A Sociedade Ponto Verde regressou ao Ageas Cooljazz como “Parceiro Oficial de Sustentabilidade”. Desde o dia 8 de Julho e até ao final do mês, está em Cascais, através da marca Ponto Verde, a sensibilizar o público para a importância de reciclarem as embalagens, reforçando a mensagem de que pequenos gestos individuais têm um impacto real.
Nesta edição, a Ponto Verde volta a levar um conjunto de acções que integram a sustentabilidade e a economia circular na experiência do Ageas Cooljazz ao recinto, salientando-se as 30 mesas de piquenique fabricadas em plástico reciclado no foodcourt e a disponibilização de um espaço de activação exclusivo na zona lounge, equipado com puffs para conforto dos festivaleiros.
Para facilitar a correcta separação e deposição de resíduos de embalagem, a Ponto Verde instalou 20 estruturas de ecopontos com informação em português e inglês nas áreas públicas do Hipódromo e do Parque Marechal Carmona.
A par destas experiências, uma equipa de seis mochileiros circula pelo recinto, a testar o conhecimento sobre reciclagem de embalagens e a distribuir brindes sustentáveis.
Em conversa com a Marketeer, Ricardo Sacoto Lagoa, director de Marketing, Sensibilização e Comunicação da Sociedade Ponto Verde, explica o porquê da presença no Ageas Cooljazz como Parceiro Oficial de Sustentabilidade e o que esperam conseguir com esta associação.
A Sociedade Ponto Verde volta a associar-se ao Ageas Cooljazz como Parceiro Oficial de Sustentabilidade. O que torna este festival um parceiro estratégico para a missão de sensibilização da SPV e que objectivos concretos pretendem alcançar junto dos festivaleiros nesta edição?

A parceria com o Ageas Cooljazz prova-nos, ano após ano, que música e responsabilidade ambiental podem conviver em perfeita harmonia. Por ser um evento de grande escala, tem um poder de mobilização acrescido. É o cenário ideal para, através da marca Ponto Verde, nos aproximarmos dos cidadãos e mostrar que a reciclagem de embalagens não tem de ser um acto isolado, mas sim um gesto simples que pode, e deve, estar integrado nos momentos de lazer.
Para além de garantir a correcta utilização das infraestruturas e a adesão às dinâmicas da Ponto Verde durante o evento, o nosso grande propósito é sensibilizar a população. Queremos mostrar a importância da reciclagem de embalagens em qualquer momento e em qualquer lugar, tornando a separação um acto tão natural que as pessoas o apliquem no seu dia a dia.
A presença da Ponto Verde no festival vai muito além da instalação de ecopontos, integrando espaços de convívio produzidos com plástico reciclado, acções de sensibilização e conteúdos educativos. De que forma esta abordagem mais experiencial contribui para alterar comportamentos e aproximar a reciclagem do quotidiano das pessoas?
Acreditamos que a chave para mudar comportamentos está em combinar soluções práticas com experiências marcantes, mostrando de forma tangível que o que reciclamos volta transformado em algo útil. No Ageas Cooljazz, isto materializa-se no foodcourt, com 30 mesas de piquenique de plástico reciclado, na zona lounge, equipada com puffs feitos de materiais reutilizados de outras activações, e nas estruturas de ecopontos bilingues dispersas pelo recinto e bastidores. Para reforçar a mensagem, distribuímos placas informativas em plástico reciclado, exibimos um vídeo temático nos ecrãs, durante os intervalos dos concertos, e contamos com uma equipa de mochileiros que desafia o público de forma divertida, distribuindo brindes sustentáveis e provando que a reciclagem pode, e deve, fazer parte do quotidiano.
“Num cenário de grande concentração de resíduos de embalagens, como um festival de música, a premissa de que “cada gesto conta” ganha ainda mais força.”
A SPV tem vindo a defender que “pequenos gestos individuais têm um impacto real”. Como é que essa mensagem ganha expressão num contexto como o de um festival de música, onde a produção de resíduos é particularmente elevada e concentrada em poucos dias?
Num cenário de grande concentração de resíduos de embalagens, como um festival de música, a premissa de que “cada gesto conta” ganha ainda mais força. Acreditamos que a melhor forma de passar esta mensagem é facilitando ao máximo o acto de reciclar. Por isso, distribuímos ecopontos de forma estratégica por todo o recinto e, ao mesmo tempo, mostramos de forma prática o impacto dessa escolha: ao utilizarem as nossas mesas de piquenique, os puffs ou ao lerem a sinalética, todos equipamentos produzidos a partir de materiais reciclados ou reutilizados, os festivaleiros testemunham no momento, a “nova vida” gerada pelo seu esforço individual.
A ligação entre cultura e sustentabilidade tem sido cada vez mais valorizada pelas marcas e organizações. Na sua perspectiva, de que forma eventos como o Ageas Cooljazz podem funcionar como plataformas privilegiadas para promover a economia circular e a adopção de comportamentos mais responsáveis?
Estes grandes eventos são uma oportunidade única para nos aproximarmos do público, precisamente porque a enorme concentração de pessoas gera um poder de mobilização e uma proximidade ímpares. Um festival como o Ageas Cooljazz funciona como uma montra viva da economia circular. Permite-nos criar momentos de contacto directo com os cidadãos, esclarecer dúvidas e reforçar a educação ambiental através de experiências práticas.
“A nossa experiência mostra que a proximidade física humaniza a mensagem e gera um impacto dificilmente replicável por outros suportes.”
Uma das apostas desta edição passa pela interacção directa com o público através da equipa de mochileiros da Ponto Verde. O contacto presencial continua a ser uma ferramenta eficaz de sensibilização numa altura em que a comunicação digital domina grande parte das campanhas? Que tipo de reações esperam encontrar junto dos festivaleiros?
Numa era em que a comunicação digital é predominante, o contacto presencial e directo assume um valor ainda mais estratégico. A nossa experiência mostra que a proximidade física humaniza a mensagem e gera um impacto dificilmente replicável por outros suportes. A interacção dos mochileiros da Ponto Verde no recinto é um excelente exemplo.
Mais do que se limitar a transmitir informação, a abordagem experiencial permite-nos criar momentos de diálogo genuíno, esclarecer dúvidas e reforçar a literacia ambiental através de uma dinâmica prática. Temos vindo a encontrar uma recepção muito positiva, participativa e curiosa por parte dos festivaleiros. O ambiente descontraído de um festival de música é ideal para que as pessoas se envolvam de forma leve e espontânea nestas iniciativas.
Portugal tem registado progressos na reciclagem de embalagens, mas continua a enfrentar desafios importantes nesta área. Que balanço faz do caminho percorrido e que papel podem desempenhar iniciativas como esta, em eventos culturais de grande dimensão, para acelerar a mudança de hábitos e aumentar os níveis de reciclagem no País?
Apesar dos avanços, Portugal continua a enfrentar metas exigentes. Em 2025, mesmo com um investimento histórico de 212M€ no Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE), (+90 milhões que no ano anterior), não alcançámos o objectivo de reciclar 65% de todas as embalagens colocadas no mercado. Em 2026, o financiamento do sistema deverá voltar a aumentar, atingindo cerca de 237 milhões de euros. Mesmo assim, os resultados obtidos ainda não reflectem, de forma proporcional, o esforço financeiro realizado. É, por isso, fundamental garantir que este investimento se traduza numa melhoria efectiva dos níveis de serviço, da recolha selectiva e da triagem, para que seja possível aumentar as quantidades de embalagens encaminhadas para reciclagem.
Existe ainda uma vertente que depende directamente de cada um de nós e que está ligada à literacia ambiental. Os indicadores mostram que 7 em cada 10 portugueses já separam as suas embalagens, mas destes só 1 separa bem, demonstrando que ainda existem dúvidas no momento de encaminhar correctamente estes resíduos. Isto demonstra que existe uma intenção clara de reciclar, mas que continua a ser necessário reforçar a literacia ambiental e ajudar os cidadãos a transformar essa intenção em acção.
É neste cenário que os grandes eventos culturais, como o Ageas Cooljazz, assumem um papel acelerador da mudança. Ao transportarmos a nossa missão para os momentos de lazer e para o quotidiano das pessoas, conseguimos esclarecer dúvidas, desmistificar regras de separação e sensibilizar de forma descontraída.
A Sociedade Ponto Verde tem reforçado a sua presença em festivais e grandes eventos. Que papel desempenham estas parcerias na estratégia global de sensibilização da SPV e que critérios pesam na escolha dos eventos com os quais decidem associar-se?
A sustentabilidade e a responsabilidade social estão no ADN da Sociedade Ponto Verde. Por isso, a presença em grandes eventos e iniciativas culturais, com particular destaque para os festivais de música, desempenha um papel fundamental na nossa estratégia global. Estas parcerias permitem-nos aproximar a reciclagem do dia a dia dos cidadãos num ambiente de proximidade e descontração, uma aposta na comunicação, educação e sensibilização ambiental na qual a Sociedade Ponto Verde já investiu 63,6 milhões de euros ao longo dos seus 30 anos de actividade. Por isso, privilegiamos parceiros que partilhem destes valores e assumam a sustentabilidade como um pilar central na organização e na experiência oferecida aos visitantes, garantindo que a preocupação com o ambiente seja um elemento estrutural de cada projecto, e nunca um mero acessório.
“O nosso objectivo é que estas iniciativas não se esgotem no momento do evento, mas contribuam para criar hábitos de reciclagem duradouros.”
O objectivo passa por aumentar a cobertura destas iniciativas ou por aprofundar a qualidade e o impacto das acções realizadas em cada evento?
Alcance e impacto têm de caminhar lado a lado. Queremos continuar a expandir estas iniciativas a mais eventos e públicos, sem comprometer a sua eficácia. Por isso, o foco não está apenas na presença, mas sobretudo na capacidade de gerar mudanças de comportamento, promovendo uma melhor separação de embalagens e uma participação mais activa dos consumidores.
O nosso objectivo é que estas iniciativas não se esgotem no momento do evento, mas contribuam para criar hábitos de reciclagem duradouros no dia a dia e para aumentar efectivamente a quantidade de embalagens encaminhadas para reciclagem.
Texto de Maria João Lima
*A jornalista escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico












