A Europa. Qual Europa?

ricardo-florencio Ricardo Florêncio

Director Editorial Marketeer

Editorial publicado na edição de Maio de 2013 da revista Marketeer

A União Europeia foi, e ainda é, um sonho partilhado por muitos.

As questões que se colocam hoje são o que é e para onde vai esta Europa. Qual o papel que se quer que a Europa desempenhe? Qual o seu futuro?

Numa altura em que uns países ainda querem entrar na União Europeia, outros fazem referendos para sair, uns querem entrar no Euro, outros são afastados, numa altura em que se fala em Euro 1 e Euro 2, e por aí adiante, afinal, alguém sabe o que será da Europa?

A União Europeia, que tem na sua génese a CEE, e ainda há mais tempo a CECA, tinha como princípios um conjunto de políticas de integração das economias, desde a agricultura aos transportes, à livre circulação de pessoas e bens, etc., tornou-se hoje uma mera questão financeira.

Vivemos debaixo de empréstimos, taxas de juros, dívida pública, etc., decisões essas que têm o seu epicentro, não na Comissão Europeia, não no Conselho da União Europeia, não no Parlamento Europeu e muitas vezes nem mesmo no Banco Central Europeu, mas sim na Alemanha, no Bundestag. Até é no Bundestag que se negoceiam, e aprovam, os défices autorizados dos diversos países. Tudo passa actualmente pela Alemanha. E deste modo toda a Europa está em suspenso, parada, à espera das eleições que vão ocorrer na Alemanha.

E assim, para onde caminha esta Europa?

Deste modo é quase absurdo pensar-se no que é comummente aceite: ou a Europa caminha para uma integração mais profunda e rapidamente, ou corre o risco da sua desintegração. A questão é: mas que integração? Integração de quê? E quem quer essa integração?

Conforme se tem constatado, cada país tem os seus objectivos, as suas linhas de orientação, os seus princípios, dos quais não abdica, em prol de um certo objectivo comum.

Por outro lado, cada povo tem o seu ADN tão marcado, e tão distinto uns dos outros, que muito dificilmente aceitará as diferenças, sem que os julgados mais fortes (leia-se economias mais fortes) queiram vergar os outros.

Com muito pesar penso que estamos a chegar à conclusão de que o que nos separa é muito mais do que o que nos une.

E assim, qual o rumo desta Europa?

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