“A Comic Con Portugal não é um evento onde as marcas aparecem. É uma plataforma onde elas vivem”, Paulo Rocha Cardoso (CEO)

2 bilhetes, pfNotícias
Daniel Almeida
20/04/2026
20:32
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É já esta semana, entre os dias 23 e 26, que a Comic Con Portugal regressa para a sua 11.ª edição. Pela primeira vez, o evento decorrerá no Europarque, em Santa Maria da Feira, e passa a assumir o formato bienal.

A edição deste ano – que estreia ainda a nova identidade visual da Comic Con – será dedicada ao tema da Portugalidade, desafiando o público a explorar uma fusão entre a cultura pop e a identidade cultural portuguesa. Além da mudança de espaço, o que a organização promete é todo um novo conceito que dará lugar a uma verdadeira “cidade da cultura pop”, numa experiência que envolverá hotéis, restaurantes, comércio e espaços culturais.

Desde a sua estreia em 2014, com 32.500 visitantes, a Comic Con Portugal tem registado um crescimento consistente, tendo alcançado, em 2024 (o ano da edição mais recente), um total de 155.234 participantes. Ao longo da última década, já ultrapassou a marca de 900 mil visitantes.

Com a nova edição, a organização espera reforçar ainda mais o posicionamento do evento nas áreas do cinema, televisão, banda desenhada, gaming, cosplay, literatura, música, tecnologia e entretenimento. Em entrevista à Marketeer, Paulo Rocha Cardoso, CEO da Comic Con Portugal, aborda as novidades e expectativas para este ano.

Paulo Rocha Cardoso, CEO da Comic Con Portugal

Depois de um ano de pausa, a Comic Con Portugal regressa para a sua 11.ª edição, que decorrerá, pela primeira vez, no Europarque, em Santa Maria da Feira. Quais as principais novidades que podemos esperar este ano?

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Esta 11.ª edição é, sem dúvida, a mais ambiciosa da nossa história. A mudança para o Europarque não é apenas uma decisão logística. É uma declaração de intenções sobre o que a Comic Con Portugal quer ser a partir daqui.

A primeira grande novidade é a escala. O Europarque permite-nos criar experiências verdadeiramente imersivas, com uma dimensão que simplesmente não era possível antes. Mas o espaço é apenas o ponto de partida.

A segunda novidade é o conceito. Em 2026, a Comic Con Portugal não é só um evento. É uma plataforma de cultura pop que envolve toda uma cidade durante quatro dias, com hotéis, restaurantes, comércio e espaços culturais integrados numa experiência única.

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A terceira novidade é o conteúdo. Temos nesta edição parceiros de conteúdo como a Warner, a Universal e a Sony, que trazem universos cinematográficos e de entretenimento para dentro do evento. A Xbox e a Fanta reforçam a dimensão gaming e lifestyle. A Mecwide patrocina o Innovation Lab, uma área inteiramente nova dedicada aos developers portugueses de videojogos, desenvolvida em parceria com a APVP –Associação Portuguesa de Videojogos e Produtoras. Esta iniciativa está alinhada com o tema desta edição, a Portugalidade, e celebra a criatividade nacional no sector do gaming. E a Antena 3 assegura a cobertura e presença mediática que um evento desta dimensão merece.

Por fim, esta é a primeira edição com a nova identidade visual em pleno. Uma marca renovada, uma nova era.

De acordo com a organização, a mudança de local permite criar uma autêntica “Cidade da Cultura Pop”. O que muda na organização e conceito do evento? E como prometem transformar a experiência dos visitantes dentro e fora do recinto?

O conceito “Cidade da Cultura Pop” é a mudança mais profunda desta edição. A Comic Con Portugal deixou de ser um evento de recinto para se tornar num ecossistema territorial. Santa Maria da Feira transforma-se num epicentro da cultura pop durante quatro dias, o que significa envolver toda a comunidade local: hotéis, restaurantes, comércio, espaços culturais e até as ruas da cidade. O visitante sente isso mal chega. A experiência começa antes de entrar no Europarque e continua depois de sair. É uma lógica que vai muito além do evento em si.

O Turismo de Portugal reconheceu exactamente este potencial ao apoiar esta edição. É o reconhecimento institucional de que a Comic Con Portugal é hoje um activo turístico real, capaz de movimentar pessoas, gerar impacto económico e projectar Portugal como destino de cultura pop a nível europeu.

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Do ponto de vista operacional, o Europarque oferece-nos uma versatilidade que nunca tivemos. Mais espaço, melhores acessibilidades e infra-estruturas modernas que nos permitem criar zonas temáticas com outra dimensão e garantir uma experiência mais fluida e confortável para todos.

Por outro lado, o que muda ao nível da presença e activação das marcas?

A Comic Con Portugal não é um evento onde as marcas aparecem. É uma plataforma onde as marcas vivem. Há uma diferença fundamental entre as duas coisas.
O que fazemos com os nossos parceiros é co-criar. Não queremos presença de marca standard nem activações decorativas. Queremos que cada marca contribua activamente para a experiência do visitante, que acrescente algo que as pessoas não esperavam encontrar. Quando isso acontece, o ROI para a marca é incomparavelmente mais elevado, porque a memória que fica é emocional.

Este é o modelo que acreditamos ser o futuro da relação entre marcas e eventos culturais. A marca como infra-estrutura da experiência, não como interrupção dela.

Este será ainda o primeiro evento depois do anúncio da nova identidade visual da Comic Con Portugal. O que representa a nova imagem e como posiciona a marca Comic Con para o futuro?

O rebranding que apresentámos em Novembro, desenvolvido pela agência criativa Markabranka, marca um ponto de viragem estratégico. Após uma década de crescimento, era o momento certo para a marca reflectir aquilo em que se tornou e aquilo que quer ser.

A Comic Con Portugal não é só um evento. É uma marca 360 graus com uma comunidade activa, uma loja online, canais digitais com milhões de interacções, conteúdos ao longo de todo o ano e uma presença cultural que vai muito além dos quatro dias de evento. A nova identidade visual reflecte precisamente isso.

O novo logótipo é geométrico e moderno, funciona em qualquer contexto, do digital ao físico. A paleta histórica, preto, vermelho e amarelo, mantém a ligação emocional ao ADN da marca. E o claim “Be Yourself”, acompanhado de “Be Bold” e “Be Brave”, não é apenas uma tagline. É uma declaração de princípios sobre o que este espaço representa: um lugar onde cada pessoa pode viver as suas paixões sem filtros, sem pedir licença.

Esta identidade prepara a Comic Con Portugal para uma projecção cada vez mais europeia e internacional. E é com ela que chegamos ao Europarque.

O acordo com o Europarque prevê a realização de três edições da Comic Con (2026, 2028 e 2030). Por quê a decisão de passar a realizar o evento de dois em dois anos? E que impacto terá ao nível da preparação e programação?

É uma decisão deliberada e estratégica. Os grandes festivais de referência a nível mundial operam com ciclos que permitem uma preparação em profundidade. Não queremos fazer um evento por ano. Queremos fazer um evento que as pessoas antecipem durante dois anos, que associem a um momento especial, que valha uma viagem.

O impacto na programação é significativo. Com mais tempo de preparação, conseguimos negociar convidados internacionais de outro calibre, construir parcerias mais estruturadas, criar experiências que realmente surpreendem. O nível de exigência sobe e os resultados acompanham.

Há também uma dimensão de sustentabilidade do projecto. Um modelo bienal permite-nos reinvestir, crescer com consistência e garantir que cada edição supera verdadeiramente a anterior. É qualidade em vez de quantidade. E acreditamos que o público e os parceiros valorizam exactamente isso.

Quais as expectativas para a Comic Con Portugal 2026?

Em 2024 reunimos mais de 155 mil participantes. Essa é a nossa referência de partida e a ambição é superá-la com uma edição que seja, em todos os sentidos, de uma escala diferente.

Mas os números são apenas uma parte da história. O que verdadeiramente nos move é afirmar a Comic Con Portugal como o maior e mais relevante festival de cultura pop da Península Ibérica e consolidar a nossa presença no mapa europeu dos grandes eventos de entretenimento.

O que é que isso significa na prática? Significa que uma pessoa que visite a Comic Con Portugal em 2026 vai sentir que esteve num evento de referência mundial. Não de um evento português que aspira a ser internacional. De um evento que já é internacional, feito em Portugal, com orgulho.

Há doze anos que construímos este momento.

Texto de Daniel Almeida

*O jornalista escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico




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