A ascensão dos shopping agents: IA poderá influenciar 30% do e-commerce global até 2030

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18/05/2026
16:00
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A economia digital está a entrar numa nova fase, sendo que depois da automação, da personalização e da omnicanalidade, surge agora um paradigma que promete reconfigurar por completo a forma como consumidores e marcas interagem: o agentic commerce. O conceito, detalhado num estudo da Getnet e desenvolvido em parceria com a Deloitte, antecipa uma década marcada pela ascensão de agentes inteligentes capazes de orquestrar toda a jornada de compra, desde a descoberta até ao pagamento.

Segundo o estudo, o impacto será profundo, prevendo-se que, até 2030, cerca de 30% do valor global das transações de e-commerce possa ser influenciado por agentic AI, o que traduz uma mudança estrutural no comportamento do consumidor e no papel das plataformas digitais.

Isto porque, enquanto hoje, o processo de compra é fragmentado – o consumidor pesquisa num motor de busca, compara preços num marketplace, consulta reviews nas redes sociais e, só depois, conclui a transação – no modelo agentic, essa dispersão desaparece, com um único agente inteligente a gerir todo o processo, agregando informação, antecipando necessidades e executando decisões de forma autónoma.

Neste cenário, os chamados shopping agents tornam-se intermediários ativos, capazes de analisar dados em tempo real, identificar oportunidades de poupança, otimizar escolhas de produtos, gerir pagamentos e subscrições e prevenir fraude e validar intenções. Neste novo ecossistema, os pagamentos assumem um papel que vai muito além da execução, tornando-se uma camada crítica de controlo, confiança e segurança, essencial para que agentes autónomos possam operar com fiabilidade.

Entre os principais desafios, identifica o estudo, estão a validação da identidade dos agentes (know your agent), a verificação da intenção do utilizador e a deteção de fraude em ambientes mais sofisticados. No entanto, a análise reforça que o agentic commerce representa já uma oportunidade de mercado estimada entre 2,5 e 4,5 biliões de euros até 2030, podendo influenciar até 30% do valor global de transações de e-commerce.

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Os dados do estudo revelam ainda um ecossistema pronto para avançar, com 70% dos profissionais de pagamentos a quererem explorar casos de uso de Agentic AI e 50% das empresas a verem nos agentes autónomos uma via para eficiência e personalização. Já 46% dos consumidores valorizam agentes que encontram melhores preços em tempo real, enquanto 37% destacam a redução de fraude e 33% sublinham a capacidade de automatizar subscrições e programas de fidelização.

Além disso, pouco mais de metade (51%) acredita que as marcas ainda não usam os seus dados de forma realmente benéfica, o que reforça a ideia de que existe uma oportunidade para soluções mais personalizadas.

O relatório sublinha que grandes players internacionais, como a Amazon, já estão a avançar “rapidamente” neste território, ao mesmo tempo que surgem novos atores nativos de IA, sendo que a janela de oportunidade é curta, pelo que quem construir capacidades agentic nos próximos anos poderá definir a próxima década do comércio digital.

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“Mas há um fator crítico de diferenciação neste novo contexto: a confiança, num ambiente em que as decisões de consumo são cada vez mais automatizadas, a confiança assume-se como o principal ativo competitivo”, diz Juan Franco, CEO da Getnet, citado em comunicado.

“Isto exige a capacidade de garantir segurança e prevenção de fraude em tempo real, suportada por mecanismos de tokenização e autenticação avançada, assegurando simultaneamente a interoperabilidade entre plataformas e mercados, bem como níveis elevados de transparência e controlo sobre transações realizadas de forma autónoma”, conclui.




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