Com soluções criativas e digitais, a pequena tulipa tem vindo a adaptar-se às mudanças no marketing digital, oferecendo projectos alinhados com as tendências do mercado.
A pequena tulipa, agência criativa com quase 18 anos de actividade, tem-se destacado pela sua capacidade de adaptação às transformações no sector do marketing digital. Em conversa com a Marketeer, Paulo Couto, Founder & Executive Creative director de a pequena tulipa, revela como a empresa tem conseguido estar um passo à frente das tendências do mercado, acompanhando de perto as necessidades dos seus clientes, a partir de uma abordagem criativa, flexível e inovadora.
Com quase 18 anos de experiência no mercado (desde 2007), como é que a pequena tulipa tem acompanhado a evolução do marketing digital? Quais foram as principais transformações que observaram neste sector?
Começámos em 2007 apenas como produtora de conteúdos, e o marketing digital nada tinha a ver com o que é hoje. As redes sociais, por exemplo, eram o Hi5 ou o MSN Messenger (ainda alguém se lembra?), e os blogs reinavam.
A mudança era mais lenta, as trends duravam muito mais tempo. Na última década, o digital transformou-se num organismo vivo em constante mutação: as redes sociais obrigam-nos a uma adaptação constante para nos mantermos vivos. Mas isso para nós é bom, porque essa necessidade de antecipar o que vai acontecer, e tentar estar sempre um passo à frente, faz parte do nosso ADN desde o início, faz parte da minha forma de estar no mundo. Só tenho saudades do futuro.
Definem-se como um “full service creative studio”. Como é que esta abordagem integrada entre criatividade e marketing digital se traduz em resultados concretos para os vossos clientes?
A verdade é que, no centro de toda esta revolução digital, continua aquilo que nós fazemos desde o primeiro dia: conteúdos – vídeo, fotografia, design, ideias e criatividade. Mais de 80% do tráfego global da internet é vídeo, e este número diz bem da importância dos conteúdos no marketing digital. Nós estamos muito confortáveis a pensar a estratégia e o conteúdo, mas também a criar e a executar o mesmo, seja vídeo ou fotografia, porque é o que nós somos.
Para os clientes, significa menos telefonemas e mais resultados: a criatividade, o design, a fotografia, o vídeo e o marketing digital estão todos na mesma sala. Isso permite campanhas mais ágeis e flexíveis.
Como é que definem as prioridades quando começam a trabalhar com um novo cliente? Qual é o vosso processo para estruturar uma estratégia digital integrada desde o primeiro contacto?
Primeiro ouvimos, muito. Cada cliente tem um objectivo próprio e precisamos de o perceber. Depois, transformamos objectivos em estratégia, alinhamos criatividade com performance e só então carregamos no botão do “vamos a isso”. Depois, há um diálogo constante com o cliente para melhorar ao longo do caminho. Qualquer estratégia pode ser melhorada e nós somos naturalmente inconformados, estamos sempre à procura de melhorar aquilo que fazemos.
Produzem internamente vídeo e fotografia, ao contrário de muitas agências que subcontratam. Como é que esta capacidade interna influencia a velocidade e eficácia das vossas campanhas digitais?
Ter uma equipa de vídeo e fotografia em casa é como ter cozinha e cozinheiro ao dispor: não precisamos de passar horas a olhar para a app da Uber ou Glovo para ver onde está o estafeta, enquanto a comida arrefece no restaurante. Podemos cozinhar os nossos conteúdos com receitas únicas, e ter a comida sempre quente na hora certa. Resultado: campanhas mais rápidas, económicas e à medida.
Que tendências de marketing digital antecipam para os próximos tempos? Como é que as empresas se devem preparar?
Expect the unexpected. Nos dias que correm é muito difícil fazer previsões, pois há uma tendência para tudo mudar muito depressa e a vida nos pregar algumas surpresas. Alguém esperava que em 2025 o Facebook ainda fosse a rede social mais usada e que a hegemonia da Google possa ser posta em causa pela IA? No entanto, acredito que podemos dar como certas algumas tendências: o formato vídeo curto vai continuar a ganhar terreno em todas as plataformas, as mensagens privadas (WhatsApp, Telegram…) vão manter uma relevância grande e a diversificação das plataformas veio para ficar. As empresas que quiserem continuar a crescer devem investir em agilidade criativa e parar de pensar no digital como um “extra”.
Notam diferenças significativas entre as necessidades de marketing digital das empresas portuguesas comparativamente a mercados internacionais?
Nas grandes empresas, que são poucas em Portugal, não, mas nas PME e microempresas, ainda há quem acredite que pode ter uma pessoa que faz tudo, desde estratégia, criatividade, copy, vídeo, fotografia, agendamentos, pão com massa mãe e iogurtes caseiros. Lá fora é relativo, há muitos mercados diferentes e, consequentemente, muitas realidades, mas há mais empresas grandes nos nossos pares.
No entanto, quando olho para outros países, em especial na Europa, vejo que, apesar de pequenos, até estamos muito bem nesta área.
Com mais de 300 clientes satisfeitos, podem partilhar um exemplo de como o marketing digital transformou o negócio de um cliente específico?
Tenho três filhos, isto é como me perguntarem de qual gosto mais. Em 18 anos são tantos os projectos e o impacto que temos tido nos mais diversos clientes, que tenho uma grande dificuldade em escolher um exemplo específico.
Posso fazer product placement? No nosso site, apequenatulipa. pt, há uma página dedicada aos testemunhos dos nossos clientes, de grandes a microempresas. São muitos e bons exemplos do nosso trabalho.
Quais são os maiores desafios que as empresas enfrentam hoje no marketing digital e como é que a pequena tulipa os ajuda a ultrapassar?
Dar a perceber a importância de desenvolver uma estratégia de marketing digital com objectivos de médio e longo prazo, num tempo em que tudo é muito rápido, e temos tendência a pensar só no curto prazo, é um enorme e importante desafio.
Como é que comunicam os resultados aos clientes? Muitas empresas ficam perdidas com tantas métricas – qual é a vossa abordagem para traduzir dados em insights accionáveis? Apresentamos relatórios visuais, simples e cheios de cor. A ideia é clara: menos linhas de Excel, mais insights práticos. Um dos maiores desafios é medir retorno num mar de métricas, assim como parametrizar o que não é traduzível em números objectivos, como a reputação de uma marca.
Nós, “maluquinhos do marketing”, catalogamos tudo em termos que já merecem um dicionário, de awareness a ZMOT, e em números (impressões, leads, CTR, CPC, KPI…). Traduzir isto em termos que as empresas percebam é, por vezes, um grande desafio, assim como fazer a ponte entre isto e aquilo que, no final do dia, mais importa a qualquer empresário: valor facturado e lucro.
Muitas empresas hesitam no marketing digital por não verem o retorno imediato. Como abordam esta questão?
Nós percebemos muito bem essa hesitação das empresas. Qualquer um de nós tem dificuldade em comprar um casaco de Inverno em pleno Agosto, porque está calor e o casaco nos parece inútil. Mas, por vezes, quando o frio realmente chega, já não há o nosso tamanho na loja. Acho que, de uma forma geral, o tecido empresarial português está consciente da importância do marketing digital, e os nossos clientes, que por sinal são os melhores, já chegam até nós bem cientes da importância de não esperar um retorno imediato.
Inteligência artificial e automação estão a revolucionar o marketing digital. Como é que a pequena tulipa está a adaptar-se e a integrar estas tecnologias?
Estamos, desde há muito tempo, a integrar IA nos nossos workflows de trabalho, o que nos permite perder menos tempo em tarefas repetitivas e de pouco valor criativo. Não temos qualquer receio da IA, abraçamo-la como um auxílio cada vez mais importante ao nosso trabalho. Além de nos permitir fazer mais em menos tempo, liberta-nos para aquilo que é o grande valor acrescentado no nosso trabalho: a criatividade.
Quais são os próximos objectivos de a pequena tulipa? Em que direcção pretendem evoluir os vossos serviços nos próximos anos?
Finalmente, abrir uma loja de flores, como tantas vezes nos sugerem. Se não for possível, os nossos planos passam por continuar o nosso caminho de crescimento sustentado e sustentável, sempre atentos a novas oportunidades e áreas de negócio que possam surgir na nossa zona de influência. O aumento da nossa carteira de clientes internacionais é também um dos pontos-chave da nossa estratégia de expansão, mantendo-nos orgulhosamente pequenos.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Marketing Digital”, publicado na edição de Setembro (n.º 350) da Marketeer.












