A celebrar 30 anos, o Canal Panda é hoje uma marca 360º. “Não é só um canal de televisão, é festival, revista, livro, música e experiência”

EntrevistaLinkedin
Rafael Ascensão
01/04/2026
11:00
EntrevistaLinkedinNotícias
Rafael Ascensão
01/04/2026
11:00
Partilhar

Três décadas depois de ter chegado à televisão portuguesa, o Canal Panda continua a afirmar-se como uma das marcas mais sólidas no universo infantil. Lançado a 1 de abril de 1996, o canal assinala 30 anos de emissão com um posicionamento que ultrapassa a lógica televisiva, assumindo-se hoje como um verdadeiro ecossistema de conteúdos, experiências e ligação emocional com várias gerações.

“É um verdadeiro companheiro de infância”, resume Susana Gomes, responsável de programação do canal, sublinhando o papel desempenhado ao longo dos anos na criação de rotinas, referências e memórias partilhadas entre famílias. “Mais do que entreter, contribuiu para o desenvolvimento emocional e social das crianças, sempre com conteúdos seguros, educativos e adequados. O Canal Panda, na verdade, é mais do que um canal. Pode dizer-se que é uma memória coletiva que tem acompanhado a infância em Portugal de há três décadas a esta parte”, começa por enquadrar à Marketeer.

Ao longo dos últimos 30 anos, o mesmo tem inclusive vindo a evoluir de canal linear para um “ecossistema de entretenimento infantil”, sendo que entre os momentos-chave dessa transformação esteve a “aposta consistente em marcas âncora globais”, o reforço de produção local e, mais recentemente, a expansão para novas plataformas digitais, nomeadamente de streaming, como o Panda+, naquela que é para Susana Gomes uma “evolução natural, onde o público procura flexibilidade e soluções personalizadas”. A criação do Panda Kids, direcionado a um público mais velho (8-14 anos), reflete também uma estratégia de segmentação que acompanha o crescimento do público.

“O Panda não é apenas um canal, é uma marca que cresceu com várias gerações e tem evoluído no sentido de responder a um público cada vez mais exigente e sofisticado. A consistência editorial, a curadoria cuidada e a proximidade às famílias fazem com que seja visto como uma escolha de confiança, algo difícil de replicar”, diz a diretora de programação do Canal Panda, que pertence à Dreamia, joint-venture constituída em partes iguais pela NOS (50%) e pela AMC Networks International Southern Europe (50%).

“O Canal Panda é hoje uma marca que toca 360º a vida das crianças. Não é só um canal de televisão. É festival. É revista. É livro. É música. É, sobretudo, uma experiência próxima, transversal, familiar e diversa que une gerações em torno do propósito da felicidade das crianças”, acrescenta.

Continue a ler após a publicidade

Essa mudança estrutural – impulsionada pelo crescimento do streaming e por mudanças ao nível das audiências – levou o Canal Panda a adotar assim uma lógica de ecossistema, combinando televisão linear, plataformas digitais e experiências presenciais, como o Festival Panda, ou iniciativas especiais como o espetáculo comemorativo no Coliseu dos Recreios que assinala os 30 anos de emissão do canal.

“O consumo de conteúdos infantis evoluiu de um modelo linear e partilhado em família para um ecossistema multiplataforma, mais individual e on-demand. As crianças deixaram de ser espectadores passivos para se tornarem decisores ativos, escolhem o que ver, quando e em que dispositivo. Ao mesmo tempo, a oferta aumentou significativamente, tornando a atenção mais escassa. Neste contexto, ganham ainda mais relevância as marcas fortes e os conteúdos com identidade clara. Hoje, mais do que pensar uma grelha, é essencial pensar em relevância contínua e presença consistente ao longo de todo o ecossistema, quer linear, quer digital”, explica.

A fragmentação traz inclusive também desafios no que à publicidade diz respeito, pois embora o interesse das marcas em comunicar com o público infantil se mantenha elevado, o mesmo é mais desafiante. “É mais difícil às marcas atingirem este tipo de perfil (como outros) porque o consumo está mais fragmentado. De qualquer maneira, o interesse no Canal Panda, seja em formatos tradicionais no linear, seja em product placement ou soft sponsoring, seja até em activação de marca mantém-se e, de certa forma, até se tem reforçado”, diz Miguel Magalhães, diretor comercial da Nos Publicidade.

Continue a ler após a publicidade

Também Manuel Carlos Rodrigues, sales manager da Nos Publicidade, destaca a resiliência dos canais infantis em Portugal, sublinhando que estes, ao estarem presentes em todos os operadores, contam com uma cobertura de 98%, “difícil de alcançar em qualquer outro meio”.

Mas apesar da crescente fragmentação do consumo, o canal diz manter uma performance “muito consistente”, alcançando diariamente cerca de 300 mil pessoas e posicionando-se regularmente entre os mais vistos no segmento infantil. “Isso demonstra a força da marca e da sua proposta”, sublinha Susana Gomes, acrescentando que a principal diferença do Canal Panda é a “relação emocional com o público”.

Isto até porque mais do que estar em várias plataformas, o foco passa por “garantir uma experiência coerente e complementar em todos os pontos de contacto, onde cada elemento reforça a marca e prolonga a relação com o público para além do ecrã”.

Susana Gomes, responsável de programação do Canal Panda

Aos dias de hoje, o Canal Panda procura posicionar-se como “a casa de confiança da infância em Portugal”, dirigida sobretudo a crianças entre os 3 e os 7 anos. “É um espaço seguro, relevante e emocionalmente próximo, que combina conteúdos icónicos com novas histórias, mantendo sempre uma forte ligação às famílias. Acompanhamos de perto as principais tendências e adaptamos à nossa realidade, mantendo o nosso público dentro do posicionamento mais global do segmento”, explica a responsável.

Para o futuro, a responsável de programação do canal imagina um Canal Panda a “reforçar ainda mais o seu ecossistema” que continue a ser uma “referência” na infância em Portugal e a acompanhar novas gerações. “O Canal Panda continuará a reforçar o seu papel como espaço de confiança para os mais novos, enquanto o Panda Kids ganha escala como destino claro para um público mais crescido, com uma proposta mais segmentada e aspiracional. O Panda+ será cada vez mais o agregador de toda esta oferta, potenciando consumo digital e conteúdos exclusivos”, diz.

Continue a ler após a publicidade

“Temos dois grandes diferenciadores aqui: o segmento educativo, que traz uma proposta de valor clara para ajudar os miúdos a aprenderem enquanto se divertem, mas também um segmento musical, onde temos não só todos os projetos locais que se emitem no Canal Panda, mas também grandes projetos globais localizados em Português, como é o caso de BabyShark ou Cocomelon, grandes fenómenos com escala e que temos, em exclusivo, no Panda+. No conjunto, será um ecossistema mais integrado, onde linear, digital e experiências trabalham de forma complementar, sempre com foco em marcas fortes, conteúdos relevantes e uma ligação emocional duradoura com as famílias”, conclui Susana Gomes.

Trinta anos depois, o Canal Panda continua assim a reinventar-se, não apenas como canal, mas como marca transversal ao quotidiano das crianças, num equilíbrio constante entre entretenimento, educação e confiança.




Notícias Relacionadas

Ver Mais
c.async = !0; c.type = "text/javascript"; c.setAttribute("data-target", window.name || (f && f.getAttribute("id"))); c.setAttribute("data-callback", "put-your-callback-macro-here"); try { a = parent.document.getElementsByTagName("script")[0] || document.getElementsByTagName("script")[0]; } catch (e) { a = !1; } a || (a = document.getElementsByTagName("head")[0] || document.getElementsByTagName("body")[0]); a.parentNode.insertBefore(c, a); })(document, window); /* ]]> */