A Páscoa continua a ser um dos momentos mais simbólicos para as famílias portuguesas, mas os hábitos de consumo associados a esta época têm vindo a transformar‑se de forma evidente. A ideia é avançada por Max De Simone, general manager da Ferrero Portugal, que destaca que esta evolução tem vindo a ser marcada pela procura de qualidade, experiências diferenciadoras e um planeamento mais antecipado das compras.
“A Páscoa continua a ser um momento profundamente emocional e familiar em Portugal, mas temos observado uma evolução clara nos hábitos de consumo nos últimos anos. O consumidor está cada vez mais orientado para a qualidade e para o valor percebido, privilegiando produtos que proporcionem uma experiência mais completa, seja em termos de sabor, apresentação ou significado”, diz à Marketeer.
Mas o grupo dono de marcas como Kinder, Ferrero Rocher, Nutella ou Mon Chéri tem também vindo a observar um maior peso do consumo partilhado e da oferta (gifting), bem como um planeamento mais antecipado das compras. Mas, embora “a inspiração seja cada vez mais digital”, o ponto de venda físico continua a ser “determinante” nesta categoria, “especialmente em momentos sazonais”, aponta.
“Comparativamente com outros mercados europeus, o ponto de venda físico continua a ter um peso muito relevante e a visibilidade em loja desempenha um papel decisivo na escolha do produto”, sublinha Max De Simone, apontando que a execução em loja – visibilidade, ativações e experiência de compra – é outro fator que tem impacto direto no sucesso das marcas, sendo que em Portugal, este elemento é particularmente relevante.
Na verdade, perante um mercado tão competitivo, a relevância constrói-se sobre três pilares fundamentais: uma “execução irrepreensível” em loja, uma “relação próxima” com os clientes e um “foco claro” nas prioridades em questão, defende o responsável. Mas é o ponto de venda que “continua a ser o principal espaço onde a decisão de compra acontece”, pelo que o grupo coloca uma “ênfase especial” em assegurar disponibilidade, visibilidade e uma experiência de compra consistente.
E é mesmo por aí que passa a grande aposta do grupo para esta época, com a Ferrero a reforça ros seus grandes ícones – Kinder e Ferrero Rocher – com uma “execução diferenciadora” no ponto de venda e com inovações que procuram trazer valor real ao consumidor. A estratégia passa por formatos mais partilháveis, experiências de consumo que combinem surpresa e diversão, e uma oferta adaptada a diferentes perfis.
É por isso que o grupo proporciona aos consumidores diferentes tamanhos de ovos de Páscoa, bem como de licenças, com o objetivo de abranger diferentes targets, sendo que este ano a oferta contempla, por exemplo, o Kinder Grande Surpresa 150g: Barbie, Hot Wheels, Mickey and Friends e o Kinder Grande Surpresa 220g: Harry Potter, One Piece, Frozen e Spiderman.
O gestor destaca ainda a forte ligação emocional dos portugueses às marcas em que confiam e a predisposição para apostar em produtos premium em ocasiões especiais, mesmo num contexto económico desafiante, sendo que outra tendência que tem ganho força é o consumo partilhado e a oferta como gesto social, “que vai além do núcleo familiar”, refere De Simone, sublinhando que a Páscoa se tornou um momento de celebração alargada, onde o chocolate assume um papel simbólico.
As edições limitadas, que são “uma ferramenta importante para gerar notoriedade e dinamizar o ponto de venda”, têm também ganho peso e desempenhado um papel estratégico na visão da Ferrero para 2026. “Permitem-nos introduzir novidades e captar a atenção do consumidor, mantendo sempre a coerência com as nossas marcas. São um complemento estratégico, inserido numa visão de longo prazo”, explica o gestor.
Questionado sobre como equilibrar tradição e inovação, Max De Simone é claro na sua convicção e do grupo de que “a inovação não passa por romper com a tradição, mas por evoluí-la”. “Partimos de marcas muito sólidas e reconhecidas, e trabalhamos sobre elas para as adaptar a novas ocasiões de consumo e às expectativas do consumidor. A chave está em manter a coerência da marca, mantendo-a, simultaneamente, relevante e atrativa”, defende.
A tendência de premiumização no setor deverá também continuar a crescer acompanhada pela procura de experiências memoráveis e produtos com valor acrescentado. “As marcas com uma proposta clara e consistente estarão mais bem posicionadas para crescer”, antecipa o responsável.
Para esta Páscoa, e embora a empresa não revele números concretos de vendas, Max De Simone destaca que durante o pico deste período são vendidos “milhares de ovos Kinder por hora em Portugal”. De forma mais abrangente, a ambição da Ferrero Portugal passa por consolidar a sua liderança no setor do chocolate, reforçar a inovação e fortalecer a relação com o retalho, tendo no horizonte o objetivo de atingir os 200 milhões de euros de faturação num futuro próximo, apoiando-se na força das suas marcas e numa execução de excelência.














