A evolução da inteligência artificial (IA) está a alterar profundamente a forma como os utilizadores interagem com motores de busca como o Google. Esta mudança obriga as marcas a repensar estratégias, adaptar conteúdos e diversificar os seus canais de comunicação para manterem a relevância num ecossistema digital em rápida transformação.
Durante mais de duas décadas, o Google foi o gigante incontestável das pesquisas online. No entanto, segundo dados da Statista, a sua quota de mercado global nas pesquisas em computadores desceu para 78,8% em janeiro de 2025, o valor mais baixo registado nos últimos 15 anos. Em 2024, a maior parte das receitas recorde da Google (348.160 milhões de dólares) teve origem na publicidade, sobretudo através do seu motor de busca.
No entanto, a própria Google reconheceu recentemente, num documento judicial, que a publicidade gráfica na web aberta está em claro declínio, algo que muitos especialistas já antecipavam. O Departamento de Justiça dos EUA chegou mesmo a recomendar o desmantelamento do negócio publicitário da Google. A empresa, contudo, defende que essa medida apenas aceleraria esse declínio, prejudicando os editores que ainda dependem da publicidade gráfica na web aberta. “A verdade é que a web aberta já está em rápido declínio e a proposta de desinvestimento apenas agravaria a situação”, afirmou a Google. Segundo a empresa, é o próprio mercado que está a transformar a indústria publicitária, com novos formatos como televisão conectada e media de retalho a ganharem terreno de forma exponencial.
Novos hábitos digitais e impacto da IA na pesquisa
A inteligência artificial está a revolucionar os motores de busca, permitindo uma melhor interpretação da intenção por trás de cada consulta e promovendo resultados mais personalizados, conversacionais e contextuais. Isto significa que as estratégias tradicionais de SEO, baseadas apenas em palavras-chave e links, estão a tornar-se menos eficazes.
Para as marcas, esta mudança representa um desafio claro: já não basta aparecer nos primeiros resultados de pesquisa é preciso criar conteúdo útil, credível e com valor real para o utilizador, adaptado à nova forma como este pesquisa e consome informação. Conteúdos interactivos, multimédia, respostas diretas e personalizadas ganham agora mais relevância do que nunca.
Ao mesmo tempo, os hábitos dos utilizadores também estão a evoluir. Procuram respostas rápidas, precisas e personalizadas, consomem cada vez mais vídeo e áudio, e valorizam recomendações baseadas nas suas preferências individuais. Este novo comportamento obriga as marcas a diversificar os seus canais e a apostar em formatos fora da web tradicional: apps, e-commerce, plataformas de streaming, social commerce, e outros meios potenciados por IA.
O que significa isto, na prática, para as marcas?
Reformular a estratégia de conteúdo
A relevância deixou de ser medida apenas em visualizações. O foco está na qualidade e valor que o conteúdo oferece ao utilizador. As marcas devem produzir conteúdos otimizados para IA, que respondam a perguntas concretas, inspirem confiança e gerem interação real.
Diversificar canais e formatos
Com o declínio da publicidade gráfica na web aberta, é fundamental investir em publicidade contextual, experiências imersivas, vídeos interativos e recomendações personalizadas. Estes novos formatos, potenciados pela IA, permitem segmentações mais eficazes e reduzem o risco de dependência de um único canal.
Personalização avançada
A IA permite identificar padrões de comportamento em tempo real. Marcas que utilizarem esses dados para personalizar mensagens e ofertas vão conseguir aumentar conversão e fidelizar o público. Ignorar esta possibilidade terá impactos negativos no engagement e nas vendas.
Novas métricas de sucesso
As impressões e cliques já não são suficientes. O sucesso mede-se pela interação significativa, confiança gerada e relevância do conteúdo. As marcas devem redefinir os seus KPIs e investir na análise de dados para perceber o verdadeiro impacto das suas ações digitais.
Adaptação constante
O ambiente digital está em permanente mudança. A IA continuará a evoluir e o Google irá ajustar os seus algoritmos e prioridades. Apenas as marcas com processos de inovação contínua conseguirão manter a visibilidade e a relevância a longo prazo.














