As crianças portuguesas que pertencem à Geração Alpha (ou seja, nascidas após 2010) demonstram uma forte relação com as tecnologias desde cedo, mas apresentam diferentes comportamentos e motivações no que diz respeito ao consumo de media, tecnologia, conteúdos e até marcas. As conclusões são de um estudo da IPG Mediabrands.
De acordo com o estudo “Alphaverso – Descodificando a geração do futuro”, a televisão e o smartphone são os equipamentos mais utilizados pelas crianças portuguesas no seu dia-a-dia. “No caso dos smartphones, o uso dos equipamentos de familiares intensifica-se a partir dos oito anos, mas a idade média de acesso autónomo ou com equipamento próprio situa-se nos 10 anos”, sublinha a IPG Mediabrands.
Tendo acesso a uma grande diversidade de equipamentos, as crianças apresentam um consumo de meios abrangente e regular, com destaque para o alcance dos meios digitais e da televisão (incluindo os canais convencionais e as plataformas de streaming). 92% utiliza a Internet, 88% assiste a televisão, 83% faz videochamadas e 80% assiste a vídeos online.
Quanto às plataformas digitais, são o YouTube, o TikTok e o WhatsApp que lideram as preferências desta geração (entre seis e 14 anos). Além disso, quase metade (49%) das crianças tem autonomia para escolher o que quer assistir no YouTube, e 83% usa as redes sociais de forma independente. “No entanto, a utilização de jogos electrónicos revela maior controlo parental, com apenas 14% das crianças a jogarem livremente, sem acompanhamento dos adultos”, ressalva a empresa.
Apesar de tudo, a televisão continua a liderar o ranking das actividades mais referidas pelos pais e mães como parte do dia-a-dia dos seus filhos. A Internet e os jogos electrónicos ganham maior destaque aos fins-de-semana, enquanto a televisão mantém uma presença mais constante na vida das crianças, sendo vista pela maioria (84%), tanto durante a semana como no fim-de-semana.
Quatro perfis de consumidores
O estudo “Alphaverso – Descodificando a geração do futuro” revela ainda que as crianças portuguesas desta faixa etária apresentam comportamentos e motivações com diferenças muito significativas. De resto, a IPG Mediabrands define quatro perfis muito distintos de consumidores:
• Thrill Seekers: Gostam de desafios e superação, procurando emoções na relação com as tecnologias e conteúdos, com destaque para videojogos e vídeos/séries/filmes;
• Theme Enthusiasts: Focam os seus interesses em temas ou paixões específicas, e usam a tecnologia para explorar esses temas e associar-se a comunidades online relacionadas;
• Creative: Motivados pela expressão criativa, procuram tutoriais e conteúdos que estimulam sua criatividade e, por vezes, já produzem os seus próprios conteúdos;
• Socializers: Utilizam a tecnologia para manter contacto com a sua comunidade, tanto online como offline. Procuram no digital um espaço para fortalecer laços e encontrar os seus pares.
Segundo a IPG Mediabrands, o estudo agora divulgado contribui assim para desconstruir “generalizações e ideias preconcebidas que assumem que as crianças só se interessam por tecnologias, só querem olhar para ecrãs, vivem em função do smartphone, só convivem online e já não se interessam por outras actividades”.
Fontes de informação
A relação das crianças portuguesas com a televisão e a Internet reflete-se ainda nas fontes de informação que valorizam e que influenciam as suas decisões e pedidos aos adultos. Os pais e mães inquiridos indicam que a partilha com amigos e colegas é a principal fonte de inspiração para as crianças, seguida pela comunicação online e pela televisão.
A comunicação na TV é mais mencionada por pais e mães de crianças mais novas, enquanto a comunicação online é mais referida pelos progenitores de crianças mais velhas. Os anúncios aos quais as crianças estão expostas, tanto online como na televisão, também se destacam como fontes de inspiração.
Os pais inquiridos demonstram ainda uma consciência crescente sobre o papel da tecnologia na vida das crianças, bem como uma preocupação acrescida. “Face às crescentes preocupações com a segurança, dependência e exposição a conteúdos no mundo digital, apesar de conviverem diferentes estilos de parentalidade (controladores vs permissivos), a grande maioria dos pais entrevistados assume que utiliza soluções para monitorar e controlar acesso das crianças à tecnologia e, em menor grau, para rastrear a localização das crianças”.
O estudo “Alphaverso – descodificando a geração do futuro” foi realizado em 2024 pela Mediabrands com o apoio do Google e com recolha de dados pela IPSOS Apeme. O inquérito analisou o consumo de media e a relação com as tecnologias por parte das crianças portuguesas entre os 6 e os 14 anos residentes em Portugal continental. Foram considerados na análise as seguintes áreas: rotinas e interesses, relação com equipamentos e meios, relação com conteúdos e marcas.












