“78% dos portugueses leram pelo menos um livro em 2025, mas compram menos”, revela estudo

NegóciosFacebook
Marketeer
15/09/2026
15:57
NegóciosFacebookLinkedin
Marketeer
15/09/2026
15:57
“78% dos portugueses leram pelo menos um livro em 2025, mas compram menos”, revela estudo

Partilhar

Os portugueses estão a ler mais, mas isso não significa necessariamente que estejam a comprar mais livros. 78% dos portugueses com 15 ou mais anos afirmam ter lido pelo menos um livro em 2025, o valor mais elevado dos últimos três anos, enquanto a compra de livros continua abaixo dos níveis registados em 2023.

Escolha a Marketeer como fonte preferida no Google Escolher ›

Os dados fazem parte do estudo “Hábitos de Compra e Leitura em Portugal”, desenvolvido pela Nielsen | GfK e apresentado pela APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, no âmbito da quarta edição do BOOK 2.0 – O Futuro da Leitura, que decorre a 15 e 16 de setembro no CCB, em Lisboa. O índice de leitura tem vindo a crescer: passou de 73% em 2023 para 76% em 2024 e 78% em 2025. Também aumentou o número médio de livros lidos por leitor, de 7,2 em 2024 para 8 livros em 2025. A evolução da compra, contudo, é diferente. 62% dos portugueses compraram pelo menos um livro em 2025, abaixo dos 65% registados em 2023. Embora a média de livros adquiridos por pessoa tenha subido de 3,9 para 4,1, continua distante dos 4,8 livros de 2023.

A distância entre leitura e compra torna-se ainda mais evidente quando se olha para o número de livros adquiridos por comprador. A média caiu de 7,5 livros em 2023 para 6,9 em 2025. Também a compra de livros para oferecer está em queda. Se em 2023 representava 44% das compras, em 2024 passou para 34% e, em 2025, para apenas 29%. O livro é comprado sobretudo para consumo próprio, apontado por 81% dos compradores, enquanto a compra destinada a crianças e jovens do agregado familiar chega aos 32%.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

O estudo mostra ainda que 18% dos portugueses leem livros sem os comprar, quase o dobro do valor registado em 2023. Bibliotecas, empréstimos, ofertas, formatos digitais e outras formas de circulação dos livros assumem, assim, uma importância crescente. Apesar da menor intensidade de compra por consumidor, o mercado editorial português mantém uma trajetória de crescimento. O valor total do mercado passou de 187 milhões de euros em 2023 para 202 milhões em 2024 e 218 milhões em 2025. Em unidades, as vendas cresceram de 13,2 milhões para 14 milhões e, depois, para 14,9 milhões de exemplares. Também a diversidade da oferta aumentou. Em 2025 foram comercializadas 150 mil referências e atribuídos 23.683 novos ISBN, os valores mais elevados do período analisado. A evolução indica, por isso, uma recuperação do setor que não está necessariamente a acontecer através de uma maior frequência de compra por parte de todas as famílias.

A leitura digital está a ganhar espaço. 19% dos portugueses compraram livros digitais em 2025, quase o dobro dos 10% registados em 2023. No total, 22% dos portugueses utilizam o formato digital, acima dos 17% de 2023. Entre os leitores digitais, o e-reader continua a ser o dispositivo mais utilizado, com 49% de utilização, mais quatro pontos percentuais do que no ano anterior. Ainda assim, o papel mantém uma posição dominante: 92% dos leitores preferem o formato físico e 95% dos compradores adquiriram livros impressos. As livrarias e lojas físicas continuam também a ser o principal canal de compra, utilizado por 86% dos compradores, enquanto as lojas online são escolhidas por 47%.

Os resultados mostram ainda diferenças significativas consoante a idade, território e condição socioeconómica. Os grupos dos 15 aos 24 anos e dos 25 aos 34 anos apresentam ambos uma taxa de leitura de 91%. Já os portugueses entre os 35 e os 54 anos são os que mais compram livros e também os que apresentam a maior média de leitura, com 7,5 livros por ano. Lisboa lidera tanto na compra como na leitura, com 71% de compradores e 86% de leitores. Por estatuto social, o grupo AB apresenta igualmente os valores mais elevados, com 81% de compradores e 88% de leitores. A diferença entre homens e mulheres na incidência de leitura também diminuiu: 79% das mulheres e 77% dos homens afirmam ler livros. As mulheres continuam, contudo, a apresentar uma média superior de livros lidos, de 6,6 contra 5,3 entre os homens.

Continue a ler após a publicidade

Apesar do crescimento dos indicadores de leitura, ler por lazer continua atrás de outras atividades. 91% dos portugueses dizem ocupar os tempos livres a conviver com amigos, enquanto 85% referem utilizar redes sociais, 75% ver filmes e séries em streaming e 66% praticar desporto. Ler livros por lazer é apontado por 62%. Entre os não leitores, a falta de interesse é o principal obstáculo, indicada por 43%, seguida da falta de tempo (38%) e da preferência por outras atividades (33%). Os dados reforçam, assim, o desafio de conquistar espaço para a leitura num mercado de atenção cada vez mais disputado. Ao mesmo tempo que o número de leitores aumenta, o setor enfrenta a necessidade de transformar esse crescimento em consumo sustentável, num contexto marcado pela digitalização, pelas novas formas de acesso aos conteúdos e pela concorrência de outras atividades.

O estudo foi realizado pela GfK – uma empresa Nielsen, entre 21 de junho e 29 de julho de 2026, através de 1.000 entrevistas a pessoas com 15 ou mais anos residentes em Portugal. A margem de erro máxima é de ±3,1 pontos percentuais, para um intervalo de confiança de 95%. O BOOK 2.0 decorre este ano sob o mote “Regresso às Origens. Regresso aos Livros”, reunindo autores, editores, livreiros, investigadores e outros especialistas para discutir o futuro do livro, da leitura e da literacia perante a transformação tecnológica e a inteligência artificial.

A LeYa vira a página e escolhe uma nova líder: conheça a nova CEO do grupo editorial




Subscrever newsletter



Notícias Relacionadas

Ver Mais