Alimentação: ter escolha para ter a possibilidade de escolher…

Por Pedro Pimentel, director-geral da Centromarca

A evolução das políticas de alimentação e nutrição tem reflectido um conjunto de modificações socioeconómicas, ambientais e no estado geral de saúde das populações. A indústria e as marcas acreditam numa visão holística da nutrição, assente na decisão consciente e informada do consumidor e em regimes alimentares equilibrados, diversificados e sustentáveis.

A indústria e as marcas consideram ter um papel fulcral na promoção de uma melhor nutrição através da formulação de produtos que melhorem o estado nutricional da população, do incentivo à disponibilidade física de alimentos indispensáveis a um padrão alimentar saudável e da criação das condições para que a população os valorize, aprecie e consuma e foi isso mesmo que a Centromarca veio reafirmar no quadro mais amplo d'”O Valor da Nutrição”, o mote do Congresso organizado pela Associação Portuguesa de Nutrição.

A indústria e as marcas investem – de forma individual e voluntária ou no quadro de iniciativas horizontais de autorregulação – na melhoria constante dos seus produtos, pela via do desenvolvimento de novos perfis nutricionais, de novas tecnologias aplicadas ao processo produtivo, ao acondicionamento e à logística e de uma comunicação fluente e criativa, construída com base em evidências e que apela à mudança de hábitos de consumo.

Não abdicamos, por isso, da nossa obrigação de desenvolvimento de estratégias de promoção de produtos e de informação ao consumidor adequadas e verdadeiras, que contribuam inequivocamente para o aumento dos níveis de confiança do consumidor.

E neste mesmo sentido apoiamos e continuaremos a apoiar e a comunicar iniciativas que promovam estilos de vida activos e saudáveis porque a responsabilidade nutricional é assumida como uma prioridade no âmbito das políticas de responsabilidade corporativa da indústria, promovendo o aumento da consciência pública e mobilizando toda a cadeia de valor.

Defendemos, assim, que o estado de saúde das populações é essencial para o desenvolvimento económico e social do país, através de promoção de uma política de saúde para todos, redução de desigualdades e o incentivo à participação e liderança dos governos em torno destas temáticas.

Essa liderança deve legitimar as autoridades responsáveis na estruturação da sua intervenção: preparando estratégias, emitindo orientações, definindo políticas. Contudo, diferentes vias – a Via Educativa, a Via dos Compromissos com a Indústria, a Via Fiscal e a Via Coerciva – correspondem a diferentes opções e tendem a obter diferentes resultados.

A indústria tem estabelecido no seu seio acordos de autorregulação robustos, devidamente implementados, amplos, respeitados, escrutinados e sistematicamente auditados. Tem também negociado e de forma cuidadosa, como ainda muito recentemente ocorreu, compromissos entre si e com o Estado, que passam pelo estabelecimento de metas de reformulação nutricional de várias categorias de produtos alimentares, a que outras se seguirão.

Pela total disponibilidade e boa-fé com que se envolvem nestes processos, a indústria e as marcas só podem ficar inquietas e desagradadas com as notícias (e os constantes rumores) relativas à utilização da via fiscal para penalizar os seus produtos ou da via coerciva para limitar a sua possibilidade de comunicação comercial. O engordar dos cofres do estado não educa o consumidor e as restrições à publicidade e à sponsorização têm uma matriz mais ideológica do que efectiva, inibindo até a utilização da comunicação comercial como um meio de passagem de mensagens de cariz informativo e pedagógico.

Em conclusão, a indústria e as marcas não se demitirão do seu contributo para a promoção de uma melhor nutrição, apoiada em regimes alimentares equilibrados, diversificados e sustentáveis e continuam a confiar na capacidade de escolha do consumidor. Mas acreditam também que essa capacidade de escolha depende da educação para a escolha, da informação para a escolha… e de ter escolha.

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