Opinião de Hugo Silva, CEO United Creative e Curador da Exposição BPI AI Innovation Garden
Todos falam de Inteligência Artificial (IA), mas poucos compreendem a rapidez com que está a transformar o marketing e a comunicação. Trata-se de uma revolução silenciosa, já em curso, onde algumas empresas ganham anos de vantagem por reformularem processos inteiros, enquanto outras ainda acreditam que têm tempo. Só que não o têm.
As mudanças são visíveis: personalização em tempo real, automatização criativa e campanhas produzidas em poucas horas. Segundo a Nielsen, 59% dos marketeers já reconhecem o impacto transformador da IA, e a McKinsey indica que 78% das empresas a utilizam em pelo menos uma função. O cliente atual exige respostas imediatas e decisões em minutos; qualquer agência que não se adapte a esta velocidade arrisca-se a tornar-se irrelevante.
Muitas ainda operam como em 2015, com aprovações lentas, equipas desconectadas e falta de integração entre dados e criatividade. Já uma empresa nascida com uma matriz de IA pode superar facilmente estruturas tradicionais, não por ter mais talento, mas por dispor de ferramentas, velocidade e visão.
A transformação é inevitável: funções vão desaparecer e novas surgirão. A criatividade não termina, evolui. Passa a depender da união entre intuição humana e inteligência algorítmica, o “superpoder” desta nova era. Ignorar esta fusão é remar contra a maré.
Em breve, será comum o cliente apresentar briefings quase finalizados. Com conceito, imagem e até vídeo. Tudo isto graças à “Santa” IA. Mesmo que a proposta não seja perfeita, será difícil demovê-lo, pois ele sentirá que a ideia é sua. Isto desafia o papel tradicional das agências e exige adaptação urgente.
Ter alguém responsável pela integração da IA não é um luxo, mas uma necessidade. Não basta um entusiasta, mas sim um verdadeiro orquestrador que compreenda a evolução constante das ferramentas e saiba aplicá-las nos diferentes departamentos. O que hoje é inovação, amanhã será apenas o ponto de partida.
Nesta era, a velocidade é a nova moeda “ecriptada” de valor. A diferença entre “esperar para ver” e “agir para querer” define quem lidera e quem desaparece. O futuro da comunicação não pertence à IA, mas a quem souber trabalhar com ela, não amanhã, mas já hoje.













