Por: Joana Nogueira, Nutricionista & Regional nutrition Support Holmes Place
A Whole Food Plant Based (WFPB) é uma alimentação caraterizada pela predominância do consumo de alimentos de origem vegetal e pela redução dos produtos de origem animal e que tem sido associada a melhorias nos principais fatores de risco cardiovascular. A evidência científica tem sido cada vez mais crescente e tem sugerido que este padrão alimentar reduz consideravelmente os níveis de colesterol LDL no sangue, a pressão arterial, glicemia e a inflamação sistémica, para além de contribuir para a menor incidência e mortalidade por doenças cardiovasculares.
As doenças cardiovasculares representam a principal causa de mortalidade a nível mundial. Sabe-se que modificações impactantes no estilo de vida, nomeadamente na alimentação, têm um papel essencial na prevenção primária e secundária destas doenças. Dietas ricas em hortofrutícolas, leguminosas, cereais integrais e frutos oleaginosos, a base da WFPB, têm emergido como intervenções eficazes na redução do risco cardiovascular.
Os benefícios mais estudados da WFPB são:
– Redulção do colesterol LDL e melhoria do perfil lipídico: uma alimentação vegetal é rica em fibras solúveis, que aumentam a excreção de ácidos biliares e reduzem a absorção de coleseterol.
– Redução da pressão arterial: O consumo de hortofrutícolas e leguminosas ao serem ricos em potássio, magnésio e antioxidantes, contribui para a diminuição da pressão arterial sistólica e diastólica.
– Controlo da glicemia e resistência à insulina: A maior ingestão de fibras e alimentos com um baixo índice glicémico melhora a sensibilidade à insulina, reduzindo o risco da Diabetes tipo II que é um fator de risco importante para as doenças cardiovasculares.
– Redução do risco de episódios cardiovasculares: Alguns estudos científicos demonstaram que dietas baseadas em alimentos vegetais “saudáveis”, isto é, de agricultura local controlada, reduzem o risco de doença coronária até 25%.
– Redução da inflamação e melhoria da função endotelial: Compostos bioativos como fitoquímicos, antioxidantes, polifenóis reduzem marcadores inflamatórios e melhoram a função endotelial, prevenindo contra a aterosclerose.
– Manutenção peso corporal saudável: O consumo de alimentos vegetais em prol de alimentos de origem animal leva a um menor índice de massa corporal, menor circunferência da cintura e menos excesso de peso/obesidade.
Contudo, é necessário garantir que o consumo de alimentos ultraprocessados vegetais (às vezes consumidos de forma excessiva neste tipo de alimentação) como açúcares refinados, farinhas brancas, óleos hidrogenados, não apresentam os mesmos efeitos benéficos para a saúde cardiovascular. É igualmente necessário controlar os possóveis défices nutricionais neste tipo de alimentação (nomeadamente de vitamina B12, ferro, zinco, ómega 3).
Em forma de conclusão, podemos afirmar que a WFPB quando equilibrada, bem orientada e baseada em alimentos integrais, naturais e minimamente processados, associa-se a benefícios siginficativos para a saúde cardiovascular, incluindo a redução de episódios como acidentes vasculares cerebrais e enfartes do miocárdio, entre outros. A promoção deste tipo de alimentação contitui uma estratégia eficaz de saúde pública.
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