A geração que coleciona quilómetros, não coisas

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Cristina Rôla
15/06/2026
20:02
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15/06/2026
20:02
A geração que coleciona quilómetros, não coisas

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Opinião de Cristina Rôla, diretora de marketing da Seat/Cupra Portugal

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Houve uma altura em que o carro era sobretudo um símbolo de chegada. Hoje, para muitos jovens, é exatamente o contrário: um ponto de partida.

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Partida para um festival a três horas de distância porque “a vida acontece lá”. Para um fim de semana improvisado sem roteiro definido. Para descobrir um restaurante escondido que apareceu no TikTok, ou simplesmente para desligar notificações (mesmo que seja só durante meia hora de estrada junto ao mar).

A chamada “geração da experiência” cresceu a ouvir que o importante não era acumular coisas, mas viver momentos. E isso mudou profundamente a relação com a mobilidade. Ter um automóvel já não significa apenas possuir um objeto. Significa ganhar liberdade. Autonomia. Flexibilidade. A possibilidade de dizer “vamos?” e arrancar.

Curiosamente, numa era em que tudo é digital, imediato e entregue em casa, o movimento físico nunca teve tanto valor emocional. Porque viajar continua a ser uma das poucas formas reais de desconexão mental. E talvez por isso o automóvel mantenha um papel tão relevante junto das novas gerações: não apenas como transporte, mas como extensão da sua forma de viver.

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Mas esta geração também trouxe uma nova exigência: quer continuar a explorar o mundo sem comprometer o futuro desse mesmo mundo. Sustentabilidade deixou de ser um “extra” simpático para passar a fazer parte da decisão. Segundo um estudo da Universidade Bocconi, em Itália, sobre mobilidade e Geração Z, segurança, eficiência e sustentabilidade estão hoje entre os fatores mais valorizados pelos jovens na escolha da forma como se movem. A Geração Z tem uma abordagem pragmática em relação à mobilidade: escolhe os veículos não com base em ideais ecológicos, mas, acima de tudo, pela eficiência, segurança e custo.

E isso obriga a uma mudança de paradigma. A performance já não se mede apenas em potência. Mede-se também em responsabilidade. Na redução da pegada carbónica. Na eletrificação. Na capacidade de integrar tecnologia que melhora a experiência sem complicar a vida.

Porque a tecnologia, quando bem aplicada, faz exatamente isso: desaparece para deixar espaço ao que importa.

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Hoje, estar conectado não é um luxo. É tranquilidade. É saber que o automóvel ajuda a escolher o melhor percurso, que alerta para perigos, que pode pedir ajuda numa emergência ou garantir que ninguém fica verdadeiramente “offline” no meio do caminho. A conectividade tornou-se parte da experiência humana da viagem. Partilhamos playlists, coordenadas, fotografias, memórias. Às vezes, até silêncios.

E talvez seja precisamente isso que esteja a mudar: já não conduzimos apenas para chegar. Conduzimos para sentir.

Para muitos jovens, as melhores conversas continuam a acontecer dentro de um carro. Entre amigos. Entre músicas cantadas demasiado alto. Entre paragens improvisadas. Entre o “vamos só ali” que acaba numa memória para a vida.

No fundo, o automóvel continua a representar aquilo que sempre representou nas suas melhores versões: liberdade. Só que agora essa liberdade vem acompanhada de consciência, tecnologia e vontade de fazer diferente.

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Porque esta geração quer emoção, mas também propósito. Quer inovação, mas sem perder autenticidade. Quer ir mais longe, literalmente, sem deixar uma fatura pesada ao planeta.

E talvez a verdadeira pergunta seja esta: num mundo onde tudo é cada vez mais virtual, será que ainda existe maior símbolo de liberdade do que poder escolher o próximo destino e simplesmente arrancar?






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