que marcaram os primeiros meses do ano não só causaram perdas significativas, como expuseram uma fragilidade estrutural que continua por resolver. Para além das perdas humanas e materiais, que nenhum seguro consegue verdadeiramente reparar, ficou evidente uma realidade que há muito preocupa o sector: grande parte dos prejuízos não estava protegida. Ou se estava, o capital seguro não era o correcto.
E esta não é uma questão técnica. É uma questão de escolha, ou, mais precisamente, da falta dela. Num país cada vez mais exposto a riscos climáticos, continuamos a assistir a um nível de protecção surpreendentemente baixo. Não por falta de oferta, nem por ausência de soluções. Mas, em grande medida, por falta de conhecimento. E enquanto essa lacuna persistir, continuaremos a reagir ao risco em vez de o antecipar.
É aqui que entra um tema que raramente ganha o destaque que merece: a literacia em seguros.
Falamos muitas vezes de literacia financeira, digital ou ambiental, e bem. Mas continuamos a ignorar um dos pilares mais básicos da estabilidade individual e colectiva, o compreender o que está, ou não, protegido na nossa vida. E isso tem consequências muito reais.
Hoje, em Portugal, apenas cerca de metade das habitações tem seguro multirriscos. E mesmo nesses casos, muitas apólices deixam de fora coberturas essenciais, como tempestades, inundações ou fenómenos sísmicos. Ou seja, temos casas “seguras” que, na prática, não estão protegidas contra riscos que começam a ser mais prováveis. A isto soma-se o problema do infra-seguro, com capitais desactualizados, muitas vezes definidos há anos, que já não reflectem o custo real de reconstrução. Quando o inesperado acontece, a surpresa não é apenas o sinistro: é perceber que a protecção existente não chega.
No tecido empresarial, o cenário não é mais animador.
Pequenas e médias empresas continuam particularmente expostas, muitas vezes sem cobertura para interrupção de actividade, danos em equipamentos ou perdas de stock. E num contexto económico já exigente, basta um evento inesperado para comprometer anos de trabalho.
Perante este cenário, há uma pergunta que importa fazer e responder com honestidade: estamos a fazer o suficiente enquanto sociedade para preparar pessoas e empresas para o risco? A resposta, infelizmente, é não.
Durante demasiado tempo, o sector segurador foi visto, e, em parte, posicionou-se, como reactivo. Alguém que aparece depois do problema, para resolver o que já aconteceu. Mas essa lógica já não é suficiente. Num mundo mais volátil, mais incerto e mais exposto, proteger tem de começar antes. Tem de começar na informação.
Proteger é ajudar a antecipar. É explicar, de forma clara e acessível, o que está em causa. É descomplicar conceitos, tornar as escolhas mais transparentes e dar às pessoas ferramentas para decidirem melhor. E isso exige uma mudança de postura, isto é, menos linguagem técnica, mais proximidade; menos produto, mais contexto; menos reacção, mais prevenção.
Mas esta mudança não acontece de forma espontânea. Exige intenção, consistência e uma abordagem estruturada. Porque promover literacia não é apenas informar, é acompanhar. É precisamente nesse ponto que acreditamos que o papel das seguradoras deve evoluir. Não basta sensibilizar para o risco. É necessário ajudar a transformar essa consciência em acção e, depois disso, garantir uma relação contínua baseada em confiança.
Da nossa parte, temos vindo a estruturar a nossa comunicação em torno de três momentos fundamentais da relação com o consumidor: sensibilizar, converter e fidelizar. Sensibilizar, trazendo o tema para a agenda, explicando riscos reais e aproximando o tema das pessoas. Converter, ajudando a transformar conhecimento em decisão, com soluções claras, transparentes e ajustadas à realidade de cada cliente. E fidelizar, acompanhando ao longo do tempo, garantindo que a protecção evolui à medida que a vida muda.
É também neste contexto que surge a continuidade da nossa Campanha Liberdade para Viver, desta vez com foco no Seguro Casa | Multirriscos Habitação. Mas importa dizer isto de forma clara, não se trata apenas de comunicar um produto. Trata-se de responder a um problema real com informação que ajude as pessoas a perceber o que está verdadeiramente em risco.
Queremos falar de tempestades, de inundações, de fenómenos extremos, mas sem alarmismo. Queremos explicar coberturas, exclusões, capitais, mas sem complicar. E, acima de tudo, queremos ajudar cada pessoa a fazer uma pergunta simples, mas essencial: “Se algo acontecer, estou mesmo protegido?”
Esta abordagem integra uma estratégia mais ampla, que acompanha o consumidor ao longo de todo o seu percurso, desde a tomada de consciência até à construção de uma relação de confiança contínua. Porque a literacia não se resolve numa campanha. Constrói-se com consistência, com presença e com relevância. Mas também com tempo.
Há um ponto que não podemos ignorar: esta responsabilidade não é apenas das seguradoras.
Promover a literacia em seguros exige um esforço colectivo que envolve o sector, os media, o sistema educativo e as próprias pessoas e empresas. Exige trazer o tema para a esfera pública, torná-lo mais próximo, mais compreensível e mais presente no dia-a-dia das pessoas. Porque enquanto continuarmos a falar de seguros apenas quando algo corre mal, estaremos sempre atrasados.
As tempestades de 2026 vieram lembrar-nos disso da forma mais dura. Mas também nos deram uma nova oportunidade. A de mudar a forma como encaramos o risco e a protecção.
Promover a literacia em seguros não é apenas uma prioridade estratégica. É uma urgência nacional. E num contexto em que a incerteza deixou de ser excepção para passar a regra, há uma certeza que se mantém: prevenir continua a ser a forma mais inteligente e mais responsável de proteger.
No final do dia, tudo isto converge numa ideia simples e sobre a qual nos guiamos na Allianz: estar lá quando mais importa. Para os nossos clientes, para as suas famílias, para os seus negócios. Porque por detrás de cada apólice há uma vida, um projecto, uma casa, anos de esforço que merecem ser protegidos com seriedade e responsabilidade. Promover a literacia em seguros é, para nós, uma forma concreta de colocar as pessoas no centro, ajudando-as a fazer escolhas mais informadas, mais conscientes e mais ajustadas à sua realidade. É assim que encaramos o nosso papel e compromisso. Porque quando há conhecimento, há confiança. E quando há confiança, existe liberdade para viver. Allianz. Liberdade para viver.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Seguros”, publicado na edição de Maio (n.º 358) da Marketeer.












