“A visibilidade local tem de acompanhar a ambição”: Factorial reforça comunicação em Portugal

NegóciosLinkedin
Rafael Ascensão
09/09/2026
19:03
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“A visibilidade local tem de acompanhar a ambição”: Factorial reforça comunicação em Portugal

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A Factorial quer mudar a forma como é percecionada no mercado português. A empresa tecnológica, que nasceu associada ao software de recursos humanos, está a posicionar-se agora como uma plataforma de operações de trabalho potenciada por inteligência artificial, uma mudança que pretende acelerar em Portugal, identificado como um dos mercados prioritários de crescimento após a recente ronda de investimento de 150 milhões de dólares.

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É neste cenário que a Factorial volta a trabalhar com a Team Lewis, agência que já tinha integrado a sua carteira de clientes no passado. O regresso acontece, segundo Inês Barbosa, diretora da Team Lewis em Portugal, num momento particularmente relevante da evolução da empresa, depois de esta se ter tornado num unicórnio e de ter anunciado a nova ronda de financiamento, que avaliou a Factorial em 2,5 mil milhões de dólares.

“É uma fantástica oportunidade de acompanhar uma empresa tecnológica europeia em forte crescimento numa fase em que comunicação, reputação e diferenciação têm um papel muito relevante na construção da próxima etapa da marca”, explica Inês Barbosa à Marketeer.

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A escolha da Team Lewis resulta de um processo competitivo iniciado no final de 2025, segundo Shane Lennon, director of global communications da Factorial, quando a empresa procurava reforçar a comunicação local, numa altura em que Portugal passou a integrar, juntamente com Alemanha, França e Itália, o grupo de mercados prioritários para a expansão da Factorial.

Shane Lennon, director of global communications da Factorial

“Quando se obtém financiamento a esta escala e se inclui um país no mapa de expansão, a visibilidade local tem de acompanhar essa ambição”, afirma Shane Lennon. A agência deverá assegurar sobretudo assessoria de imprensa, mas o trabalho incluirá também consultoria de comunicação, marketing de influência, paid media e ativações de marca.

Mais do que aumentar a exposição mediática, o objetivo passa por construir uma narrativa local capaz de acompanhar o reposicionamento global da empresa. “Os nossos objetivos são claros: reforçar a autoridade da Factorial no nosso setor em Portugal, apoiar a nossa estratégia de go-to-market através de narrativas locais credíveis, e garantir que os decisores portugueses ouvem falar de nós, e não apenas dos nossos concorrentes”, detalha o responsável da Factorial.

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De software de RH a plataforma de operações de trabalho

É precisamente a mudança de posicionamento que surge como um dos principais desafios de comunicação da Factorial, com a empresa a reconhecer que ainda existe, em Portugal, uma associação forte à sua oferta tradicional, nomeadamente a ferramentas como processamento salarial, gestão de férias ou assiduidade.

“O nosso maior desafio passa por explicar uma mudança, e não apenas uma funcionalidade”, resume Shane Lennon. A Factorial quer passar de “software de RH” para uma “plataforma de operações de trabalho com IA”, uma proposta mais abrangente e que pretende chegar não apenas aos responsáveis de Recursos Humanos, mas também aos líderes empresariais e às empresas em crescimento.

A ambição para o próximo ano é, por isso, alterar a perceção existente junto dos decisores portugueses. “Atualmente, muitos decisores portugueses ainda veem a Factorial como mais uma plataforma de RH numa longa lista de opções”, reconhece o responsável, apontando que a meta é que, daqui a um ano, a empresa seja reconhecida como “a plataforma de operações de trabalho com IA em que as empresas portuguesas em crescimento realmente confiam”.

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A comunicação terá assim, neste processo, de resolver um problema adicional: como diferenciar uma marca num território em que praticamente todas as empresas de tecnologia falam de inteligência artificial, eficiência, automatização e produtividade.

Para Inês Barbosa, a resposta passa por retirar a tecnologia do centro da narrativa. “A IA só se torna uma história relevante quando conseguimos explicar que problema resolve, para quem e com que impacto concreto”, defende, sendo que no caso da Factorial, a estratégia deverá aproximar a tecnologia da realidade quotidiana das empresas, desde processos fragmentados e informação dispersa até tarefas administrativas e dificuldade em obter uma visão integrada do negócio. “Para nós, a comunicação de uma marca tecnológica diferencia-se pela clareza e pela prova”, acrescenta.

IA sem buzzwords e sem substituir as pessoas

A própria Factorial procura seguir essa lógica de especificidade, pelo que, em vez de comunicar a IA enquanto conceito abstrato, a empresa quer centrar a narrativa na Factorial One e no modelo de dois agentes que a suporta: um orientado para compreender as políticas da empresa e outro concebido para apoiar cada colaborador.

Inês Barbosa, diretora da Team Lewis em Portugal

“A especificidade e as provas concretas são os elementos que nos distinguem, não os adjetivos”, afirma Shane Lennon. Essa distinção torna-se particularmente importante quando a IA entra num território tão sensível como a gestão de pessoas. Para a Team Lewis, temas como substituição de tarefas, privacidade, decisões automatizadas ou proteção de dados não podem ser afastados da comunicação em nome de uma narrativa mais simples.

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“A confiança começa por explicar claramente o papel da tecnologia, os limites da automatização e onde permanece a intervenção e decisão humanas”, afirma Inês Barbosa. A agência defende, por isso, uma comunicação “centrada nas pessoas e baseada em evidência”, que não apresente a inteligência artificial como substituta da decisão humana, mas também não recorra a narrativas alarmistas ou excessivamente futuristas.

A utilização responsável da IA, a proteção de dados, a transparência e o enquadramento regulatório europeu deverão, assim, fazer parte da construção de credibilidade da marca.

Portugal como mercado de crescimento

O reforço da comunicação acontece numa altura em que a Factorial pretende aprofundar a presença no mercado português, com a empresa a apontar para as PME em crescimento e para o segmento mid-market como áreas prioritárias, ao mesmo tempo que pretende aumentar a equipa local e construir notoriedade junto dos líderes de RH e de negócio.

Portugal é, sublinha Shane Lennon, “não um mercado secundário”, mas um dos países explicitamente identificados como prioritários após a Série D. A estratégia insere-se numa aposta mais ampla no Sul da Europa, região onde a empresa afirma já ter raízes sólidas.

A Team Lewis deverá funcionar como uma extensão da estratégia global, mas com uma preocupação assumidamente local. “O principal objetivo é aumentar o reconhecimento da marca num mercado muito competitivo, garantindo ao mesmo tempo uma comunicação diferenciadora, credível e relevante para o contexto português, sem perder a consistência com a estratégia global da Factorial”, explica Inês Barbosa.

A parceria será desenvolvida em regime de avença e com acompanhamento continuado, com vários eventos e momentos previstos para os próximos meses. Para a Factorial, o desafio será fazer com que o crescimento do negócio seja acompanhado por uma evolução equivalente na perceção da marca, enquanto para a Team Lewis a missão passa por transformar uma mudança tecnológica e de posicionamento numa narrativa capaz de ganhar espaço junto dos media, decisores e restantes vozes influentes do mercado.

Team Lewis ganha conta da Nobre para ajudar a aumentar a sua presença mediática num contexto “cada vez mais fragmentado”




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