A Domino’s Portugal está a reforçar a sua aposta em territórios de afinidade cultural com o lançamento do Domino’s Music, uma plataforma dedicada ao apoio à música portuguesa independente. A iniciativa surge com o objetivo de impulsionar artistas emergentes, respondendo a desafios concretos do setor, como o financiamento de digressões a nível nacional.
Por Sandra M. Pinto
À marketeer, Luís Pica, diretor-geral da Domino’s Portugal, explica como este projeto se integra numa estratégia mais ampla de proximidade às comunidades e de construção de relevância para além do produto. Desenvolvido em parceria com a Cuca Monga, o Domino’s Music estreia-se com o artista Rapaz Ego e assume-se como uma aposta de continuidade na ligação da marca à cultura e à criação artística em Portugal.
O Domino’s Music nasce como uma plataforma de apoio à música portuguesa. O que motivou a Domino’s a entrar no território cultural e a estruturar esta aposta?
Na Domino’s, temos vindo a construir uma presença que não se esgota no produto. A nossa ligação ao desporto, à comédia e às comunidades onde operamos é o reflexo de uma convicção simples, as marcas que ficam são aquelas que aparecem nos momentos certos. A música é um desses momentos. O Domino’s Music nasce da identificação de uma necessidade real no ecossistema da música portuguesa independente, e da certeza de que temos condições para dar o nosso contributo.
Como é que o Domino’s Music se integra na estratégia da Domino’s Portugal enquanto marca que procura estar mais próxima das comunidades onde opera?
A proximidade não é um valor que se declara, é uma prática que se demonstra. Temos 66 lojas em 12 distritos e isso obriga-nos a pensar, com seriedade, na nossa relação com territórios muito diferentes entre si, com públicos que não partilham os mesmos contextos culturais nem os mesmos hábitos de consumo. O Domino’s Music responde a essa lógica de apoiar artistas que percorrem o país inteiro, é uma forma de estarmos presentes nas comunidades.
Porquê iniciar este projeto em parceria com a Cuca Monga e com um artista como o Rapaz Ego?
A escolha da Cuca Monga não foi por acaso. É uma editora com um critério artístico consistente e uma capacidade de curadoria que respeitamos. Não aposta em tendências nem na visibilidade imediata, aposta em artistas com uma voz própria e com uma relação genuína com o seu público. Essa orientação é completamente compatível com o que queremos para o Domino’s Music. O Rapaz Ego, um projeto musical de Luís Monteiro, foi o primeiro artista a beneficiar do apoio da plataforma. A escolha recaiu sobre um músico que se encontra num momento decisivo do seu percurso, com um novo disco para apresentar ao vivo e uma carreira em afirmação, demonstrando o impacto que este modelo de apoio pode ter no desenvolvimento de projetos artísticos emergentes.
De que forma é que esta iniciativa responde a um problema real dos artistas emergentes, em particular no financiamento de digressões?
Fazer uma digressão nacional é, para muitos artistas independentes, financeiramente inviável. Os custos de transporte, alojamento e apoio às equipas são muitos. O que o Domino’s Music faz é reduzir esse risco ao apoiar nos custos da digressão para que a decisão de tocar além dos circuitos habituais seja possível e não um salto no vazio.
Que impactos concretos esperam gerar no percurso de artistas como o Rapaz Ego, para lá da visibilidade mediática?
Não definimos o valor desta iniciativa pela sua visibilidade mediática. O que queremos é que um artista consiga tocar para mais pessoas, em mais cidades, com condições dignas para si e para a sua equipa. Uma digressão permite construir público, testar repertórios em diferentes contextos, criar relações com promotores locais e ganhar experiência de palco. É esse percurso que ajuda uma carreira a crescer e é aí que o apoio da Domino’s pode fazer a diferença.
Como é que a Domino’s garante o equilíbrio entre o papel de marca parceira e a preservação da autenticidade artística dos músicos apoiados?
A Domino’s entra na dimensão logística e financeira da digressão, sem interferir nas escolhas criativas, nos repertórios ou na mensagem dos músicos. Entendemos que uma marca que tenta moldar a expressão artística de quem apoia destrói aquilo que torna esse apoio valioso. A autenticidade dos artistas é a razão pela qual esta plataforma tem sentido.
O que representa esta entrada da Domino’s no apoio estruturado à cultura portuguesa em termos de evolução de marca?
Representa a afirmação de que a Domino’s não é apenas um operador de restauração com uma rede de lojas. É uma marca com presença em todo o país, com uma identidade cultural que tem vindo a ser construída com consistência ao longo dos anos, e essa identidade implica responsabilidades. O Domino’s Music é o reconhecimento de que temos a capacidade de contribuir para algo maior e de que esse contributo, quando é genuíno e continuado, reforça a relação da marca com as pessoas de uma forma que nenhuma campanha consegue alcançar.
Como é que medem o sucesso de um projeto como o Domino’s Music, num território onde os resultados não são apenas comerciais?
Não há métricas comerciais que nos consigam dar o valor de uma marca estar presente na cultura desta forma. Esse valor constrói-se aos poucos, e é por isso que o Domino’s Music é uma aposta de longo prazo.
O Domino’s Music é uma iniciativa pontual ou o início de uma estratégia contínua de ligação à cultura e à música em Portugal?
É, sem qualquer dúvida, o início de uma estratégia contínua. O Rapaz Ego foi o primeiro artista apoiado, mas já temos novas tours previstas para os próximos meses e outros artistas a serem revelados em breve. O modelo que construímos, em parceria com a Cuca Monga, foi pensado para crescer e para se tornar uma referência consistente da marca na música portuguesa.
Que critérios estão na base da seleção dos artistas e projetos apoiados?
A curadoria é feita em conjunto com a Cuca Monga, que tem um conhecimento profundo do ecossistema da música portuguesa. Os critérios não são de popularidade nem de projeção comercial imediata, mas de qualidade artística e de pertinência do momento, artistas numa fase inicial da sua carreira, com um disco ou um projeto para apresentar ao vivo, para quem o apoio a uma digressão nacional representa uma oportunidade determinante. Queremos estar presentes quando a nossa contribuição faz uma diferença, não quando o artista já tem recursos para percorrer esse caminho sozinho.
Que tipo de evolução podem esperar para o Domino’s Music nos próximos meses, em termos de artistas e ativações?
Podem esperar novos artistas e novas tours. A plataforma está pensada para crescer de forma orgânica, respeitando o ritmo dos artistas e da curadoria. Posso garantir que o Domino’s Music tem planos bem definidos para os próximos meses e que o compromisso da marca cresce a cada nova ação.
De que forma é que este tipo de iniciativa contribui para reforçar a relevância da marca junto de públicos mais jovens?
Os públicos mais jovens são muito céticos em relação a uma comunicação sem substância. Para esse público, o que uma marca faz vale infinitamente mais do que o que uma marca diz. Apoiar artistas emergentes, financiar digressões que de outra forma não aconteceriam e fazê-lo sem instrumentalizar a expressão artística de ninguém é uma forma de comunicar valores que esse público reconhece e valoriza.
Como é que a ligação à música ajuda a construir uma perceção mais emocional e menos funcional da Domino’s no mercado português?
A perceção funcional de uma marca constrói-se pela qualidade do produto, pela eficiência do serviço e pelo preço. São dimensões em que trabalhamos com rigor, mas que por si só não criam uma relação duradoura. A música, como o desporto e a comédia, existe num registo completamente diferente, existe na partilha de uma experiência. Quando a Domino’s está presente nesses momentos constrói notoriedade, mas sobretudo pertença. E essa é, provavelmente, a forma mais valiosa que uma marca pode ter na vida das pessoas.
Num mercado como o português, que papel ambiciona a Domino’s assumir no apoio ao talento emergente e à cultura contemporânea?
Não nos apresentamos com grandes ambições declaradas, porque acreditamos que o papel de uma marca na cultura se conquista pela consistência das suas ações. Queremos ser parceiros no percurso de artistas que merecem ser ouvidos. Se daqui a alguns anos o Domino’s Music for reconhecido como uma plataforma que ajudou músicos portugueses a percorrer o país e a chegar a públicos que de outra forma não os teriam encontrado, o nosso trabalho está feito.












