A opinião de Sandra Alvarez (PHD): Quando uma loja inteira cabe dentro do nosso bolso

Por Sandra Alvarez, directora-geral da PHD

Vivemos numa realidade mais imersa no mundo digital. Para tudo, dependemos dos nossos pequenos smartphones que, apesar de caberem no bolso, reúnem todo um mundo de infinitas oportunidades. Desde o próximo jantar, a visitas virtuais para compra de casa, sentimos o poder de ter tudo na palma das nossas mãos. Num curto espaço de tempo, o e-Commerce possibilitou-nos derrubar barreiras físicas e facilitou o acesso a variados produtos, num instante. Ao mesmo tempo, permitiu às empresas diversificarem canais de venda e evoluírem no modo como comunicam com os novos consumidores digitais, mais exigentes e sem tempo.

Por que é que este modelo de consumo assumiu tamanha dimensão? Porque nesta nova realidade, mais virtual, despendemos mais tempo a fazer scroll no telemóvel do que a passear por lojas e centros comerciais. É mais cómodo.

Assistimos a um fortíssimo crescimento do número de novos utilizadores em canais digitais, consequência, também, do contexto pandémico. As marcas viram-se coagidas a uma adaptação ao comércio electrónico, a novos hábitos e à diversificação de experiências no mundo digital.

Se o e-Commerce existia como alternativa às lojas físicas, a pandemia forçou os consumidores à utilização, em alguns casos exclusiva, dos pontos de venda online, e esse comportamento veio para ficar. Um exemplo foi a adopção de estratégias omnicanal pelas marcas, que passaram a disponibilizar, quer nas redes sociais, no website, ou outros formatos, novas formas de interacção com os públicos-alvo, para que o cliente esteja sempre bem informado e possa escolher. Passados dois anos do grande impulso ao e-Commerce, as marcas deparam-se com o desafio de acompanhar novas tendências de consumo. Vários estudos indicam que, apesar de muitas pessoas continuarem a gostar das lojas físicas, alguns grupos continuam a demonstrar relutância em se deslocarem às mesmas, sustentando a sua preferência pela facilidade das compras online. Estão dispostos a pagar eventualmente mais para não esperar em filas e terem acesso a um processo mais imediato e conveniente.

Outra tendência é que, agora que podemos voltar às lojas físicas, preferimos primeiro ir ver nos canais online aquilo que está disponível numa loja antes de nos dirigirmos à mesma para efectuar (ou não) a compra. Transformando, assim, os canais digitais quase como que numa montra, mas não obrigatoriamente como meio de finalização.

Os canais digitais vieram para ficar. Num mundo onde os consumidores esperam soluções mais cómodas, rápidas e acessíveis, o e-Commerce é a oportunidade perfeita para as marcas disponibilizarem uma loja inteira dentro do nosso bolso e pôr efectivamente em prática a omnicanalidade que tanto apregoam e só algumas entregam.

Artigo publicado na revista Marketeer n.º 310 de Maio de 2022

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