“A IA é uma ferramenta estratégica de apoio à análise, monitorização e capacidade preditiva”, Nádia Novais, General Manager da IPSIS

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Sandra M. Pinto
19/05/2026
10:30
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“A IA é uma ferramenta estratégica de apoio à análise, monitorização e capacidade preditiva”, Nádia Novais, General Manager da IPSIS

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A IPSIS, consultora portuguesa de referência em corporate affairs e comunicação estratégica, lança-se no mercado brasileiro através de uma parceria com a PUB/Vector, criando uma plataforma bilateral inovadora que une reputação corporativa, comunicação financeira, public affairs e inteligência artificial.

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Por Sandra M. Pinto

Numa entrevista exclusiva, Nádia Novais, General Manager da IPSIS, detalha como esta expansão responde à crescente interdependência dos mercados lusófonos, antecipa riscos reputacionais e fortalece a presença de empresas portuguesas e brasileiras em contextos institucionais e regulatórios complexos.

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O que motivou a IPSIS a expandir-se para o mercado brasileiro através desta parceria com a PUB/Vector?
A expansão para o Brasil surge de forma natural dentro do plano de transformação estratégico em curso da IPSIS. Existe hoje uma relação económica cada vez mais densa entre Portugal e Brasil, com fluxos de investimento directo que ultrapassam os 30 mil milhões de euros, e empresas dos dois lados a operar em ambientes crescentemente expostos do ponto de vista reputacional, institucional e regulatório. Sentimos que há espaço, e necessidade real, para uma abordagem mais integrada e estratégica na comunicação corporativa e financeira entre os dois mercados. Esta parceria faz sentido precisamente porque encontrámos uma estrutura com profundo conhecimento do ecossistema institucional brasileiro, com capacidade demonstrada em advocacy, forte experiência em reputação, e uma visão muito alinhada com a nossa sobre o papel da comunicação como ferramenta de influência, posicionamento e criação de valor. 

Como surgiu a ideia de criar uma plataforma bilateral que integra reputação corporativa, financial communications, public affairs e inteligência artificial?
A ideia nasce da própria evolução do mercado e de uma leitura atenta das suas transformações estruturais. Hoje já não faz sentido trabalhar reputação, comunicação financeira, media relations ou public affairs de forma isolada. As organizações operam em ecossistemas muito mais interdependentes, mais regulados e mais expostos ao escrutínio permanente e a fragmentação entre estas áreas tornou-se, ela própria, um risco. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial veio acelerar profundamente a capacidade de monitorização, análise reputacional, media intelligence e antecipação de risco. Modelos de processamento de linguagem natural permitem hoje cruzar em tempo real milhares de fontes, detectar narrativas emergentes e modelar trajectórias reputacionais com uma granularidade que seria impossível há poucos anos. O que quisemos criar foi uma plataforma capaz de responder a essa nova realidade de forma integrada, articulando comunicação estratégica, stakeholder engagement, advocacy e tecnologia numa arquitectura coerente e orientada para a decisão.

Que setores ou tipos de organizações mais beneficiam desta abordagem integrada entre Portugal e Brasil?
Sobretudo organizações com elevada exposição institucional, financeira ou regulatória. Isto é, aquelas em que o risco reputacional tem impacto directo na sua valorização. Sectores como banca, seguros, asset management, energia, infraestruturas, tecnologia, saúde, indústria ou economia digital beneficiam particularmente deste tipo de acompanhamento, em qualquer dos dois mercados. Mas também empresas em momentos de transformação, como processos de internacionalização, captação de investimento, IPO, fusões e aquisições, ou gestão de reputação pós-crise, encontram valor real numa estrutura capaz de alinhar narrativa, posicionamento e influência nos dois contextos de forma simultânea e consistente.

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De que forma a parceria entre IPSIS e PUB/Vector contribui para o fortalecimento da presença reputacional de clientes nos dois mercados?
Acima de tudo, permite criar coerência estratégica onde muitas vezes existe fragmentação. Diria que as organizações são actores que comunicam em múltiplos palcos em simultâneo: com investidores, reguladores, media, governos, parceiros e opinião pública em geografias diferentes, mas continuam frequentemente a fazê-lo sem uma narrativa mestre comum, sem alinhamento de timing e sem sensibilidade às diferenças culturais e institucionais de cada contexto. A parceria permite exactamente isso: alinhar mensagens, antecipar riscos, adaptar posicionamentos ao quadro cultural e regulatório de cada mercado e garantir maior consistência reputacional entre Portugal e Brasil. O resultado é uma presença mais sólida, mais credível e mais eficaz junto dos diferentes stakeholders, em cada mercado e na relação entre ambos.

Como a plataforma IPSIS-PUB/Vector ajuda as organizações a gerir stakeholders, media intelligence e agenda regulatória de forma integrada?
Através de uma abordagem contínua, sistémica e não apenas reactiva. A plataforma opera sobre três camadas complementares: media intelligence, com análise em tempo real de cobertura, tonalidade e relevância de fontes, stakeholder intelligence, com mapeamento dinâmico das posições e influência dos actores relevantes em cada mercado, e regulatory intelligence, com acompanhamento do pipeline legislativo, das consultas públicas e dos movimentos regulatórios sectoriais. A integração destas camadas é o que gera verdadeiro valor estratégico. Permite cruzar sinais entre domínios. Antecipar, por exemplo, o impacto reputacional de uma alteração regulatória ou identificar um stakeholder com influência crescente num processo antes de este se tornar um actor activo numa controvérsia. A nosso ver, é esse olhar sistémico e antecipador que distingue uma abordagem verdadeiramente integrada de uma mera agregação de serviços.

Quais foram os principais desafios identificados ao apoiar empresas com operações simultâneas em Portugal e no Brasil?
O principal desafio é a assimetria profunda de contexto, regulatório, institucional, mediático e cultural, entre os dois países. Apesar da proximidade linguística, que cria frequentemente uma ilusão de familiaridade, estamos a falar de dois ecossistemas com lógicas muito distintas. Portugal opera num quadro regulatório da União Europeia, com autoridades sectoriais articuladas com reguladores europeus; o Brasil tem uma arquitectura regulatória federal com maior complexidade e fragmentação, e uma dinâmica político-institucional com especificidades que não se transferem mecanicamente. Diria que, do ponto de vista de risco, a fragilidade está precisamente na subestimação dessa diferença. Quando as organizações replicam modelos de comunicação sem adaptação local, ignoram que as audiências têm quadros de referência distintos, expectativas reputacionais diferentes e sensibilidades culturais que não são neutras. A isto acresce a crescente velocidade do ciclo reputacional e a necessidade de responder simultaneamente a múltiplos stakeholders em geografias com ritmos mediáticos muito diferentes.

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Que papel desempenha a inteligência artificial na estratégia de comunicação e reputação da IPSIS?
A inteligência artificial é hoje uma ferramenta estratégica de apoio à análise, à monitorização e à capacidade preditiva. Utilizamo-la sobretudo em processos de media intelligence, análise reputacional, identificação de tendências, mapeamento de risco e apoio à tomada de decisão, através de modelos que permitem processar grandes volumes de informação, detectar sinais fracos em narrativas emergentes e correlacionar variáveis que seriam invisíveis numa análise manual. Mas mantenho uma convicção muito clara: a dimensão humana continua absolutamente central. A IA aumenta capacidade analítica e velocidade de processamento, mas a interpretação estratégica do contexto, a leitura das dinâmicas institucionais e relacionais, e a construção de confiança com stakeholders críticos continuam a depender de experiência, sensibilidade e conhecimento acumulado. A tecnologia é um multiplicador de capacidade e não um substituto de julgamento.

De que forma esta parceria permite às organizações antecipar riscos e oportunidades reputacionais?
Ao combinar conhecimento local, inteligência reputacional e monitorização contínua dos dois mercados. Do ponto de vista metodológico, a antecipação reputacional assenta em três mecanismos: a detecção precoce de sinais fracos, narrativas emergentes em meios especializados, movimentos em fóruns regulatórios, alterações de posicionamento de actores relevantes, a correlação cruzada de informação entre domínios político, mediático, regulatório e financeiro, e o benchmarking reputacional comparativo com pares sectoriais. Muitas crises reputacionais relevantes deixam sinais identificáveis dias ou semanas antes de atingirem escala pública. O mesmo acontece com oportunidades de posicionamento institucional. A capacidade de leitura antecipada desse ambiente, e de preparar resposta estratégica com tempo, é o que diferencia uma gestão verdadeiramente preventiva de uma abordagem meramente reactiva. E essa diferença, nas organizações mais expostas, pode ser decisiva.

Como é que a expansão para o Brasil se insere na estratégia global de internacionalização da IPSIS?
O Brasil é um primeiro passo muito relevante dentro de uma visão mais ampla da IPSIS, e uma escolha estrategicamente fundamentada. Para além da proximidade linguística e histórica, Portugal e Brasil partilham um tecido empresarial cada vez mais integrado, com grupos portugueses com presença significativa no Brasil em sectores como energia, banca, retalho e tecnologia, e empresas brasileiras a usar Portugal como porta de entrada para o mercado europeu. Esta integração gera procura natural por serviços de comunicação e reputação com capacidade de operação bilateral. A nossa ambição passa por consolidar a presença da IPSIS em contextos internacionais onde comunicação estratégica, reputação e influência assumem um papel decisivo para organizações em crescimento ou transformação, e por afirmar uma identidade de consultora capaz de acompanhar essa complexidade com rigor e proximidade.

Que ganhos concretos podem os clientes esperar ao centralizar advisory estratégico, reputação e advocacy numa plataforma bilateral?
Os ganhos organizam-se em três eixos que se reforçam mutuamente. Em termos de eficiência operacional, a eliminação de redundâncias entre estruturas paralelas nos dois mercados e a centralização de coordenação estratégica reduz custos de transacção e tempo de resposta. Em termos de coerência estratégica, a existência de uma narrativa comum e de processos de alinhamento de mensagem garante que não existem contradições entre o que a organização comunica a investidores em Lisboa e a reguladores em São Paulo. Em termos de capacidade de influência, a articulação entre comunicação corporativa, public affairs e media relations numa única estrutura coordenada aumenta substancialmente a eficácia junto de stakeholders que operam em múltiplos domínios em simultâneo. Em vez de trabalharem estruturas isoladas em cada mercado, os clientes passam a ter uma visão integrada da reputação, dos stakeholders e dos objectivos estratégicos, o que permite decisões mais rápidas, mensagens mais consistentes e uma articulação mais eficaz entre narrativa, agenda institucional e posicionamento reputacional.

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Como vê a evolução do mercado lusófono em termos de investimento, interdependência regulatória e comunicação corporativa nos próximos anos?
Vejo um crescimento muito significativo da interdependência entre mercados lusófonos, sobretudo em sectores estratégicos e regulados. O processo de alinhamento entre a regulação europeia, em áreas como ESG, dados, serviços financeiros e inteligência artificial, e os quadros regulatórios brasileiros vai criar pressão de compliance crescente sobre organizações com presença bilateral que ainda não desenvolveram estruturas integradas de gestão reputacional e comunicação. O investimento entre Portugal e Brasil deverá continuar a crescer, assim como a necessidade de estruturas capazes de acompanhar essa internacionalização de forma coerente. Diria que estamos a assistir a uma transição importante: a comunicação corporativa deixa de ser uma função de suporte para se tornar uma função estratégica próxima da governance, da gestão de risco e da liderança. O que isso implica, nas organizações mais sofisticadas, é uma reconfiguração do papel do responsável de comunicação, cada vez mais próximo da decisão executiva e do conselho de administração.

Que competências e recursos da IPSIS foram determinantes para tornar esta expansão possível?
A experiência em corporate affairs, comunicação financeira, gestão reputacional e relacionamento institucional da direcção actual foi determinante. Nomeadamente a vasta experiência de trabalho com organizações sujeitas a escrutínio regulatório intenso, processos de comunicação de crise e gestão de narrativa em momentos de transformação complexa. A integração de quadros com este percurso dá à IPSIS uma capacidade de leitura de ambientes de risco que é difícil de construir sem track record real em contextos exigentes. Igualmente fundamental foi o investimento numa cultura de advisory estratégico, distinta da execução operacional. A capacidade de estar presente ao nível da decisão, de ser um interlocutor de confiança para lideranças em momentos de maior pressão, e de articular comunicação com estratégia e com gestão de risco, é o que torna esta expansão sustentável no longo prazo.

De que forma esta expansão para o Brasil vai fortalecer a marca IPSIS a nível internacional?
Reforça o posicionamento da IPSIS enquanto consultora com capacidade de actuar em contextos internacionais complexos: multiculturais, multi-regulamentares e multistakeholder. Num mercado em que a maioria dos concorrentes ainda opera com uma lógica essencialmente doméstica, a capacidade de acompanhar organizações em ambientes de elevada exigência em múltiplas geografias é um elemento diferenciador genuíno. Mais do que crescimento geográfico, esta expansão representa uma evolução de posicionamento e de identidade. Afirma a IPSIS como uma estrutura com maturidade operacional e rede de relacionamentos para responder a desafios de reputação, influência e comunicação em escala internacional, e isso cria um efeito de atracção junto de clientes com perfil mais sofisticado e maior complexidade reputacional.

De que forma a IPSIS posiciona a sua identidade de marca junto de clientes com presença em múltiplos mercados?
A IPSIS posiciona-se como parceiro estratégico de reputação, influência e comunicação em contextos de elevada exigência institucional e mediática. A identidade da marca assenta em três vectores de diferenciação: proximidade à decisão (actuando ao nível da liderança executiva e não apenas das equipas de comunicação), visão integrada (articulando reputação, comunicação financeira, public affairs e gestão de risco numa perspectiva sistémica) e sofisticação contextual (com leitura precisa dos ambientes político-regulatórios e mediáticos em que os clientes operam). Trabalhamos muito a ideia de que a comunicação estratégica não é um serviço que se compra. É uma relação de confiança que se constrói. E é essa relação que nos permite ser genuinamente úteis nos momentos que mais importam.

Que papel terá o branding na diferenciação da IPSIS num setor altamente competitivo e regulado?
O branding será absolutamente central, porque hoje as marcas de comunicação também precisam de transmitir, elas próprias, aquilo que prometem entregar aos clientes: confiança, credibilidade e capacidade estratégica. Há uma dimensão quase reflexiva nisto, uma consultora de reputação que não gere bem a sua própria reputação dificilmente convence. Num sector altamente competitivo, a diferenciação já não acontece apenas pela execução. Acontece pela capacidade de gerar confiança junto de líderes, investidores, reguladores e stakeholders críticos, e pela consistência com que essa confiança é construída e mantida ao longo do tempo. No caso da IPSIS, o branding está muito associado às ideias de rigor, sofisticação estratégica, proximidade à liderança e capacidade de operar com serenidade em ambientes complexos e altamente expostos. São qualidades que não se afirmam por declaração,  afirmam-se por comportamento consistente e por reputação acumulada.




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