Ao fim de 11 edições, o Algarve Trade Experience consolidou-se como “uma marca e uma iniciativa estratégica de referência no setor das bebidas em Portugal”. A convicção é de Rita Soares, CEO da Garrafeira Soares — promotora do evento que regressa nos dias 9 e 10 de março –, que sublinha o papel do evento enquanto espaço de influência e antecipação de tendências.
“Mais do que um evento profissional, é um espaço de influência, antecipação de tendências e reflexão sobre o futuro das marcas”, afirma a gestora à Marketeer, destacando que os objetivos passam por educar e capacitar profissionais, apresentar novidades e estimular um debate estruturado sobre temas que impactam diretamente a construção de valor — da sustentabilidade às mudanças no comportamento do consumidor.
Posicionando-se como um dos mais relevantes encontros profissionais do setor das bebidas em Portugal, o evento decorre no Palácio de Congressos do Algarve, reunindo mais de três mil profissionais e cerca de 500 marcas nacionais e internacionais.
Mas para Rita Soares, o que distingue o Algarve Trade Experience de outras feiras do setor é o seu posicionamento conceptual, uma vez que, tratando-se de um evento itinerante realizado em espaços com identidade cultural própria, cada edição é construída em torno de um tema central que orienta toda a programação.
“Não é apenas uma montra de portefólios, é um desafio criativo lançado às marcas para apresentarem inovação, visão e capacidade de adaptação”, defende a também CEO da Herdade da Malhadinha Nova.
Depois de ter colocado a sustentabilidade e o desporto no centro do debate em edições anteriores, a organização escolheu, este ano, as grandes mudanças nos hábitos de consumo como eixo estruturante.
Um consumo mais consciente e contextual
Segundo Rita Soares, ao longo das diferentes edições tem sido visível uma transformação progressiva no mercado, tendo passado a haver “mais consciência, mais moderação e maior valorização da experiência”.
A responsável considera inclusive que a forma como socializamos mudou e que essa alteração tem um impacto profundo no consumo. “Os momentos deslocaram-se, diversificaram-se e tornaram-se mais conscientes. O consumo está cada vez mais ligado ao contexto, à identidade e ao estilo de vida”, sublinha.
Esta mudança é também geracional e acelerada, tendo em conta que as novas gerações “valorizam moderação, autenticidade e experiências diferenciadoras”, afirma a responsável, defendendo que marcas e operadores precisam de agilidade estratégica para responder às novas expectativas.
Entre as tendências mais estruturantes no mercado das bebidas em Portugal, a CEO destaca a produção sustentável, a redução do teor alcoólico, o crescimento do segmento no/low alcohol, as bebidas funcionais, os ready-to-drink, os cafés de especialidade e a mixologia.

“O consumidor procura alternativas criativas, alinhadas com saúde e bem-estar, sem abdicar da experiência”, refere a responsável, que considera que o crescimento das bebidas sem ou com pouco álcool é “claramente estrutural”, uma vez que além do surgimento de novas marcas especializadas, também grandes produtores “já integraram esta tendência nos seus portfólios”, como a Sogrape ou a Niepoort.
O papel da Garrafeira Soares e da Malhadinha Nova
No plano empresarial, Rita Soares garante que a Garrafeira Soares acompanha esta evolução, reforçando o portefólio de bebidas sem álcool e novas categorias, ao mesmo tempo que promove debate e conhecimento no setor.
Já a Herdade da Malhadinha Nova mantém um posicionamento consistente, focado na produção sustentável e na excelência qualitativa. “Desde a primeira colheita que privilegiamos qualidade em detrimento de quantidade”, sublinha, recordando que a recente conquista da certificação B Corp reforça um percurso que sempre colocou a responsabilidade no centro da estratégia.
“Existe sem dúvida neste momento uma valorização por marcas com estas preocupações, que a Malhadinha sempre teve e por isso está mais preparada”, diz.
Para a gestora, a diferença entre uma marca que cresce e outra que apenas sobrevive reside na capacidade de “inovar com propósito, adaptar-se rapidamente e manter consistência na qualidade e no posicionamento”, sendo que inovar, no setor das bebidas, pode significar atuar tanto ao nível do produto, da embalagem, do canal ou da experiência, mas deve sempre “responder a um consumidor que valoriza saúde, longevidade e novas formas de socialização”.
O storytelling e a autenticidade, acrescenta, “sempre foram determinantes”, mas ganharam nova relevância num contexto de transparência inevitável. “A coerência entre discurso e prática é fundamental para a longevidade e reconhecimento das marcas”, acrescenta.
Rita Soares considera ainda que a comunicação no setor se tornou mais imediata e democrática, o que exige maior clareza, verdade e responsabilidade. “A reputação constrói-se todos os dias”, afirma.
E num contexto de consumo mais consciente, as marcas devem assim comunicar através de práticas reais e comprovadas, aconselha. “O novo consumidor valoriza ações concretas e impacto positivo. Mais do que discurso, procura evidência”, conclui.














