Mainvision celebra 18 anos de olhos postos no futuro dos eventos. “Mais tecnologia não significa melhor experiência”

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Rafael Ascensão
10/09/2026
14:02
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Mainvision celebra 18 anos de olhos postos no futuro dos eventos. “Mais tecnologia não significa melhor experiência”

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A Mainvision chega à maioridade com uma nova identidade gráfica, mas também com uma leitura diferente do papel que os eventos e o audiovisual desempenham na comunicação das marcas. Ao assinalar 18 anos de atividade, a empresa assume uma evolução que vai além do rebranding: de fornecedor de soluções audiovisuais a parceiro que procura entrar mais cedo nos projetos, compreender os objetivos das marcas e transformar tecnologia em experiências.

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A mudança acontece num setor que, ao longo das últimas duas décadas, se tornou mais tecnológico, imersivo e exigente. Som, luz, imagem e vídeo deixaram de ser apenas elementos de suporte à realização de um evento para passarem a fazer parte da própria narrativa, enquanto a generalização dos formatos híbridos e virtuais e a chegada da inteligência artificial abriram novas possibilidades de criação e produção.

Para Márcia Ferreira, CEO da Mainvision, esta transformação não significa, contudo, que a tecnologia deva assumir o protagonismo. Pelo contrário, quanto maior é o leque de possibilidades, maior é a importância de saber escolher as ferramentas certas para cada objetivo, numa perspetiva que se estende também à forma como as marcas encaram os eventos, cada vez mais entendidos como momentos capazes de gerar envolvimento, relação, conteúdo e memória, e não apenas como iniciativas que acontecem num determinado dia.

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Aos 18 anos, e num momento em que afirma estar a crescer tanto em número como em escala e complexidade dos projetos, a Mainvision olha assim para o futuro com uma ambição que passa por consolidar o seu posicionamento enquanto “Your Eventech Partner”. Em entrevista à Marketeer, Márcia Ferreira fala sobre a nova identidade da empresa, a evolução do mercado de eventos, o impacto da tecnologia e da inteligência artificial, os novos desafios colocados pelas marcas e aquilo que, na sua perspectiva, distingue hoje um evento que simplesmente acontece de uma experiência que permanece.

A Mainvision chega aos 18 anos com uma nova identidade gráfica. O que é que esta mudança pretende dizer sobre a empresa que a Mainvision é hoje e sobre aquela que quer ser nos próximos anos?

18 anos é maioridade. E sentimos que era o momento certo para a nossa identidade acompanhar aquilo em que a Mainvision se tornou.

A empresa tem vindo a crescer de forma consistente ao longo dos anos, num percurso que se acelerou de forma muito significativa. Crescemos em dimensão, conhecimento, especialização e capacidade para projetos cada vez mais exigentes.

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Mas a evolução mais relevante está no nosso papel. Hoje somos muito mais do que um fornecedor de soluções audiovisuais. Somos um parceiro que entra cada vez mais cedo nos projetos, interpreta objetivos, antecipa desafios e coloca a tecnologia ao serviço da mensagem e da experiência.

A nova identidade traduz precisamente essa evolução. É mais contemporânea, mais dinâmica e mais segura, sem perder aquilo que sempre fez parte do nosso ADN: proximidade, valor humano, rigor técnico e uma enorme paixão pelo que fazemos. E é também uma declaração de futuro. Temos uma visão clara para os próximos anos: continuar a crescer com consistência, reforçar capacidade, investir com visão e consolidar a Mainvision entre os players de referência do setor.

O que muda para além da identidade visual? Há um novo posicionamento ou novos serviços, áreas de negócio, mercados ou competências que esta nova fase pretende reforçar?

Não é uma mudança de posicionamento. É uma afirmação mais clara daquilo que a Mainvision é hoje. A identidade evolui com um novo lettering, um novo ícone – o Motto – e, pela primeira vez, uma assinatura: “Your Eventech Partner“.

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O nosso novo ícone nasce do próprio “M” de Mainvision e funciona como elemento ativador “Pulse & Play”. Mais do que um símbolo gráfico, representa a energia que está associada à nossa marca: movimento, tecnologia, palco, transformação e experiência.

A assinatura sintetiza a nossa forma de estar no mercado.

O audiovisual continua a ser o nosso core e a excelência técnica é inegociável, mas o nosso trabalho começa muito antes da execução. Somos o parceiro que aconselha, antecipa, acrescenta valor e ajuda a transformar uma ideia numa experiência.

É isso que fazemos hoje. E é isso que “Your Eventech Partner” vem afirmar de forma mais clara.

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A tecnologia – e não só – mudou radicalmente a forma como um evento é pensado, produzido e vivido. Quais são as mudanças mais disruptivas nestes 18 anos?

Foram muitas, mas há uma imagem que traduz bem essa evolução: há 18 anos, escolhia-se com grande atenção a cor das flores dos centros de mesa; hoje, podemos escolher a cor da própria sala através da iluminação cenográfica.

É uma analogia simples, mas diz muito sobre a transformação dos eventos.

Os audiovisuais deixaram de ser apenas um suporte e passaram a fazer parte da própria narrativa. Hoje, através da imagem, da luz, do som e do conteúdo, conseguimos transformar a perceção de um espaço, criar atmosferas, conduzir a atenção do público e provocar emoção.

Os eventos tornaram-se mais imersivos, mais interativos e mais personalizados. O virtual e o híbrido trouxeram novas linguagens e novas competências. E estamos agora perante outra aceleração, com a inteligência artificial a abrir novas possibilidades.

Ao longo deste percurso, investimos continuamente em tecnologia, conhecimento e especialização para acompanhar – e muitas vezes antecipar – essa evolução.

Na Mainvision sentimos que a grande mudança não é simplesmente termos hoje mais tecnologia. É termos muito mais possibilidades para criar experiências que antes não eram possíveis.

As marcas estão a olhar para os eventos de forma diferente? O evento deixou de ser apenas um momento de ativação ou presença para passar a ser uma verdadeira plataforma de comunicação?

Sem dúvida. O evento ganhou um papel muito mais relevante dentro da estratégia de comunicação das marcas. Já não é apenas um momento delimitado no tempo. Pode gerar conteúdo, relações, envolvimento, notoriedade e memória muito para além do dia em que acontece.

Sentimos cada vez mais que os nossos clientes procuram experiências com um objetivo muito claro: envolver, aproximar, surpreender, inspirar ou mobilizar. E há algo particularmente poderoso num evento: a audiência não se limita a receber a mensagem da marca. Vive-a.

Num contexto em que todos somos diariamente expostos a uma enorme quantidade de estímulos, conseguir reunir pessoas, prender a sua atenção e criar uma experiência física, emocional e partilhada tornou-se ainda mais valioso.

É também por isso que acreditamos que o evento terá um papel cada vez mais central nas estratégias de comunicação.

O que distingue hoje um evento que simplesmente acontece de um evento que realmente deixa uma marca no público?

A intenção e a emoção.

Um evento memorável não resulta necessariamente de ter mais tecnologia, mais ecrãs ou uma produção maior. Resulta de existir uma ideia forte e de todos os elementos contribuírem para a potenciar. Quando espaço, conteúdo, imagem, luz, som, ritmo e tecnologia estão alinhados, o público deixa de perceber componentes isoladas e vive uma experiência.

E depois existe a emoção. As pessoas podem esquecer parte daquilo que ouviram ou viram, mas dificilmente esquecem aquilo que sentiram.

Na Mainvison sabemos que um grande evento não termina quando se apagam as luzes. Continua na memória de quem esteve lá.

Que erros continuam a ser cometidos pelas marcas quando pensam a componente audiovisual de um evento?

Um dos erros mais frequentes é pensar na componente audiovisual demasiado tarde. Quando somos envolvidos desde o início, conseguimos acrescentar muito mais valor: aconselhar, antecipar condicionantes, identificar oportunidades e desenhar soluções que façam verdadeiramente sentido para aquele projeto.

Outro erro é confundir impacto com quantidade. Mais tecnologia não significa necessariamente melhor experiência. Uma solução aparentemente simples, mas perfeitamente alinhada com a ideia e com a mensagem, pode ser muito mais poderosa do que uma produção extremamente complexa.

A questão, para nós, é sempre a mesma: o que é que este evento precisa para cumprir o seu objetivo, envolver o público e criar impacto? É a partir daí que definimos a solução.

“A melhor tecnologia é aquela que torna a experiência extraordinária sem nunca competir com a mensagem”

Como se encontra o equilíbrio entre tecnologia, criatividade e conteúdo? Pode uma solução tecnológica impressionante acabar por se sobrepor à mensagem?

Pode, e acontece.

A tecnologia é extraordinariamente sedutora e oferece possibilidades cada vez mais impressionantes. Mas o ponto de partida não pode ser a tecnologia. Tem de ser sempre a intenção: o que queremos comunicar, o que queremos provocar e o que queremos que o público leve consigo. É a partir daí que criatividade, conteúdo e tecnologia se encontram.

A primeira pergunta nunca deve ser “o que podemos fazer com esta tecnologia?”. Deve ser “o que queremos comunicar?”.

A nossa equipa também evoluiu nesse sentido. Há muito que deixou de ser vista apenas através das funções tradicionais de som, luz ou vídeo. Hoje reunimos especialistas de diferentes disciplinas, capazes de cruzar conhecimento técnico, conceção, integração e criatividade numa visão única do projeto.

Na Mainvision trabalhamos para que a tecnologia amplifique a mensagem.

A melhor tecnologia é aquela que torna a experiência extraordinária sem nunca competir com a mensagem.

Que papel terão dados e tecnologia na medição do impacto de um evento? As marcas já conseguem avaliar um evento com o mesmo rigor com que avaliam outras ferramentas de comunicação?

Estamos cada vez mais perto, embora ainda exista caminho a fazer. A tecnologia permite compreender melhor o impacto de um evento e relacioná-lo cada vez mais com os objetivos globais de comunicação das marcas.

Mas existe uma dimensão que continuará sempre a ser difícil de traduzir totalmente de forma objetiva: a emoção. Um evento pode alterar uma perceção, reforçar uma relação ou criar uma memória que permanece muito para além daquele momento.

E é precisamente essa combinação que torna os eventos tão poderosos: conseguem gerar impacto racional e emocional ao mesmo tempo. Nem tudo aquilo que tem valor cabe numa folha de Excel.

Como avaliam atualmente o mercado português de eventos?

Márcia Ferreira, CEO da Mainvision

Vemos o mercado português de eventos com bastante otimismo. É hoje um setor mais maduro, mais sofisticado e mais exigente. Temos excelentes agências, produtores, espaços, equipas criativas e empresas especializadas, capazes de desenvolver projetos de enorme qualidade.

Sentimos também uma valorização crescente do evento enquanto ferramenta de comunicação. Os briefings são mais ambiciosos, existe maior preocupação com diferenciação e as marcas procuram experiências mais alinhadas com os seus objetivos.

Isso eleva a fasquia.

Na Mainvision temos acompanhado essa exigência com investimento contínuo em equipamentos, tecnologia, pessoas, conhecimento e infraestrutura. É um mercado que está a crescer não apenas em dimensão, mas também em qualidade, sofisticação e relevância, o que nos desafia a continuar a evoluir e a investir.

O que é que os clientes passaram a exigir nos últimos anos que não exigiam há cinco ou dez anos?

Mais velocidade, mais flexibilidade e muito mais personalização.

Os timings são cada vez mais apertados, as decisões acontecem mais depressa e as alterações chegam muitas vezes muito perto da data do evento. Isso exige equipas ágeis, processos sólidos e capacidade para adaptar sem comprometer a qualidade.

Ao mesmo tempo, os clientes procuram cada vez menos soluções standard. Querem que cada projeto tenha identidade própria.

E as referências são hoje globais. O acesso imediato ao que de melhor se faz em qualquer parte do mundo amplia referências, estimula a ambição e contribui para elevar continuamente a qualidade dos projetos.

Hoje, executar bem é o ponto de partida. O verdadeiro valor está em antecipar, aconselhar, encontrar soluções e acrescentar.

A procura por soluções audiovisuais está a crescer? E em que áreas sentem maior potencial de crescimento?

Sim. Os eventos são hoje cada vez mais visuais, tecnológicos e experienciais, e os audiovisuais assumem um papel central na forma como uma mensagem é vivida.

Imagem, som, luz e conteúdo são dimensões fundamentais para criar emoção, captar atenção e manter uma audiência envolvida, num contexto em que disputar essa atenção é, por si só, um dos grandes desafios das marcas.

Na Mainvision temos vindo a trabalhar nesse sentido, com soluções cada vez mais imersivas, interativas e personalizadas e com uma integração crescente entre tecnologia e conteúdos. Esse caminho tem sido acompanhado por um investimento contínuo e cada vez mais relevante para incorporar tecnologia que nos permita ampliar possibilidades criativas, e responder com consistência a projetos cada vez mais exigentes.

A tecnologia evolui depressa. O nosso papel é acompanhá-la com critério e transformá-la em valor para o cliente e para a experiência.

“Portugal não tem apenas capacidade para competir no mercado internacional de eventos. Tem condições para ser escolhido”

Portugal tem capacidade para competir internacionalmente neste mercado?

Claramente. Portugal reúne uma combinação muito forte de fatores para a captação de eventos internacionais.

Temos profissionais altamente qualificados, criatividade, capacidade técnica, bons espaços e equipas habituadas a trabalhar com exigência e a encontrar soluções rapidamente. Somos também um país seguro, hospitaleiro, acessível, com excelentes infraestruturas, uma gastronomia reconhecida e uma cultura de acolhimento que faz diferença.

E há ainda uma vantagem muito relevante na escolha de um destino para eventos: somos um dos países da Europa com mais dias de sol por ano.

Na Mainvision trabalhamos regularmente com padrões de produção internacionais e sabemos que Portugal tem capacidade para responder ao mais alto nível. Portugal não tem apenas capacidade para competir no mercado internacional de eventos. Tem condições para ser escolhido.

Como evoluiu o volume de negócio da Mainvision desde 2008? E que peso têm hoje os diferentes segmentos, entre eventos presenciais, híbridos, virtuais, aluguer de equipamento, conteúdos e consultoria?

A Mainvision tem vindo a crescer de forma consistente e sustentada ao longo destes 18 anos, com uma aceleração muito significativa nos últimos anos. Mas esse crescimento não se traduz apenas em volume de negócio. Traduz-se também na dimensão da empresa, na capacidade instalada, na especialização da equipa e, sobretudo, na dimensão e complexidade dos projetos que hoje assumimos.

Atualmente, a nossa atividade abrange soluções audiovisuais para eventos presenciais – que continuam a ser o nosso core -, virtuais e híbridos, sobretudo no universo dos eventos corporativos.

O virtual ganhou uma enorme expressão num período em que os eventos presenciais ficaram fortemente condicionados, mas nunca o tratámos como uma solução temporária. Mantivemos o nosso estúdio permanente em Lisboa, preparado não só para a produção e realização de eventos em ambientes virtuais 3D com realidade aumentada, mas também para outros formatos de conteúdos e comunicação que complementam as estratégias de comunicação das marcas.

Mais do que preservar uma infraestrutura, preservámos e desenvolvemos todo o know-how associado à produção multimédia. Esse conhecimento não ficou no universo virtual: hoje levamo-lo também para os eventos presenciais, enriquecendo a forma como pensamos conteúdos, ambientes e experiências.

Isso permite-nos oferecer uma abordagem verdadeiramente integrada: não partimos do formato nem da tecnologia. Partimos do objetivo do cliente e construímos a solução presencial, virtual ou híbrida que melhor o serve. Essa amplitude de competências é hoje uma das grandes forças da Mainvision.

Quantos eventos produzem, em média, por ano e que evolução registaram nos últimos anos?

Temos registado crescimentos anuais na ordem dos 25% no número de projetos.

Mas o crescimento mais interessante não está apenas na quantidade. Cresceu, e muito, a dimensão média dos eventos, a sua complexidade e a profundidade do nosso envolvimento.

Hoje a Mainvision assume projetos maiores, mais exigentes, com mais integração, mais personalização e maior responsabilidade sobre a experiência final. Por isso, os números contam uma parte importante da história, mas não toda.

Fazemos mais eventos. Mas, sobretudo, fazemos hoje projetos com uma escala, complexidade e nível de exigência que traduzem bem a evolução da Mainvision.

Qual foi o projeto mais desafiante da história da Mainvision e porquê?

É difícil escolher apenas um, porque os maiores desafios nem sempre correspondem aos maiores eventos. Alguns dos projetos que mais nos marcaram foram precisamente aqueles em que tivemos de fazer algo pela primeira vez. Projetos em que existia uma ideia criativa muito ambiciosa, mas ainda não existia uma resposta pronta.

Um bom exemplo foi um projeto de videomapping interativo, em que diferentes dimensões tecnológicas e criativas tinham de funcionar de forma absolutamente sincronizada com o espetáculo. Obrigou-nos a investigar, testar, criar protótipos e combinar diferentes soluções até encontrarmos a resposta certa.

Foi tecnicamente muito exigente, extremamente gratificante e acabou por ser reconhecido com um prémio. Mas o que melhor traduz a Mainvision não é o prémio. É aquilo que acontece quando nos apresentam um desafio para o qual ainda não existe uma solução evidente.

Não começamos por procurar razões para dizer que não. Começamos a trabalhar na forma de o tornar possível. É normalmente aí que surgem os projetos mais desafiantes, e também aqueles que melhor revelam aquilo de que somos.

“Queremos criar marcas portuguesas capazes de competir lá fora”, Maria Athayde Cordeiro (Ó Studio)




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